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Leopoldo Vieira

Jornalista profissional, pós-graduado em Administração Pública e Ciência Política. CEO da Idealpolitik. Trabalhou como analista sênior de política na Faria Lima (TradersClub) e nos ministérios do Planejamento, Secretaria de Governo e Relações Institucionais nos governos Dilma Rousseff e Lula.

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Genial/Quaest mostra que Flávio se beneficia da antecipação da disputa eleitoral polarizada

Pesquisa Genial/Quaest indica redução da vantagem de Lula e consolidação da polarização, com Flávio encurtando distância no 2º turno

Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil | Carlos Moura/Agência Senado)

A nova pesquisa Genial/Quaest, a primeira sem o governador Tarcísio de Freitas, indica que a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro se beneficia da antecipação da disputa eleitoral, em um contexto de manutenção da polarização acirrada entre lulismo e bolsonarismo.

O senador reduziu a diferença em relação à liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manifesta em todas as simulações, para cinco pontos, em cenário de segundo turno: 43% a 38%. Em dezembro, a distância entre eles era de dez pontos, sendo de sete pontos em janeiro, o que sugere um estreitamento da margem à medida que se aproxima o calendário da corrida pelo Palácio do Planalto.

O fato de a vantagem do petista sobre o bolsonarista, entre eleitores que se consideram independentes, ter caído de 16 pontos para cinco endossa essa tendência. Esse grupo é considerado decisivo para vencer a eleição.

A polarização se expressa ainda nas taxas de aprovação (45%) e desaprovação (49%). "Esse patamar de divisão está fixo desde out/25", disse Felipe Nunes, diretor da Quaest.

No momento, Lula e o PT fazem movimentos em direção ao centro político, buscando reeditar e ampliar a frente ampla vitoriosa em 2022, enquanto partidos do Centrão se movem em direção a arranjos locais, afastando-se de Flávio, o que também reflete o quadro polarizado. A divisão política local e regional dificulta coligações nacionais como antes de 2018, sobretudo porque as legendas do bloco mantêm a estratégia de eleger grandes bancadas ao Congresso Nacional, visando ser o fiel da balança da governabilidade.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, previu, nesta terça-feira, em evento do mercado financeiro, que o Legislativo deve ter uma taxa de reeleição de 40%, porém com fortalecimento dos polos de esquerda e de direita, o que significaria um enfraquecimento do centro parlamentar.

Nesta quarta-feira, o senador Renan Calheiros afirmou que poderá haver maioria na convenção nacional do MDB caso o presidente convide o partido a indicar o vice-presidente na sua chapa de reeleição. Já o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pediu unidade do campo do centro e da direita em torno do senador Bolsonaro e disse que tenta convencer o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, a se tornar o "Posto Ipiranga" de Flávio, o que poderia aumentar a expectativa da Faria Lima quanto ao potencial de sua candidatura presidencial.

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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.