Gilmar Mendes, com sua toga-morcego, assoprou, mas logo-logo voltará a morder

Depois da fase Joaquim Barbosa e do espetacular endeusamento dado à sua justiceira cruzada anti-PT, Gilmar Mendes assume o trono de Carrasco-Mor do trabalhismo

Depois da fase Joaquim Barbosa e do espetacular endeusamento dado à sua justiceira cruzada anti-PT, Gilmar Mendes assume o trono de Carrasco-Mor do trabalhismo
Depois da fase Joaquim Barbosa e do espetacular endeusamento dado à sua justiceira cruzada anti-PT, Gilmar Mendes assume o trono de Carrasco-Mor do trabalhismo (Foto: Rubens José da Silva)
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A batalha do TSE foi vencida. E como sempre quando a vitória é de Dilma, "com ressalvas". Gilmar Mendes teve que engolir, sem não antes discursar por duas horas apontando suas ressalvas, algumas mais íntimas, como a espetada em Luiz Nassif e "blogs sujos".

Disse Gilmar: "blog financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe". Ministro, o senhor pode usar esse mesmo raciocínio para a Globo e demais.

E continua: "blog criado para atacar adversários e inimigos políticos!". Será que o ministro nunca viu a Veja ou um episódio do Jornal Nacional?

Embasado na velha máxima jurídica nacional de que 'todos são iguais perante a lei, porém uns são mais do que outros', o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes institucionalizou a diferença de tratamento entre PT e PSDB.

Em suas mãos, antes de qualquer análise dos autos, a sentença já está encaminhada. Sua declarada ojeriza ao PT e despudorada afinidade com os tucanos extrapolam todos os limites.

Nas operações Castelo de Areia e Satiagraha, que envolvem o alto clero do PSDB, ele fez mais do que vista grossa, jogou a toga em cima.

Mais recentemente, suspendeu investigação contra o procurador Rodrigo de Grandis, que "esqueceu" em uma gaveta por quase três anos pedido de ajuda da Suíça para investigar o trensalão tucano.

Sua vidência em detectar fantasmas comunistas e bolivarianos em todos os cantos revela que a obsessão contra o PT é apenas pretexto para instrumentalizar uma imposição ideológica. Como em 54 e 64, um governo de esquerda é inadmissível para os conservadores – e olha que Lula e Dilma estão longe das bandeiras históricas da esquerda e do próprio PT.

O tão propalado risco da "venezuelização" apontado por Gilmar Mendes e congêneres realmente procede. Não pelo bolivarianismo que tanto os apavora, mas pelo vale-tudo e insanidade que nossa oposição quer implantar tal qual em Caracas. Seria o reality-show dos sonhos da nossa TV.

Depois da fase Joaquim Barbosa e do espetacular endeusamento dado à sua justiceira cruzada anti-PT, Gilmar Mendes assume o trono de Carrasco-Mor do trabalhismo. Se não tem o apoio total dos seus pares togados, tem da mídia. É o político mais atuante sem nunca ter recebido um voto sequer.

Sobre a coincidência da distribuição do processo da análise das contas de campanha de Dilma e do PT caírem justamente em suas mãos, num "sorteio" em que a sorte também mostrou ter lado, diz que "foi absolutamente normal. Agora, algumas pessoas só gostam da distribuição quando ela cai com quem supostamente os favorece."

É a mais repugnante confissão do quão partidarizada pode ser a atuação de um juiz. Trabalhou arduamente, e de imediato, nas contas de campanha de Dilma.

Já a ação contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais, exigida por quase todos os brasileiros, e que ajudaria muito no combate à corrupção, encontra-se parado com o ministro desde abril deste ano, a despeito do entoado coro "devolve, Gilmar".

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