Governo em autocombustão

A jornalista Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia, aponta o desgaste do governo de Jair Bolsonaro em meio a ataques da própria base, como o do deputado Delegado Waldir, do vereador Carlos Bolsonaro e até do vice Hamilton Mourão; "Esse é o conjunto da obra da segunda-feira de uma semana em que, em tese, o governo deveria estar unido trabalhando por sua principal meta da semana, que é tirar a PEC da Previdência, que já tramita há dois meses, da CCJ da Câmara. Pode ser até que consiga, depois de ceder e tirar pontos do texto. Nesse clima de tiroteio interno, porém, corre o risco de não conseguir mais nada"

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Por Helena Chagas, no Divergentes e para o Jornalistas pela Democracia

O que é o delegado Waldir? Tecnicamente, é o líder da supostamente poderosa bancada do PSL, partido do presidente, na Câmara. Ou seja, uma espécie de líder do governo, no mínimo um homem de confiança do Planalto. Amanheceu hoje dando entrevistas no rádio para repetir o que já havia dito aos jornais: o governo (ao qual em tese pertence) não tem base no Congresso, "o PSL tem feito sua parte mas não tem culpa se o Onyx (Lorenzoni) não criou a base". Nem um líder de oposição faria melhor.

O que é Carlos Bolsonaro? No fim de semana, postou no YouTube do pai vídeo com falas de Olavo de Carvalho desancando mais uma vez os militares em tom jocoso, referindo-se a cabelos pintados e vozes empostadas. O filho 02 deve ter levado um raro puxão de orelhas, pois retirou o vídeo e, no domingo, iniciaria nova fase, "longe de todos que de perto nada fazem e não ser para si mesmos", concluindo: "Quem sou eu nesse monte de gente estrelada?".

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O que é Olavo de Carvalho jamais saberemos ao certo, mas o que é o ministro chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, começamos a saber. Parece um sujeito sensato, sobretudo se comparado ao restante do governo, naquela linha de que "em terra de cego, quem tem olho é rei".

Só que até o general equilibrado também perde a paciência. Também amanheceu nesta segunda mandando recados – e com sua razão. Em entrevista ao Globo em que aparentemente o tema principal é a ameaça de greve dos caminhoneiros, lançou críticas ao "fanatismo" da ala ideológica do governo, a olavista, sem mencionar nomes. "Quando você fanatiza, perde qualquer capacidade de análise", disse, concluindo que "você tem os fanáticos que acham que podem influir de maneira radical, e aí atrapalham tudo".

Esse é o conjunto da obra da segunda-feira de uma semana em que, em tese, o governo deveria estar unido trabalhando por sua principal meta da semana, que é tirar a PEC da Previdência, que já tramita há dois meses, da CCJ da Câmara. Pode ser até que consiga, depois de ceder e tirar pontos do texto. Nesse clima de tiroteio interno, porém, corre o risco de não conseguir mais nada.

Quando descobrirmos o que é esse governo, talvez tenha sobrado pouco dele.

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