História para Lula: última chamada

"Ciro já demonstrou que é o candidato mais forte do campo, não só sem apoio nenhum de Lula mas sofrendo a traição e o cerceamento completo de suas alianças. Ciro sem Lula está hoje em segundo lugar", diz o colunista Gustavo Castañon; e manda um recado a Lula: "Salve sua biografia. Apoie Ciro como Brizola o apoiou um dia. Seja grande como foi Brizola", afirma; "A história o chama, pela última vez. Dia 11 você decidirá como entrará nela"

História para Lula: última chamada
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O cenário projetado por Lula e pelos velhos analistas de uma estrutura política que se desmancha dia após dia diante de nossos olhos, desabou.

Se nada apontava antes da facada para o derretimento de Bolsonaro e o avanço de Alckmin, agora esses movimentos parecem uma impossibilidade.

Bolsonaro está no segundo turno.

Não importa que tipo de acordo ou papel político a burocracia petista projetava com o PSDB indo ao segundo turno: isso simplesmente não acontecerá.

A polarização PT-PSDB desapareceu e foi substituída pelo espectro do fascismo.

FASCISMO.

Vamos dizer em alta voz. Estamos enfrentando a maior ameaça à democracia desde 1964, e a maior ameaça à civilização brasileira na nossa história, porque o tipo de fascismo que se avizinha é o de um entreguismo neo-liberal muito diferente dos militares nacionalistas de 64.

Não sobrará soberania, não sobrará direitos, não sobrará país.

Da mesma forma, Haddad já se mostrou um candidato fraquíssimo. Sem identificação com o povo, não parece aos eleitores nada além de um janota paulista imposto por uma burocracia partidária como outrora Dilma foi imposta por Lula.

E deu no que deu.

Num breve experimento mental, peço que os leitores visualizem Haddad conseguindo chegar ao segundo turno.

Sim, Haddad, o único dos candidatos que ainda antes da facada conseguia perder para Bolsonaro em pesquisas.

Debilitado por um atentado perpetrado por "comunistas", um Bolso anti-sistema perseguido pela mídia e classe política aparece finalmente por dez minutos na TV.

Lá, nadando de braçada no anti-petismo de 60% da população, ele acusa a catástrofe de Dilma, a corrupção do PT, a vice comunista, os processos de Haddad por corrupção, o ministro do que ele chama de "Kit Gay", o prefeito do que ele chama de "bolsa crack", de "bolsa travesti", o ex-aliado de Temer, de Maluf, o aliado de Eunício, de Renan, o prefeito que perdeu a reeleição para os brancos e nulos no primeiro turno, um sujeito que não é sequer o candidato de si mesmo, que foi imposto à população em vinte dias.

Quem que você acha que encarnará a mudança?

Então proponho um segundo experimento mental.

Haddad se elege presidente.

Ao contrário de Dilma, que era nacionalista, esse liberal paulista uspiano funcionário do Insper se elegeria sem legitimidade alguma.

Se conseguisse tomar posse teria uma missão primária: indultar Lula.

Para isso teria que reunir a força política necessária.

Faria isso contra o Legislativo, o MP, o Judiciário, a Mídia, as Forças Armadas, a Classe Média, o empresariado e o ódio bruto de 25% de bolsonaristas.

Se a Dilma aplicou o programa do adversário, imagine o "gentil" Haddad.

Se a Dilma caiu, imagine ele.

Lula não pode tentar enfiar essa catástrofe por nossa goela.

Nós ainda temos uma vida pela frente, e nossos filhos.

Não se trata esta de uma eleição qualquer, se trata de salvar a nós e nossos filhos do fascismo e do desemprego estrutural, de salvar o Brasil de sua extinção como nação soberana.

Ciro já demonstrou que é o candidato mais forte do campo, não só sem apoio nenhum de Lula mas sofrendo a traição e o cerceamento completo de suas alianças.

Ciro sem Lula está hoje em segundo lugar.

Onde estaria Haddad hoje sem Lula?

Se proponha esse terceiro experimento mental...

Recue, Lula.

Salve sua biografia.

Apoie Ciro como Brizola o apoiou um dia.

Seja grande como foi Brizola.

O país precisa de lideranças para seguir em frente, e não de postes.

A história o chama, pela última vez.

Dia 11 você decidirá como entrará nela.

O que está em jogo não é só seu destino ou o do PT, mas o destino de duzentos milhões de brasileiros.

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