Geraldo é a terceira via de uma eleição sob risco de não acontecer

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Geraldo Alckmin ao lado de Lula e Mercadante (Foto: Ricardo Stuckert)


Muito contestado por parte dos petistas, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aos poucos, vê a desconfiança se afastando à medida em que aumenta sua participação em atos públicos ao lado do ex-Presidente Lula.   

No evento Encontro com o Samba na última quarta-feira, na quadra da Unidos da Tijuca, que teve a cantora Teresa Cristina como mestre de cerimônia, vimos o casal Alckmin, Lu e Geraldo, muito à vontade em um ambiente diferente do que estão acostumados em São Paulo.  

Com estilo pacificador, Alckmin foi a aposta do PSDB em 2018 para contrapor os estilos ofensivos de Bolsonaro e Ciro Gomes. À época, Lula liderava as pesquisas da cadeia, mas Alckmin teve resultado pífio de 4,76% de votos no primeiro turno. Naquela eleição estava decretado o fim do PSDB na polarização com o PT, uma disputa que perdurou por seis eleições.   

Disputas internas no PSDB apequenaram o partido que, pela primeira vez, não vai concorrer à presidência com candidato próprio. Alckmin, que ajudou a erguer o partido em São Paulo, desfiliou-se em dezembro do ano passado, depois que João Dória, com quem mantinha constantes desavenças, venceu as prévias, vindo a desistir da candidatura posteriormente por não ‘decolar’ nas pesquisas de intenção de votos.  

Sem o PSDB na disputa, a elite financeira ficou sem candidato. A opção, ainda que uma aberração, é Bolsonaro em detrimento de Lula. A sonhada ‘terceira via’ virou lenda urbana com personagens como o ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, o apresentador Luciano Huck, o ex-juiz Sérgio Moro e, ao que parece, tem quem aposte numa decolada da senadora Simone Tebet quando a campanha tiver início na TV.  

O que muitos analistas ainda não perceberam é que a terceira, de forma improvável, foi se desenvolvendo fora do corpo de interesse da elite financeira e nasceu dentro da chapa da esquerda.   

Geraldo Alckmin, a terceira via, seria o nome da direita caso vencesse as prévias do PSDB, mas que por uma força estranha veio se abrigar no prestígio popular do PT. Tomara que não se torne para Lula a ‘samambaia’ traíra que Temer foi para Dilma.  

Na quinta-feira, ainda no Rio, Lula e Alckmin foram a evento de pré-campanha presidencial na Cinelândia com a presença de milhares de pessoas. Um pouco antes do evento começar, um artefato explodiu causando tumulto. O incidente aumentou o nível de preocupação com a segurança de Lula, que vai enfrentar a cultura do ódio incitada pelo presidente da república. 

Incitação que levou um bolsonarista a invadir a festa e atirar contra um militante petista durante comemoração de seus cinquenta anos, em Foz do Iguaçu. O guarda municipal Marcelo Arruda foi morto pelo agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho, que ficou ‘incomodado’ com a festa temática do PT.  

Ações de fanatismos como essas têm a ver com a voz de comando dada por Bolsonaro dias antes do assassinato: “vocês sabem o que fazer antes das eleições”.  

Analisando o contexto e prevendo uma conjuntura de guerra, a união entre o líder nas pesquisas Lula e a terceira via Alckmin é um aceno ao bom senso, uma reflexão para que a sociedade perceba que o inimigo comum é o fascismo.  

Como não será uma eleição normal, o candidato Ciro Gomes podia ter a grandeza de se retirar da disputa para evitar o segundo turno, que tem tudo para ficar marcado por mais e maiores episódios lamentáveis de violência.  

Porém, não se pode descartar a possibilidade de não haver eleição, caso Bolsonaro aproveite o acirramento do caos para decretar estado de emergência e tentar aplicar um golpe que o mantenha por mais tempo na presidência. Nossas armas são as ruas!

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