Greve geral na França

O movimento, lançado por uma frente ampla de sindicatos (CGT, FO, FSU et Solidaires, CFE-CGC, CFTC et CFDT), quer-se histórico. A malha ferroviária da França, por exemplo, dominada pela SNCF (“Sociedade Geral das Estradas de Ferro Francesas” – tradução livre), sofrerá sérias repercussões. O tráfego, pois, será seriamente perturbado pela greve.

(Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters)

A mobilização solidária das forças de oposição ao governo Macron, que denuncia a manutenção das desigualdades no seio da maioria da população francesa, externa-se em uma greve intersetorial, neste dia 5 de dezembro, contra a reforma da previdência, tendo como pano de fundo a rejeição da política Macroniana (ou Draconiana se preferirem), visando, nessa monta, a convergência das angústia e raiva da classe trabalhadora.

O movimento, lançado por uma frente ampla de sindicatos (CGT, FO, FSU et Solidaires, CFE-CGC, CFTC et CFDT), quer-se histórico. A malha ferroviária da França, por exemplo, dominada pela SNCF (“Sociedade Geral das Estradas de Ferro Francesas” – tradução livre), sofrerá sérias repercussões. O tráfego, pois, será seriamente perturbado pela greve. 

 Professores, estudantes, condutores de trem, advogados, policiais e trabalhadores em geral estão mobilizados ao lado dos sindicatos organizadores da greve, dos coletes amarelos e dos partidos de oposição. Fala-se em quinta negra (“jeudi noir”), remetendo este episódio à greve geral de 1995 – mobilização de grande amplitude reivindicatória.  

Na sede da SNCF, estima-se que a paralisação durará até o dia 12 de dezembro, data em que o Primeiro Ministro, Eduard Phillippe, poderá precisar o projeto de reforma que, muito provavelmente, começará a ser tratado, no Parlamento, no início de 2020.

 Em Lyon, de onde vos falo, em várias ruas os manifestantes foram “contemplados” com a gaseificação oferecida de brinde pela polícia autoritária de Emanuel Macron. Como de praxe, houve confronto, bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e, quiçá, o uso de LBD (a bala de borracha da tropa de choque francesa).  

Jean-Luc Mélenchon, líder do movimento França Insubmissa, disse estar muito feliz pelo nível de mobilização da greve. “A CGT me comunicou que ela conseguiu captar um nível de mobilização jamais visto nos últimos 20, 30 anos. O que significa que isso é algo realmente muito forte, denotando a capacidade de manifestar do povo, visando a defender sua maneira de viver, porque é isso o centro da questão: não é só uma questão ligada à previdência, é uma forma de viver.” 

Por esse prisma, percebe-se na contestação da massa trabalhadora francesa o reflexo dos tempos precários em que todos estamos mergulhados, sofrendo com incertezas e abusos vindos dos superiores hierárquicos, sendo engolidos pelo estilo faroeste do patronato, muitas vezes legitimado por governos Draconianos – como é o caso do mandato do “Presidente dos Ricos” na França. O foço entre a minoria rica e a grande massa dos trabalhadores, cada vez mais com menos direitos e garantias, com menos contratos assinados e mais exploração de sua força de trabalho, evidencia as injustiças do neoliberalismo que se alastra como uma doença nas células das sociedades mundo afora. A França, nesse diapasão, volta a se movimentar contra as mazelas impostas “no braço” pelos governos neoliberais burgueses e protofascistas. Junta-se, nestes tempos obscuros de final de década, aos trabalhadores colombianos, à população chilena e aos índios bolivianos e equatorianos na luta por um mundo mais justo e humano, uma ideia de civilização e assistência aos menos favorecidos. O povo quer menos desigualdade e mais oportunidade. 

Enquanto se lê sobre a greve, enquanto se sente o cheiro de gás nas ruas de Lyon e se escuta a voz do povo através dos carros de som dos sindicatos, ao mesmo tempo em que a população vai às ruas na maioria das grandes cidades ao redor do país-hexágono, uma pergunta que não me sai da cabeça: onde está o povo brasileiro?   

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