Intervenção militar na Bolívia?
Governo prepara mandados contra lideranças políticas e sociais enquanto cresce a mobilização popular contra privatizações na Bolívia
Rodrigo Paz caminha para o estado de exceção. Nesse contexto, o governo elaborou uma lista com mandados de prisão e detenção contra líderes políticos, sindicais e sociais.
O país se vê envolvido em tensões e protestos sociais em decorrência das medidas de privatização, como a venda de terras e de minerais estratégicos, a exemplo do lítio, o que significa, para amplos setores da sociedade, a entrega do país ao setor privado, tanto de capitais locais quanto estrangeiros. Essa situação provocou a revolta dos setores populares, que se mobilizam contra tais medidas, retomando bandeiras de luta como as da Guerra da Água e da Guerra do Gás, em 2003, enquanto o governo busca decretar o estado de exceção para conter a crescente conflitividade social.
Um estado de exceção na Bolívia pode ser declarado pelo Poder Executivo por meio da aprovação de um decreto supremo, norma que posteriormente deve ser aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa. Sua duração pode se estender por até 90 dias, embora, excepcionalmente, esse “regime jurídico extraordinário” possa ser ampliado, desde que a Assembleia Legislativa assim o autorize, de acordo com o Projeto de Lei nº 161/2025-2026, de “Regulamentação dos Estados de Exceção”.
Diante dessa situação, o presidente Paz deve manter a calma, ouvir as reivindicações do povo boliviano e evitar uma escalada que poderia mergulhar o país em um conflito de maiores proporções.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

