Há um ano, Habib's pedia “justiça para todos”

Em março de 2016, a rede de lanchonetes Habib's decidiu protestar. A ideia era engrossar o "coro de milhões de brasileiros e sair às ruas pedindo um Brasil mais honesto e mais justo". Ironicamente, um ano depois dos protestos que culminaram com o impeachment e o início do governo Temer, a rede se vê envolta num escândalo: o assassinato do garoto João Vitor, de 13 anos

Em março de 2016, a rede de lanchonetes Habib's decidiu protestar. A ideia era engrossar o "coro de milhões de brasileiros e sair às ruas pedindo um Brasil mais honesto e mais justo". Nas palavras da própria empresa, lutar por justiça era um dos objetivos. "Na crença de um país melhor e com justiça para todos, vai apoiar as manifestações, vestindo suas lojas de verde e amarelo e distribuindo cartazes e bottons para os que queiram se manifestar e estejam com fome de mudança", afirmava a rede de fast food.

Ironicamente, um ano depois dos protestos que culminaram com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e o início do governo Temer, a rede se vê envolta num escândalo: o assassinato do garoto João Vitor, de 13 anos.

Segundo relatos, a criança tinha o costume de pedir comida e dinheiro aos clientes de uma unidade do restaurante localizada na zona norte de São Paulo. Funcionários estariam irritados com a presença do garoto. Testemunhas relatam que ele foi agredido por seguranças e morreu no local, pouco tempo depois. De acordo com a família, o menino já tinha sido ameaçado por seguranças do estabelecimento. A polícia abriu um inquérito para investigar a morte do adolescente.

Será que a "justiça para todos" que a rede de fast food pedia durante as manifestações de março de 2016 servirá para eles também? Ao que consta, numa atitude atroz, um soco desferido por um dos seguranças tirou a vida de uma criança de apenas 13 anos. Irritando os presentes ou não, incomodando as pessoas ou não, nada justifica assassinar uma vida que estava apenas começando. Nada.

Será que o verde e amarelo que cobriu as lanchonetes naquele março de 2016 irá substituir o preto lúgubre que agora infesta a mente dos ex-consumidores da lanchonete? Será difícil apagar da mente dos clientes a imagem do corpo frágil e seminu do garoto João Vitor sendo arrastado por dois funcionários do Habib's. Seria a hora de manifestar a fome de mudança olhando para o próprio umbigo? Ou será que a rede irá fazer vista grossa?

Uma marca que se posicionou há um ano contra a injustiça e a favor dos brasileiros não pode ficar inerte aos acontecimentos envolvendo o caso João Vitor. O fato de as primeiras versões dos funcionários da rede tentarem criminalizar a atitude do garoto já demonstra um posicionamento equivocado.

O Habib’s precisa punir e ajudar a polícia a encontrar os responsáveis pelo que aconteceu. Além disso, é preciso se posicionar a favor da família do garoto. Não há qualquer justificativa para a preguiça da rede no momento atual. Ou eles são contra o assassinato de um garoto de 13 anos ou são a favor. Simples assim, não há meio termo nessa questão.

Habib’s, a justiça é para todos?

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