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Lula Miranda

Poeta, cronista e economista. Além de colunista do 247, publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa e Fazendo Média

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Geração de Março

Que as palavras do poeta Geraldo Maia sirvam como alerta para que as novas gerações não ousem flertar jamais com a intolerância e o arbítrio

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Numa singela homenagem e reverência a todos os "golpeados" pelo arbítrio de 1964, republico aqui poema antológico do poeta Geraldo Maia, uma das vozes que se "alevantou" contra a ditadura, em meio ao movimento da poesia marginal na Bahia.

Reproduzo ou "transcrio" abaixo, "de memória", este que é um de seus mais emblemáticos poemas. Portanto, posso ter sido "infiel" a algum verso ou palavra, mas, creio, a essência do texto e da mensagem restam preservados. Geraldo, velho companheiro de antigas e diversas batalhas, certamente há de me perdoar por eventuais erros e/ou omissões cometidos.

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Que as palavras do poeta sirvam como alerta para que as novas gerações não ousem flertar jamais com a intolerância e o arbítrio. E que tenham ao menos uma vaga noção de tudo que foi, literalmente, enfrentado naquela ocasião.

Para que conheçamos e apreendamos a nossa história.

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Para que possamos evitar erros cometidos no passado.

GERAÇÃO DE MARÇO

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Nós somos a geração de março.
Trazemos amarras nos passos
e fechaduras solitárias nos olhos.

Nós somos a geração de agora.
Não sabemos o dia em que estamos
à mercê de nossa demora.

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Somos a geração híbrida
(de laboratório).
Vivemos nos corredores
entre horários afiados
e o descanso das sepulturas.

Nós somos a geração estúpida.
Ficamos sempre em dívida
com a nossa dúvida.
E nada contestamos.

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Brindamos nas mesas dos bares
as boas notas tiradas nas aulas de covardia.

Somos a geração sem voz.
Sem olhos.
E sem história.

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Somos cordeiros dopados.
Somos o consenso do medo.
Somos o corte do grito.
Somos o som do arbítrio.
Somos a lousa fria do "NÃO!".
A gestação prolongada da exceção.

Somos sócios da indiferença.
Somos a chave da violência.
Somos as peças dos tecnocratas.
Somos as cordas e correntes da repressão.
Somos a partilha hereditária da corrupção.

Somos fabricados em série
nas escolas e universidades.
E vendidos no mercado
Ao preço da usura.

Somos, sim, funcionários da tortura.
Frutos do absurdo que são todas as ditaduras.

Nós somos uma geração de "inocentes" culpados.
E ainda seremos culpados
pela próxima geração.

Se consentirmos ser
enquanto trocam os termos
que a liberdade nunca ditou.

Se consentirmos estar
ao lado do corpo abatido
naturalmente
como "apenas" um corpo abatido.

Somos culpados.
Em máxima culpa.
Porque maximizamos as desculpas
e minimizamos o fazer!

Nós somos a geração castrada.
Comemos pão com cocada
"rotidoquecumustarda".
Fumamos a "palha da braba",
cheiramos o "pó das estradas"
nas reuniões marrr giiii naaaaiiiisssss...

Nós somos a raiz do mal
o radical doente,
mas...

Apesar de
em nós
essa loucura,
somos, de repente,
a cura!
A Cura!
A CURA!!!

 

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