Fugir pode ser a saída para Bolsonaro e uma nova chance para a direita

"Na situação em que se encontra, Bolsonaro não tem forças para enfrentar a evolução de duas dezenas de acusações graves", escreve o colunista Moisés Mendes

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(Foto: Luiza Castro/Sul 21 | ABr)


Por Moisés Mendes, para o 247

Se a eleição de Bolsonaro era apenas um delírio e se, pouco antes, o golpe contra Dilma e a prisão de Lula também pareciam improváveis, a renúncia de Bolsonaro ao projeto de reeleição também pode acontecer, por mais improvável que pareça. 

A desistência seria o Deus ex machina desesperado não só da extrema direita, mas talvez muito mais da direita desamparada. A renúncia desceria dos céus abanando suas asas para a terceira via, e o imponderável se encarregaria do resto. 

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Bolsonaro renuncia e resolve ou tenta resolver parte dos problemas dele e dos outros. É só fazer uma conta de chegada e perceber que, apesar dos riscos tenebrosos e de vir a ser acusado de covarde, valeria a pena renunciar à reeleição.

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Valeria para que a direita nacional, em todas as frentes, dos banqueiros e grileiros à Globo e à Firjan, tente se agarrar a Simone Tebet como salvação já na prorrogação.

A direita beneficiária da renúncia encaminharia com Bolsonaro as negociações para que o sujeito tente escapar do cerco da Justiça. Como? A direita e a hermenêutica sempre dão um jeito.

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Se for até o fim e sofrer uma derrota histórica no primeiro turno, não haverá caos capaz de salvá-lo. E a conta de um golpe fracassado será cobrada pelo resto da vida.

Um Bolsonaro derrotado nas urnas e na tentativa de golpe será um traste perigoso para todo o seu entorno, principalmente o militar.

Por isso, a opção pode ser a renúncia antes da derrota anunciada para Lula. Renuncia, acerta com a direita que essa é uma concessão e a chance de uma aposta derradeira em Simone Tebet, acena para os inimigos com um pedido de trégua e foge para o mato.

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E os outros? Os outros que se virem. Bolsonaro não tem partido, não tem aliados fiéis, não tem base social além dos 15% que o idolatram. 

Bolsonaro tem uma base eleitoral precária e oportunista de ricos e da classe média anti-Lula. Sobram como aliados mais próximos os militares, mas também eles nunca foram e não serão agora garantia de apoio incondicional a quem está no poder, muito menos de alguém em estado de decomposição. 

Bolsonaro não tem mais o que fazer além de tentar escapar. Os sinais que vem dando, e que repetiu na última reunião ministerial, são recados que estão muito além de uma ameaça.

Ele está dizendo à sua turma que pode cair fora e não concorrer à reeleição. Para criar uma confusão à la Jânio?  Para abrir espaço aos militares? Só para ver o incêndio?

Bolsonaro é um bicho cercado, que fez sua última aposta na PEC Kamikaze e fica agora aguardando os possíveis efeitos. 

Se não houver reação na próximas pesquisas, o melhor será fugir, tentar um indulto da graça antecipado e imaginar que Simone Tebet herdará a chance de ir para o segundo turno, carregando os votos do próprio Bolsonaro, Sergio Moro, Andre Janones, Antonio Bivar e até alguma coisa de Ciro Gomes. 

A Folha fez uma lista de 20 casos de corrupção envolvendo Bolsonaro e os filhos, sem incluir, entre outros, o processo que corre no Supremo sobre o gabinete do ódio e a ação por incentivo ao estupro no ataque à deputada Maria do Rosário, que são de outro departamento das suas atitudes fascistas.

Na situação em que se encontra, Bolsonaro não tem forças para enfrentar a evolução de duas dezenas de acusações graves. Mas se renunciar poderá sobreviver sem mandato? Pode ser candidato a alguma outra coisa?

Esse Deus ex machina só voa sobre as cabeças da direita e desce, não cuida desses detalhes. O certo é que, desde a facada, nada mais é improvável.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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