Inépcia de Jair Bolsonaro para gerenciar a pandemia esvazia a autoridade do poder central

Numa situação política em que não se consegue identificar de forma clara e objetiva a autoridade do representante do poder, outras forças políticas acabam por ocupar o espaço deixado

(Foto: Isac Nobrega - PR)
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A fórmula é bastante conhecida: não existem vácuos de poder. Numa situação política em que não se consegue identificar de forma clara e objetiva a autoridade do representante do poder, outras forças políticas acabam por ocupar o espaço deixado. No Brasil, a demora e recusa do governo central em tomar decisões mais enérgicas contra o avanço da circulação do coronavírus tem ajudado a erodir rapidamente a popularidade de Bolsonaro. Temos visto um mandatário claudicante, cioso de seu poder e preocupado apenas com a manutenção de suas condições políticas para uma ainda longínqua reeleição. 

Se é na crise que conhecemos os verdadeiros líderes, o presidente brasileiro tem mostrado não ser essa uma de suas características mais acentuadas. Negando e minimizando os reais efeitos da pandemia, inclusive sobrepondo os interesses econômicos ao já previsto colapso do sistema de saúde nas próximas semanas, Bolsonaro parece desconectado da realidade social do país. Sua inabilidade em gerenciar a crise que começa a acometer os brasileiros mais pobres, no entanto, tem contribuído para destacar as ações de seus adversários políticos.

Com a cadeira presidencial deixada às moscas, num momento de crise humanitária sem precedentes em nossa história recente, outras forças políticas tomam a frente das ações necessárias à contenção da circulação do vírus. No Nordeste, os governadores se uniram para pedir ajuda ao governo chinês no combate ao coronavírus. No Sudeste, os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro assumem uma posição de distanciamento em relação ao Governo Federal e propõem medidas consideradas mais duras quanto à livre circulação de pessoas e a grandes aglomerações. Nas redes sociais, até mesmo as pessoas ligadas ao campo progressista aplaudem as ações de Wilson Witzel, que ganhara a corrida ao Palácio Guanabara com a retórica do “tiro na cabecinha”.

Importa ressaltar que, nas favelas e periferias do Brasil, lideranças anônimas e pessoas com incansável senso de solidariedade se organizam a fim de suprir a histórica ausência do Estado na resolução de suas mazelas sociais. As profundas desigualdades sociais, somadas ao alto número de trabalhadores informais sem condições de obterem sua renda, à precariedade das moradias e à ausência de saneamento básico produzem um ambiente potencialmente catastrófico com a circulação do vírus nessas comunidades. Sem poder contar com a atuação do Estado, lideranças comunitárias de todo o país têm se organizado para minimizar os efeitos da COVID-19 nas favelas e nas regiões periféricas. Campanhas de sensibilização para as formas de prevenção são feitas por carros de som, rádios comunitárias, grupos de WhatsApp e redes sociais.

Se a pandemia evidencia a necessidade de darmos respostas rápidas e em conjunto para evitar a propagação do coronavírus, os discursos sectaristas, negacionistas e eleitoreiros em nada contribuem para a minimização dos efeitos da crise. A um governo responsável cabe a busca pela coesão social da nação, pela expansão do investimento público, pela ajuda social direta às pessoas em condições de vulnerabilidade afetadas pela doença. Tudo indica que os próximos meses serão profundamente difíceis. Em jogo estará a nossa capacidade de sermos solidários, conscientes e de colocar os interesses humanitários acima das polarizações políticas. Vai passar!

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