Herman chama os 3 mosqueteiros de Temer de “coveiros de provas vivas”

O relator Herman Benjamin é o primeiro a saber que vai sair derrotado no julgamento da chapa Dilma-Temer. A frase em que Herman previu sua derrota foi a última de seu extenso voto que proferiu essa manhã, na qual também aproveitou para cutucar os três mosqueteiros de Temer: 'Eu, como juiz, recuso o papel de coveiro de provas vivas. Posso até participar do velório, mas não vou carregar o caixão'", relata o colunista do 247 Alex Solnik; "Gilmar já tinha mandado a modéstia às favas. Agora, ele e seus parceiros vão mandar as provas às favas"

O relator Herman Benjamin é o primeiro a saber que vai sair derrotado no julgamento da chapa Dilma-Temer. A frase em que Herman previu sua derrota foi a última de seu extenso voto que proferiu essa manhã, na qual também aproveitou para cutucar os três mosqueteiros de Temer: 'Eu, como juiz, recuso o papel de coveiro de provas vivas. Posso até participar do velório, mas não vou carregar o caixão'", relata o colunista do 247 Alex Solnik; "Gilmar já tinha mandado a modéstia às favas. Agora, ele e seus parceiros vão mandar as provas às favas"
O relator Herman Benjamin é o primeiro a saber que vai sair derrotado no julgamento da chapa Dilma-Temer. A frase em que Herman previu sua derrota foi a última de seu extenso voto que proferiu essa manhã, na qual também aproveitou para cutucar os três mosqueteiros de Temer: 'Eu, como juiz, recuso o papel de coveiro de provas vivas. Posso até participar do velório, mas não vou carregar o caixão'", relata o colunista do 247 Alex Solnik; "Gilmar já tinha mandado a modéstia às favas. Agora, ele e seus parceiros vão mandar as provas às favas" (Foto: Alex Solnik)

   O relator Herman Benjamin é o primeiro a saber que vai sair derrotado no julgamento da chapa Dilma-Temer. Ele pediu a cassação, fundamentada em provas evidentes de ao menos sete ilícitos, mas tem o sentimento, como todos aqueles que assistiram desde a primeira sessão que seu voto será acompanhado por apenas dois pares – Luiz Fux e Rosa Weber -, a absolvição terá três votos também – Admar Gonzaga, Tarcisio Neto e Napoleão Maia – e o presidente Gilmar Mendes vai desempatar pela absolvição, o que já declarou várias vezes que faria.

   A frase em que Herman previu sua derrota foi a última de seu extenso voto que proferiu essa manhã, na qual também aproveitou para cutucar os três mosqueteiros de Temer:

   “Eu, como juiz, recuso o papel de coveiro de provas vivas. Posso até participar do velório, mas não vou carregar o caixão”.

   As provas vivas a que ele se refere são os depoimentos de Marcelo Odebrecht, de João Santana e de Mônica Moura que Agmar, Napoleão e Tarcísio  já avisaram que vão ignorar, em bloco, alegando que foram extemporâneos ao processo e que a petição inicial diz respeito apenas à Petrobrás e não à Odebrecht.

   Embora não seja verdade que a petição inicial ignore a Odebrecht, e nem poderia, e que seja verdade que os depoimentos de Odebrecht e dos marqueteiros são decisivos e irrefutáveis como provas testemunhais de que a campanha de 2014 da chapa vencedora utilizou recursos econômicos ilícitos, foram prestados sob compromisso de dizer a verdade, Herman profetizou que os coveiros das provas, ou seja, os mosqueteiros de Temer vão levar a melhor.

   Dois deles, Agmar e Napoleão já declararam no curso do julgamento que não se pode acusar o cabeça de chapa (ou seu vice) por ilícitos praticados dentro da campanha eleitoral, como o uso de dinheiro de propina.

   Napoleão citou o exemplo de uma cidadezinha do Nordeste, onde tem familiares na política, para aegumentar que os candidatos nunca sabem de onde vêm as contribuições; Agmar alegou, em defesa de Temer, que não costuma controlar sua conta bancária.

   Ninguém poderá acusar Benjamin de parcialidade, intolerância, autoritarismo ou de viés ideológico. Ao contrário. Sua participação no julgamento, transmitida ao vivo pela TV fechada, revelou um perfil diametralmente oposto, por exemplo, ao de Sérgio Moro.

   A começar do fato de que Benjamin sorri, tem um humor refinado e não tem ódio nem de partidos políticos nem de um partido em especial.

   Ele não apenas relatou os ilícitos que justificam seu voto pela cassação da chapa, com detalhes que não deram margem a dúvidas, a respeito da origem e da finalidade dos recursos espúrios, como fez observações muito pertinentes.

   Informou, por exemplo, que é impossível distinguir contribuições de caixa 1 de contribuições de caixa 2, porque as empresas corruptoras misturam caixa 1 e caixa 2 e tudo vira caixa 2, pois “o ilícito contamina o lícito, e o legal não purifica o ilegal”.

   Herman afirmou também que os ilícitos identificados na investigação da coligação PT-PMDB não são exclusivos desses partidos (ele não excluiu nem PSDB, que denunciou a chapa em julgamento ) e – uma coisa muito importante – disse com todas as letras que os malfeitos foram praticados por algumas pessoas dos respectivos partidos e não pela maioria do partido, representada pela militância, por isso o partido não pode ser condenado como um todo.

   O bravo, culto e inteligente relator tentou, se esforçou, fez de tudo ao seu alcance.

  Não conseguiu evitar o assassinato das provas.

  Gilmar já tinha mandado a modéstia às favas. Agora, ele e seus parceiros vão mandar as provas às favas.

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