Governo brasileiro barra entrada de um notório criador de fake news
Decisão do governo Lula reafirma a soberania do Brasil ao barrar ideólogo da extrema-direita ligado à desinformação
O “sai pra lá” do governo brasileiro ao ideólogo de extrema-direita Darren Beattie, que pretendia um tête-à-tête com Jair Bolsonaro na Papudinha, constitui correta retaliação diplomática recomendada pelo Itamaraty e chancelada por Lula. O gesto reforça a postura inegociável do Brasil quanto à sua soberania, pouco importando se Donald Trump receberá o presidente brasileiro na Casa Branca com ares pouco amistosos ou se nem sequer o receberá. De todo modo, que garantia se tinha dos bons modos do imprevisível postulante a imperador do mundo perante o mandatário brasileiro?
Enquanto alguns tentam classificar a medida impeditiva contra Beattie como um gesto de hostilidade, torna-se oportuna uma melhor descrição da figura do rechaçado. A mídia não se preocupou em perfilá-lo com esmero. O sujeito é um perigo.
Além de palestrar em eventos supremacistas brancos — como um em 2016 promovido pelo H.L. Mencken Club, que motivou sua demissão do cargo de redator de discursos no primeiro governo Trump —, Beattie sempre martelou seu extremismo publicamente. Eufemisticamente, analistas referem-se a suas manifestações como “racialmente controversas”. Na verdade, são pérolas supremacistas.
Após deixar a Casa Branca — para onde voltou agora, no segundo governo Trump —, Darren Beattie fundou o site político de extrema-direita Revolver News, o qual ganhou holofotes ao publicar uma série de fake news sobre a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O Revolver, veículo de causar inveja à revista bolsonarista Oeste, disseminou a estapafúrdia teoria de que o FBI estaria por trás do ataque.
Fartamente desmentida, a mentira de Beattie, contudo, renovou seu prestígio perante a direita trumpista e valorizou-o junto às hordas extremistas, alçando-o à condição de mestre em criar narrativas.
Beattie fala a língua — quando não a define — de fóruns de extrema-direita como a Conservative Political Action Conference (CPAC), que tem edições internacionais, e o Danube Institute, think tank sediado em Budapeste, associado ao governo de Viktor Orbán. Esses ambientes funcionam como pontos de conexão entre políticos, influenciadores e estrategistas de vários países.
No Brasil, o principal interlocutor dessas redes é Eduardo Bolsonaro, hoje desfrutando do American way of life. Bananinha já participou de edições da CPAC, onde predominam as críticas ao “globalismo”, à imprensa em geral e a um tal de “marxismo cultural”. Darren Beattie atua no ecossistema político da direita trumpista que se encontra em fóruns internacionais a exemplo da CPAC e do Danube Institute, espaços de conexão entre políticos, ativistas e estrategistas de vários países que compõem a rede transnacional de extrema-direita.
O que esse sujeito para lá de sinistro ia querer com o golpista condenado Jair Bolsonaro? Faz bem o Brasil em barrá-lo na porta.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
