Guarulhos: uma grande cidade em tamanho e desafios

Apesar dos problemas, Guarulhos tem vocação e motivos para crescer, se desenvolver de forma sustentável e distribuir renda para sua população

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Neste domingo (08), a segunda maior cidade do maior e mais rico estado brasileiro completou 459 anos. 

Guarulhos, na Grande São Paulo, é uma das mega cidades brasileiras: mais de 1,22 milhão de habitantes, a 13º população do país e a maior população em uma não capital.

Um hub logístico e de serviços, seja pela proximidade da cidade de São Paulo (a maior da América do Sul), seja pela presença de três das mais importantes rodovias brasileiras (Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna), seja pela presença do Aeroporto Internacional, responsável pelo embarque e desembarque de incríveis 43 milhões de pessoas em 2018. 

Apesar dos números e da imponência das possibilidades econômicas e de desenvolvimento social, nos últimos três anos, a cidade viu o crescimento e a distribuição de renda sofrerem uma grave inflexão de histórica. 

Uma cidade com inúmeras potenciais

Por tempos, Guarulhos foi esquecida pelos governos federal e estadual. A falta de água era um pesadelo na vida das pessoas, a educação infantil pública praticamente não existia e havia uma grave crise fiscal depois de sucessivos governos irresponsáveis com as contas públicas, o que gerou um nível de descrédito e falta de esperança na maior parte dos moradores. 

No entanto, a partir da década passada e na primeira metade da atual década, experimentou um nível de desenvolvimento importante com a chegada de investimentos federais, como o campus da Universidade e do Instituto Federal de São Paulo, e com ações efetivas da prefeitura como a construção de uma rede escolar municipal própria e de um sistema de saúde com capacidade real de expansão e diminuição da dependência de cidades como a capital ou mesmo Mogi das Cruzes, onde parte da população era atendida.

Experimentou, também, investimentos em cultura, lazer, mobilidade urbana, esporte e educação ambiental, bem como teve seu plano de desenvolvimento econômico e de geração de empregos, com resultados positivos como o aumento da expectativa de vida e do IDH. 

No plano metropolitano, a cidade acompanhou sua inserção em grandes projetos como o Rodoanel, canalização de rios e controle de enchentes, corredores de ônibus com ligação ao ABC, à Zona Norte da capital e às cidades do Alto Tietê, expansões das linhas do Metrô de São Paulo até regiões centrais de Guarulhos e a construção de uma linha da CPTM ligando a zona leste da capital ao aeroporto e a bairros populosos, bem como o incremento da rede hoteleira e a construção do Terminal 3 do aeroporto, importante para a expansão da rede aérea brasileira. 

Crise ou esquecimento? 

De 2015 para cá, no entanto, boa parte desses projetos ficaram no esquecimento ou mesmo foram abandonados. 

O metrô não chegou. 

A CPTM chegou em 2017 mas só até o aeroporto, sem atender a população da cidade e sem a integração tarifária com a rede municipal de transporte público. 

As obras hídricas e pluviais pararam e os corredores de ônibus ficaram inacabados. 

Ainda, as mudanças nos governos federal e estadual, aliadas à falta de perspicácia política e à inexperiência do atual prefeito e parte significativa de seus secretários, colocou a cidade em uma crise brutal e dramática. 

A ampliação no abastecimento público de água parou e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) foi literalmente abandonado pelo município e transferido pra Sabesp, que passa por um processo gradual e silencioso de privatização. 

Ao mesmo tempo, a melhoria na qualidade de vida estagnou ou retrocedeu: quase 1/5 da população ainda não possui conexão adequada de água potável e a maior parte não tem seu esgoto tratado, sem falar que a cidade é constantemente penalizada pelo Governo do Estado à falta de água e a rodízios de abastecimento. 

As vias públicas estão abandonadas e 36% das ruas ainda não têm urbanização mínima adequado. 

Também, a saúde de Guarulhos perdeu seu ritmo de melhoria e hoje é o destaque mais negativo do governo municipal. 

Na educação, ao invés de evoluir, as crianças perdem capacidade competitiva. Ao entrar na rede municipal, as crianças apresentam um IDEB 6,3 (séries iniciais) e, ao deixar a escola, 4,7 (séries finais). 

Apesar da riqueza e de seu tamanho, Guarulhos ainda é uma cidade relativamente pobre, com PIB per capita sendo apenas o 524º do país e o 125º paulista. 

No entanto, o mais grave dado a respeito de Guarulhos é o desemprego: enquanto a taxa nacional beira os já altos 12%, a de Guarulhos encosta nos 20%, segundo números do DIEESE. 

A população, em especial os jovens, sofrem de forma sistemática com a incapacidade das gestões federal, estadual e municipal, ideologicamente e politicamente muito alinhadas, em olhar para a cidade. 

Para onde caminhar?

Apesar dos problemas, Guarulhos tem vocação e motivos para crescer, se desenvolver de forma sustentável e distribuir renda para sua população. 

Com um povo historicamente trabalhador e com muitos jovens (bônus populacional), a cidade tem a capacidade de avançar em diversas áreas e gerar empregos públicos e privados através do crescimento industrial, dos setores logístico, tecnológico, de infraestrutura e educacional e de políticas voltadas à economia nos bairros. 

Tudo isso passa por um alinhamento do tripé planejamento, compromisso social e gestão pública inovadora e adequado às verdadeiras necessidades da cidade. 

Capacidade tem. Agora, é sempre, e acima de tudo, uma decisão política.  

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