Impeachment, a corrupção agradece

Torçamos para que o povo brasileiro em seu conjunto não seja manipulado pela claque reacionária e os cartéis de comunicação nacional

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Torçamos para que o povo brasileiro em seu conjunto não seja manipulado pela claque reacionária e os cartéis de comunicação nacional (Foto: Marcelo Uchoa)


Não estou filiado ao PT, mas sempre votei no PT, inclusive nas últimas eleições, e penso o seguinte sobre tudo o que está acontecendo.

Nem acho que a corrupção da Petrobrás deva que ser posta pra debaixo do tapete, muito pelo contrário, quem quer que tenha roubado do erário ou mesmo se locupletado de lobby ou informações privilegiadas que vá para a cadeia, tampouco concordo com as políticas últimas da Dilma (sobretudo o tal ajuste fiscal), que são bastante temerárias e podem, numa hora ou outra, repercutir negativamente sobre as costas do povo humilde.

Creio até que, de uma certa maneira, tem razão quem afirma que teria sido mais honesto se estas medidas houvessem sido tomadas antes das eleições. Se, de fato, desde lá já se sabia da necessidade disso, prefiro não acreditar e pensar que isso aconteceu somente agora porque só agora ocorreram a crise internacional do petróleo e a desestabilização da Petrobrás, tem razão quem fala de traição.

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E não vou ser hipócrita de vociferar que a insatisfação com a Dilma é só das elites (eu mesmo não estou feliz!), apesar de que, quem bateu em panelas no domingo passado, e que neste domingo se aglutinou na Praça Portugal, com direito a trio elétrico, cânticos patrióticos, orações, e, inclusive, reverberações militares, foi gente de classe média média, classe média alta e isso é indiscutível, como também é indiscutível que boa parte dessa gente é egoísta e está mais irritada com a melhora das condições econômicas das classes D e E do que propriamente com as últimas medidas da Dilma. Enfim, esse cenário pode até mudar a partir de amanhã, mas foi o da semana passada e foi o de há pouco na parte nobre da Aldeota.

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Até aí, tudo bem, mas querer que eu concorde com quem sai às ruas pedindo o impeachment de uma presidenta democraticamente eleita há pouco mais de cinco meses, com isso não concordarei, porque impeachment requer vinculação da autoridade acusada ao suposto fato delituoso e isso não aconteceu no caso da Dilma.

A pessoa por até sair às ruas gritando Fora Dilma, como eu mesmo fiz com FHC. É feio porque, ao contrário do que aconteceu no período FHC, a Dilma acabou de iniciar seu atual mandato, mas estamos numa democracia e é salutar que segmentos da população insatisfeitos manifestem suas opiniões. Agora sair por aí pedindo impeachment, é impossível, porque, efetivamente, não há direito a isso.

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É importante lembrar que no caso do ex presidente Collor foram a OAB e a ABI quem o acusaram formalmente de corrupção. Essa vinculação da autoridade denunciada com a corrupção não aconteceu dessa vez. Ao contrário, o Ministério Público não incluiu a Dilma sequer na lista dos supostamente envolvidos na Operação Lava Jato.

Por isso, o que precisamos fazer é dar um crédito à nossa ainda jovem democracia e irmos todos  às ruas exigir Reforma Política, pois, ao lado da endemia cultural que afeta nossa nação e que também precisa ser enfrentada, é na forma de financiamento empresarial das campanhas eleitorais do país que repousa um dos grandes propulsores dos males vinculados à corrupção na vida pública.

Ser contra isso é ser contra o Brasil e ponto final. Afinal de contas, o que querem os insatisfeitos: tirar a Dilma só por tirá-la e livrar-se do PT ou dar um golpe certeiro na corrupção do país?

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Torçamos para que o povo brasileiro em seu conjunto não seja manipulado pela claque reacionária e os cartéis de comunicação nacional. O corrupto e o corruptor certamente estão adorando a polêmica do impeachment, porque desfoca completamente a discussão do eixo do problema real.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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