Guerra, que nojo!
Já no morticínio contra Gaza, em 2024, o militar T. de Freitas e o pecuarista Caiado foram visitar Netanyahu
Em sobrevoo o drone assassino ainda busca imagens no cenário devastado do centro de Beirute, o repórter não consegue se conter sentindo o cheiro da carne humana fritando. Em meio aos escombros despencando ruidosamente, o ar embaçado, tépido e fumarento do óleo das explosões e o cheiro da morte exalando à carne dos habitantes civis, velhos, crianças, os quais já não mais se acham vivos. Nessa fala nervosa do repórter de guerra, o desgosto e nojo que sentimos. Isso é contra a humanidade. Crime de guerra.
Dá-nos também asco argumentos fingidos que querem nos entuchar pela goela como “incidentes”, “erro”, “defesa antecipada”. Quer que engulamos isso! É de vomitar, inclusive as lideranças mornas, que nada fazem contra e ainda batem palmas ao Trump e a Netanyahu. Diz o repórter “perdão até por estar falando isso” e expõe o que ocorre em pleno Sol para o Canal hegemônico global. As manchetes são repetidas em outros canais de tevê. Se deu nela, virou notícia – nem sempre.
Os primeiros a denunciarem a hecatombe foram os canais e podcasts de esquerda, rendendo processos contra profissionais, inclusive a Brenno Altman e a outros. Estes canais com pouco ou nenhum investimento ou patrocínios têm sido os mais realistas e isentos. A interação e comentários nestes são maiores e reais. Trazem entrevistas com líderes populares do mundo todo, economistas, representantes de movimentos quer políticos ou das minorias. Mostram o mundo em toda a sua complexidade e transpõem a pauta preparada na redação dos jornalões ou tevês.
No foco do primeiro parágrafo, parece-me que o repórter viu o Apocalipse diante de si, como o quarto cavaleiro da profecia de São João. Inobstante, já no morticínio contra Gaza, em 2024, o militar T. de Freitas e o pecuarista Caiado foram visitar Netanyahu. Lá, atacaram Luís Inácio. Os tais nem olharam pela janelinha do avião, pois veriam o que se comprova atualmente, a destruição de Gaza e da qual nada disseram nem dirão. Enquanto isso, Lula sensibilizou-se pelas mortes e foi o primeiro líder laico a se manifestar contra a barbárie que se iniciou.
Nesta segunda-feira recente, Trump postou uma I.A. dele como Cristo. Trump, de modo algum! Põe-se no lugar de quem não é. As frequentes e vãs falas trumpistas não se sustentam. Volta-se agora contra o papa Leão XIV, o qual não se curva às armas do “imperador americano” e pede orações pela paz. O pontífice rebateu como “inaceitável” a destruição e a guerra contra o Irã e a civilização persa. Trump prometera aos iranianos destruição para retrocederem à Idade da Pedra – anote-se, o Irã é o berço dos tijolos de adobe. Israel, arrogando-se a direitos religiosos com base no Sionismo, prossegue tenebrosamente, quer contra refugiados em Gaza, empurrando-os de lado a outro da pequena faixa e reduto, ou quer se voltando contra os libaneses, por terras e sangue.
Afinal, esses novos colonizadores vão nos perseguir como fizeram com os primeiros cristãos e nativos das américas? Enfim, essa guerra, não se enganem, não é contra os palestinos, libaneses, árabes, persas, cubanos, africanos ou venezuelanos. Essa sanha toda é contra você é contra mim, pois é contra toda a humanidade viva.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
