Guajajaras, Tamoios, Tapuias, Tupinambás e Aimorés, todos no chão

O assassinato de mais dois índios recentemente, desta vez Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara, chegou até a ativista ambiental sueca Greta Thunberg. A garota de 16 anos fez com que o presidente Jair Bolsonaro vestisse a carapuça ao se ofender com sua denúncia e chamá-la de pirralha. Não prestou para Bolsonaro, pois a garota agora se autonomeia nas redes sociais como Pirralha.

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O assassinato de mais dois índios recentemente,  desta vez Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara, chegou até a ativista ambiental sueca Greta Thunberg. A garota de 16 anos fez com que o presidente Jair Bolsonaro vestisse a carapuça ao se ofender com sua denúncia e chamá-la de pirralha. Não prestou para Bolsonaro, pois a garota agora se autonomeia nas redes sociais como Pirralha.

A palavra Guajajara reavivou minha memória, pois lembrei-me da música, espécie de réquiem, “Ruas da Cidade”, de Lô Borges e de seu irmão Márcio, gravada no disco duplo de Milton Nascimento de 1978, “Clube da Esquina 2”.

A letra (leia abaixo) lembra que os índios foram trucidados para se transformarem em nomes de ruas.

Se quebram placas com o nome da líder política assassinada,  Marielle Franco, como se com isso levasse o povo a esquecer o bárbaro crime, não está longe o dia em que esconderão todos os nomes de praças, ruas e avenidas que levam o nome de tribos indígenas, que extinguiram na base do chumbo e da baioneta.

As terras, sempre as terras, são os motivos para matarem os índios. Terras para para o agronegócio e para exploração mineral levam ao genocídio indígena

Aqui, se assassinatos de pobres  nas favelas tão próximas não sensibilizam, imaginem os índios mortos nas matas por grileiros, posseiros, latifundiários.

Pois é, em 1978, há quarenta e um anos, Lô Borges e Márcio Borges já escreviam sobre isso e hoje, lá na Suécia a voz de uma garota de 16 anos incomoda aquele que faz vistas grossas, incentivando os assassinatos.  Já é alguma coisa, mas enquanto isso:  “a cidade plantou no coração / Tantos nomes de quem morreu / Horizonte perdido no meio da selva / Cresceu o arraial…

Rua da Cidade

Lô e Márcio borges

Guiacurus Caetés Goitacazes
Tupinambás Aimorés
Todos no chãoGuajajaras Tamoios Tapuias
Todos Timbiras Tupis
Todos no chãoA parede das ruas
Não devolveu
Os abismos que se rolouHorizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraialPassa bonde passa boiada
Passa trator, avião
Ruas e reisGuajajaras Tamoios Tapuias
Tupinambás Aimorés
Todos no chãoA cidade plantou no coração
Tantos nomes de quem morreu
Horizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraial

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