Interesse público e interesse do público: onde se encaixa o apoio político-midiático a Eduardo Cunha?

por que os principais veículos de informação do país, tanto impresso quanto midiático, se mantêm calados ou dão pouquíssima importância sobre o caso de Cunha?

Sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos. Presidente da Câmara. dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Data: 20/08/2015 - Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos. Presidente da Câmara. dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Data: 20/08/2015 - Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados (Foto: Tiago Silva)
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É dever do jornalista aprender desde o primeiro ano da faculdade a diferença básica entre aquilo que é de interesse público e interesse do público.

A linha aparentemente é tênue, mas me proponho a lhe explicar.

Na linguagem jornalística, uma notícia ganha caráter de interesse do público quando se restringe a uma camada específica da sociedade ou notícia local, no caso, os jornais de bairro ou de cidade.

Por exemplo: embora sejam da mesma emissora, o "Bom Dia Brasil" e o "Bom Dia São Paulo" têm caráter noticioso, respectivamente, de interesse público e de interesse do público.

O interesse público interessa a nação como um todo, devendo ser o foco principal daqueles que exercessem a profissão. Levar ao público geral informações altamente relevantes é o ápice da profissão.

É óbvio que uma notícia envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), terceiro nome na linha de sucessão da presidência da república, onde o mesmo é acusado pelo Ministério Público de outro país, de manter uma quantia de US$ 5 milhões ilegalmente em seus bancos, é de claro e notório interesse público. Doa a quem doer!

Mas por que os principais veículos de informação do país, tanto impresso quanto midiático, se mantêm calados ou dão pouquíssima importância sobre o caso de Cunha?

O silêncio dos maiores semanais do país no último final de semana sobre o assunto foi ensurdecedor. No telejornalismo, o assunto não rendeu, sequer, uma reportagem propriamente dita.

A explicação, entretanto, é fácil.

O jornalismo atua, por via de regra, sob a visão de serviço público e o compromisso com a sociedade, porém, nem sempre aquilo que é de interesse do público geral ganha a importância necessária por motivações de ordem político-econômicas.

Outro agravante no caso que envolve Eduardo Cunha, que já é réu no Supremo Tribunal Federal nos âmbitos da operação Lava Jato, é a conivência dos principais partidos políticos do país.

Se por um lado o PT se cala, com medo de enfurecer o parlamentar, impedindo assim que o deputado acelere os vários pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff, do outro, o PSDB, principal partido da oposição, mantém o apoio a Cunha na esperança de que o presidente da Casa dê continuidade aos processos de deposição da chefe de Estado.

Em linhas gerais, Eduardo Cunha goza da proteção político-midiática.

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