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Heraldo Campos

Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (UNESP), mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e doutor em Ciências (1993) pela USP. Pós-doutor (2000) pela Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP)

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Haiti, indígenas e águas

Haiti, povos indígenas e mudanças nas águas da Amazônia expõem os impactos históricos da colonização e da crise ambiental brasileira

Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Foto: Fundação Nacional dos Povos Indígenas)
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“A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível. Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas das escolhas feitas em diferentes períodos da história.” [1]

O “(...) Haiti, vencedor na sua independência política dos franceses e que recentemente sua seleção nacional de futebol jogou contra o Brasil, nessa Copa de 2026, (…)” [2] era habitado, originalmente, pelos indígenas taínos e depois, a partir do final do século XV, pelos europeus (espanhóis e franceses), com os negros africanos sendo escravizados, nos séculos seguintes, para trabalharem nas plantações de cana-de-açúcar.

“Em 1789 estourou a Revolução Francesa, que, na sua primeira fase, dominada pela grande burguesia e nobreza liberal, não aboliu a escravidão nas colônias.

A revolução iniciou-se no outono de 1791. Os negros escravos rebelaram-se. Os canaviais foram incendiados e os exércitos franceses foram sendo expulsos. (…).” [3] O Haiti tornou-se a primeira nação negra independente do mundo.

“Ao tempo da independência (1791), o Haiti contava com uma população escrava de meio milhão, talvez com mais 10% de mulatos livres, os affranchis, que desfrutavam de uma posição social privilegiada como intermediários do domínio da camada ínfima de brancos. Era a mais rica das colônias francesas e, provavelmente, naqueles anos, uma das mais rendosas possessões europeias do mundo. A revolta latente contra a opressão colonial, ganhando expressão com a linguagem libertária dos líderes da Revolução Francesa, unificou a todos os haitianos num irresistível movimento emancipador, permitindo-lhes alcançar a independência antes de qualquer outra nação latino-americana”. [4]

“Pelo mundo afora, uma importante referência que se faz à Amazônia é sua enorme floresta e, além disso, aos indígenas que ali habitam. De fato, o bioma reúne a maior parte dessa população no Brasil, são cerca de 440 mil indígenas. São mais de 180 povos indígenas, além de vários grupos isolados (…).” [5] Estudos recentes nessa vasta região apontam que o aumento “(...) do fluxo das águas nas planícies de inundação da bacia do Amazonas nos últimos 20 anos pode ampliar erosão e pressionar comunidades ribeirinhas.” [6] Lembra-se, ainda, que essa região vem sendo fragilizada, há tempos, com o desmatamento, o garimpo ilegal e as pastagens para o gado.

Para finalizar, aqui ficam duas perguntas: onde vamos parar? A “humanidade” tem salvação?

“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.” — Mahatma Gandhi.

Fontes

[1] “Ideias para adiar o fim do mundo”. Livro de Ailton Krenak. 2ª edição. São Paulo. Companhia das Letras. 2020. 102 páginas.

[2] “Haiti, vencedor”. Artigo de Heraldo Campos, de 22/06/2026. https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2026/06/haiti-vencedor.html

[3] “História da América”. Livro de Florival Cáceres. São Paulo. Editora Moderna. 1980.

[4] “Estudos de antropologia da civilização: as Américas e a civilização, processo de formação e causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos”. Livro de Darcy Ribeiro. Petrópolis. 4ª edição. Editora Vozes. 1983. 584 páginas.

[5] “Os povos da floresta”. Site do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). https://ispn.org.br/biomas/amazonia/os-povos-da-floresta/

[6] “Rios mais largos”. Artigo de Igor Zolnerkevic. Revista Pesquisa FAPESP nº 363. Junho de 2026. Ano 27.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.