Globo descobre que Sérgio Moro é político

"Moro agiu como político ao desrespeitar o decoro e as normas básicas da magistratura (e das leis em geral) para caçar Lula", afirma o jornalista Moisés Mendes, após o jornal O Globo publicar matéria intitulada "Moro: um perfil cada vez mais político e menos institucional no Twitter"

(Foto: Marcelo Camargo - ABR)

O Globo teve de pesquisar os textos de Sergio Moro no Twitter para então concluir, com anos de atraso, que o ex-juiz se comporta como político e não como alguém que pode ter feito carreira como lavajatista para almejar uma vaga no Supremo.

É mais uma descoberta da grande imprensa à la Rubinho. A informação que o Globo estampa na capa está 10 voltas atrás do brasileiro medianamente informado. Não há novidade nenhuma na descoberta.

Moro foi político desde que assumiu o comando da Lava-Jato, como chefe de Deltan Dallagnol. E agiu como político ao desrespeitar o decoro e as normas básicas da magistratura (e das leis em geral) para caçar Lula.

É por isso que Moro é contra os juízes de garantias, porque não pode correr o risco de ver suas ideias ameaçadas por controles. Moro quer liberdade total para os atos arbitrários de um magistrado de primeira instância.

Como é ex-juiz, poderia se afastar desse debate e cuidar de questões práticas da segurança pública ou da campanha (que fim levou?) em defesa do cigarro nacional.

Mas não é o que ele quer. Moro não quer os incômodos do cargo de ministro da Justiça, quer ser líder do projeto de apropriação do Judiciário, não pela direita, mas pela extrema direita.

Por isso o Globo faz onda ao dar a entender que apresenta uma grande descoberta com sua pesquisa. O que o Globo deveria dizer abertamente é que o ex-juiz é candidato a alguma coisa em 2022.

Moro foi empurrado pelo próprio Bolsonaro a brigar por algo que nem ele sabe direito o que possa ser, porque ministro do Supremo ele não será mais. Moro foi jogado por Bolsonaro às feras da extrema direita.

Se crescer como nome forte à sucessão de Bolsonaro, pode ser absorvido pelo sistema, como também pode ser comido pela matilha. Hoje, circulando na mesma faixa de Bolsonaro e de Witzel, Moro sabe que está mais perto de ser comido. 

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