Imagem de Boff na PF: A Súmula da História

Ao negar a entrada de Boff e outros, a PF, Moro e sua turma só fazem crescer exponencialmente a figura de Lula e a luta mundial por sua libertação

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boff (Foto: Evelyn Pena)
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Humildemente e em vão ele esperou pela autorização de visitar Lula na manhã de 19 de abril de 2018.
O prisioneiro, que ouve com o coração todas as manhãs vozes em coro gritando bom dia, não pôde receber o abraço do amigo de crenças comuns por um Brasil mais igual.
A imagem do frade e teólogo Leonardo Boff, e sua bengala, sentado diante da guarita da PF em Curitiba, marca corações e mentes mundo afora e entra para a história.
Uma história amarga, réplica da volta do fascismo ao Brasil.
Entra igualmente para uma linda história - personificação da solidariedade, do amor e de mais uma lição de luta pela Teoria da Libertação, de Boff.
Roda pelo mundo a cabeça de cabelos e barbas prateados pelos seus 80 anos, contrastando lindamente com a camisa vermelha - mesma cor de bandeiras que marcam no país as ocupações, manifestações e protestos contra a entrega de nossa soberania e a retirada de nossos direitos.
Boff, assim como Lula, escreveu uma das mais lindas páginas de nossa história.
Ele vê a Igreja como o Povo de Deus na aventura da humanidade comprometido com os pobres e organizado em comunidades eclesiais de base.
Sempre sustentou que a paixão de Cristo não tem como função legitimar a necessidade do sofrimento humano nem a aceitação resignada da existência do mal.
Sua função, segundo ele, é denunciar os mecanismos geradores de sofrimento e convidar a lutar contra a dor e suas causas.
Exatamente o papel que ele e Lula cumpriram pelo Brasil e pregaram para os povos do mundo.

A morte de Jesus para Boff não representou exigência divina mas sim foi resultado do conflito de Jesus com os poderosos de seu tempo.
Os de hoje prendem Lula sem provas, num processo mascarado de legalidade, mas o prazo de validade dos poderosos está ilustrado na história por guilhotinas, forcas, torres e masmorras. Deveriam ficar atentos a isso.
Boff não é um qualquer. Um juizinho qualquer, envolvido em venda de delações; um político qualquer que vota pela família e por Deus; um facistazinho qualquer privilegiado pela grande mídia com ideias de que o Brasil do pós golpe voltou a crescer, ou que Lula na cadeia fará desaparecer a luta de classes no Brasil.
É doutor em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha, tem mais 60 livros publicados, inclusive no exterior, é best seller, lecionou e leciona em universidades no Brasil, na Alemanha, em Portugal, Espanha e EUA.
Aquela figura irradiando paz, aparentemente vulnerável diante dos policiais de farda preta, é um homem seguro e calmo, um sábio ciente de seu papel na luta por um Brasil melhor.
De nada adianta os poderosos de hoje repetirem a história do fascismo, pregando o ataque à corrupção mas atacando um lado só. Assim foi na Itália de 1922, na Alemanha de 1933, no Brasil de 1964.
A história nos mostra algo que não devemos nos esquecer jamais: mais do que a corrupção - que nega mas exercita e encobre - o fascista pratica a maldade pelo simples fato de ver o outro sofrer.
Boff tinha condições de prestar apoio moral e espiritual a Lula. Negar isso a um preso numa solitária é praticar a maldade pela maldade.
Se a juíza que proibiu a visita e Moro quiseram humilhá-lo e desencorajar visitas de políticos nacionais e internacionais como a do argentino Nobel da Paz, Pérez Esquivel, impedido de ver Lula naquele mesmo dia, estão dando prova de tática zero.
Ao negar a entrada de Boff e outros, a PF, Moro e sua turma só fazem crescer exponencialmente a figura de Lula e a luta mundial por sua libertação.

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