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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Gilmar Mendes daria uma péssima “mulher de César”

"Data vênia, o ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes, daria uma péssima 'mulher de César', aquela que, além de ser honesta, tinha que parecer honesta", escreve Alex Solnik; o jornalista lembra que o ministro "não tinha nada a fazer em Portugal, do que se conclui que a sua viagem não foi caso de carona e sim uma oportunidade para uma longa conversa a sós com seu companheiro de golpe", Michel Temer; "Não há lugar mais seguro e mais conveniente, longe de testemunhas e de grampos do que um avião presidencial", destaca Solnik; "Se quiser afastar a ideia de que seu julgamento do processo de impeachment será imparcial, Gilmar tem que agora pedir carona no avião de Lula", diz

"Data vênia, o ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes, daria uma péssima 'mulher de César', aquela que, além de ser honesta, tinha que parecer honesta", escreve Alex Solnik; o jornalista lembra que o ministro "não tinha nada a fazer em Portugal, do que se conclui que a sua viagem não foi caso de carona e sim uma oportunidade para uma longa conversa a sós com seu companheiro de golpe", Michel Temer; "Não há lugar mais seguro e mais conveniente, longe de testemunhas e de grampos do que um avião presidencial", destaca Solnik; "Se quiser afastar a ideia de que seu julgamento do processo de impeachment será imparcial, Gilmar tem que agora pedir carona no avião de Lula", diz (Foto: Alex Solnik)

Data vênia, o ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes, daria uma péssima "mulher de César", aquela que, além de ser honesta, tinha que parecer honesta.

Não há como engolir em seco o episódio em que viajou a Portugal no avião oficial da presidência, ao lado do golpista Michel Temer, que seguia para as homenagens fúnebres ao ex-primeiro ministro português Mario Soares, para as quais Gilmar não foi convidado.

Ele não tinha nada a fazer em Portugal, do que se conclui que a sua viagem não foi caso de carona e sim uma oportunidade para uma longa conversa a sós com seu companheiro de golpe.

Não há lugar mais seguro e mais conveniente, longe de testemunhas e de grampos do que um avião presidencial. Ou seja: ele acompanhou Temer com o único propósito de lhe informar o andamento do processo que pode resultar na cassação de seu mandato e, possivelmente, o orientou a esse respeito.

É claro que nem eu nem ninguém sabe o que eles conversaram exatamente, mas somente um idiota acreditaria na versão de que em dez horas de viagem eles não tocaram no assunto mais importante para Temer no momento.

Há de se levar em conta que Gilmar nunca teve postura isenta, que deveria ter como juiz, no episódio que resultou no impeachment de Dilma. A sua interferência no processo foi decisiva, já que foi quem, por meio de uma inédita, absurda e descabida liminar impediu que Dilma nomeasse Lula seu ministro-chefe da Casa Civil. Uma decisão sem precedentes na nossa história republicana.

E uma interferência que rasgou a constituição que ele, como ministro do STF, tinha que ser o primeiro a defender, pois ela determina que os poderes devem ser independentes e impede que um interfira no outro.

Se quiser afastar a ideia de que seu julgamento do processo de impeachment será imparcial, ele tem que pedir carona no avião de Lula numa das viagens pelo Brasil que ele fará este ano.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.