Hackers que elegeram Trump difamando Hillary podem estar difamando Haddad a serviço de Bolsonaro

"Essa onda fascista de difamações e insultos contra Haddad denunciada por ele nos últimos dias, da qual não se conhece a exata dimensão e que certamente tem uma enorme influência sobre os votos que serão recebidos pelas urnas eletrônicas amanhã não é coisa de amadores", diz o colunista do 247 Alex Solnik; para ele trata-se de ações muito similares àquelas que elegeram Trump nos EUA

Hackers que elegeram Trump difamando Hillary podem estar difamando Haddad a serviço de Bolsonaro
Hackers que elegeram Trump difamando Hillary podem estar difamando Haddad a serviço de Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Essa onda fascista de difamações e insultos contra Haddad denunciada por ele nos últimos dias, da qual não se conhece a exata dimensão e que certamente tem uma enorme influência sobre os votos que serão recebidos pelas urnas eletrônicas amanhã não é coisa de amadores e tem a ver com um documentário exibido ontem pelo canal Curta.

   Em “Driblando a democracia: como Trump venceu”, o francês Thomas Huchon narra como uma empresa inglesa especializada em influenciar pessoas por meios eletrônicos, com base em algoritmos, chamada Cambridge Analytics elegeu o outsider Donald Trump. Não que ela fosse contratada por Trump; ela escolheu Trump para eleger o tipo de presidente reacionário que pretendia eleger.

   A empresa, comandada nos Estados Unidos pelo bilionário ultraliberal Robert Mercer e por seu assecla de ideias francamente reacionárias, que virou assessor de Trump, o ultradireitista Steve Bannon, conseguiu disseminar mensagens mentirosas e difamatórias acerca da sua adversária, Hillary Clinton entre eleitores indecisos de estados que tradicionalmente votavam no Partido Democrata que ela conseguiu detectar por meio de hackers.

   E graças a esse esquema sujo, orientado por psicólogos, por meio do qual descobrem que tipo de mensagem provoca maior impacto no eleitor pouco convicto que deseja influenciar, e a enviam através de hackers para a pessoa certa na hora certa, Trump venceu por poucos votos diretos nesses estados que detêm muitos votos no colégio eleitoral. E desse modo superou Hillary, que teve mais votos diretos, mas menos votos no colégio eleitoral.

   Não há como não ver semelhanças desse esquema criminoso com a ascensão de Bolsonaro. Um deputado do baixo clero radicalmente reacionário que nunca teve destaque nacional em apenas três anos se torna o político mais popular do país depois de Lula. E que é adotado pelo Instituto Millenium tal como Trump foi adotado por Mercer e Bannon. E seu grande modelo é Trump. E que joga sujo como Trump. De extrema-direita como Trump. Impossível não imaginar que empregue as mesmas estratégias do ídolo.

   “Ah, ele é muito ativo nas redes sociais” é o que se diz por aqui. Mas o que significa ser ativo? O que ele faz é espalhar mentiras e calúnias a torto e a direito feito uma metralhadora giratória a respeito de símbolos e políticos ou artistas de esquerda, tal como a Cambridge Analytics fez nos Estados Unidos antes de ser desmascarada.

   Só falta saber se ele também dispõe do mesmo sistema sofisticado de hackers dos ingleses que possibilitou a vitória suja de Trump. Talvez o seu Posto Ipiranga saiba a resposta.

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