Golpe de Estado, ontem e hoje
Sessenta e dois anos após 1964, o risco de submissão aos interesses externos e de ruptura democrática volta a rondar o Brasil
Há 62 anos, o Brasil mergulhava num imenso pesadelo que durou 25 anos. Como sempre, com o patrocínio dos Estados Unidos da América, essa eterna fonte de golpes e de destruição, nosso país, que almejava voos mais autônomos e emancipadores, foi atacado e sucumbiu à tirania.
Empresários, políticos e militares brasileiros entreguistas, traidores da pátria, subservientes aos desígnios e à cobiça do grande irmão do norte participaram dessa aventura nefasta.
Pessoas foram proibidas de exercer seus ofícios, a vida pública foi transformada em um campo minado, pessoas foram executadas, torturadas e desapareceram (muitas até hoje) pelo aparelho repressivo do Estado.
Nos Estados Unidos, com a colaboração de militares franceses, foi desenvolvido um amplo e eficaz programa de doutrinação e de capacitação das forças de segurança das Américas (lembrar sempre da Escola das Américas), para que a vontade norte-americana fosse satisfeita. A doutrina de segurança nacional permeou toda essa tessitura. A máquina de terror e morte foi posta em atividade.
Para além dos danos irreparáveis de vidas e de sofrimento humanos, as riquezas do nosso país foram entregues de bandeja às corporações multinacionais americanas – sempre elas. A desigualdade e a pobreza da nossa gente aumentaram, a nossa economia foi subjugada, a dívida externa explodiu. Tudo em razão de um entreguismo indecente.
Hoje, quando lembramos o golpe militar de 1964, por ocasião do 62º aniversário da data de sua implementação, preocupa e causa dor ver que políticos associados a empresários inescrupulosos almejam repetir o que fizeram há 62 anos – entregar o nosso país de bandeja aos interesses norte-americanos. A ponto de um candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, em um evento nos Estados Unidos, de maneira descarada, ofertar as riquezas minerais do nosso país e, mais do que isto, ofertar a nossa soberania como se pudéssemos ser uma colônia dos Estados Unidos, repetindo o afã entreguista havido por ocasião do golpe de 1964.
Notem que, para além disso, o discurso de combate ao inimigo persiste, como podemos notar nas tentativas de equiparar organizações criminosas a organizações terroristas – a doutrina de segurança nacional permanece viva até os dias atuais.
Estamos em ano de eleição presidencial, tal qual ocorreu em 1964, e a ameaça de golpe de Estado existe. Flávio Bolsonaro capitaneia, ou pelo menos é o porta-voz deste movimento nefasto. Ele deve ser processado por crime de lesa-pátria. O partido político ao qual ele está filiado – o PL – deve ter o seu registro cassado. Há base legal para isso. Não podemos permitir que esses crimes ocorram impunemente.
Partidos políticos, entidades públicas ou privadas, autoridades públicas (leia-se o Ministério Público Federal) devem agir com urgência para que esses parasitas e algozes do nosso país sejam responsabilizados pelos absurdos que estão fazendo. Ainda há tempo para detê-los.
O golpe de Estado, talvez repaginado ou com uma harmonização facial para tentar dar uma aparência diversa, está em andamento.
Há muito perigo na esquina!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
