Intervenção Militar, não! A verdadeira luta nem começou

Sabemos que temos um governo ilegítimo, entreguista e acima de tudo canalha. Um presidente acusado de ser ladrão e chefe de quadrilheiros. Ministros denunciados na Lava Jato. Congressistas bandidos. Mídia golpista e hipócrita, justiça e MPF parciais

Augusto Heleno e Mourão
Augusto Heleno e Mourão (Foto: Edison Brito)

"O general Mourão é um oficial sem tropa. E oficial sem tropa para o exército tem tanta valia quanto um piloto "asa quebrada" para aeronáutica ou um almirante impedido de navegar para marinha. O sujeito vira um simples funcionário, encostado. Não apita mais nada. Seu destino é virar porta-voz ou um burocrata. E é nisso que se transformou o general, um porta-voz.

E só disse o que disse porque o alto escalão permitiu ou no mínimo se omitiu. Tanto que não houve por parte do comando do exército um desmentido ou reprovação. Certo que a punição de oficiais vem em documento confidencial. Porém neste caso foi um pronunciamento público, portanto o público espera uma resposta condenando tal atitude.

Ou exigimos um posicionamento contundente por parte das forças armadas ou podemos esperar pelo pior, intervenção militar. Erros do passado cometem-se na atualidade. O golpe, por mais vigarista e bem arquitetado que tenha sido, ilude apenas aos que querem ser iludidos ou os que têm interesses mesquinhos.

Sabemos que temos um governo ilegítimo, entreguista e acima de tudo canalha. Um presidente acusado de ser ladrão e chefe de quadrilheiros. Ministros denunciados na Lava Jato. Congressistas bandidos. Mídia golpista e hipócrita, justiça e MPF parciais. Uma sociedade machista. Uma elite covarde e egoísta. E americanos babando por nossas riquezas. E apesar deste quadro de caos a esquerda e os progressistas não podem, nem de longe, cogitar que uma intervenção militar, em qualquer grau, seja uma saída ou uma alternativa ao golpismo.

Há um consenso que durante os 13 anos do PT no palácio as autoridades cometeram um grande e fatal erro: não politizaram e nem esclareceram aos cidadãos, em especial aos mais jovens, o que significava as políticas de inclusão social, educacional, econômica e de saúde. Os benefícios que as mudanças trariam ao país e as diferenças em relação às políticas neoliberais. Deixaram o barco correr solto. Este esquecimento resultou no que se viu, na hora do "pega pra capa" as pessoas, inclusive as que se beneficiaram dessas políticas, ficaram perdidas, atônitas e se tornaram presas fáceis dos marginais. Assimilando com virulência os discursos rasteiros de combate à corrupção e se voltaram contra Lula/Dilma.

A mesma desatenção aconteceu com as academias militares. Tanto Lula como Dilma não se preocuparam em adaptar aos novos tempos a formação dos oficiais. A AMAN, AFA e EN continuam a graduar militares nos moldes da ditadura. Portanto, é mais fácil encontrar “bolsonaros” entre seus quadros do que progressistas.

Pra quem tem lá suas dúvidas, as OM´s comemoram a “Revolução” no dia 31 de Março. Eles não veem e nem admitem que foi golpe em 64. Por que veriam de outra forma se nenhum dos seus professores ensinam diferente?

Marechal Lott atuou evitando um golpe. Alguém viu o General Villas Boas tomar uma posição antes do golpe? Permaneceu neutro. Um verdadeiro soldado. Viu a sua comandante em chefe ser massacrada e... silêncio. Imaginem se ele declarasse, na ocasião, apoio irrestrito a Dilma, talvez o golpe tivesse sido abortado. Agora troquem o nome da presidenta por Temer, percebem a força deste apoio?

E se alguém acha que os tempos são outros digo, o alto escalão das forças armadas é composta na sua totalidade por homens brancos, num país de mestiçagem pronunciada, como sempre foi. Até os americanos reclamaram dessa aberração. Isso diz algumas coisas da mentalidade que campeia no meio militar, certo? Preto só vamos encontrar praticamente de suboficial pra baixo.

Hermann Hess, prêmio Nobel de literatura, certa vez afirmou que o burguês é essencialmente um covarde por isso precisa da polícia e do exército. Em 90 um diretor de empresa teve sua poupança confiscada pelo plano Zélia Cardoso desesperado gritou pelos militares um covarde. Fazia um mês que Collor tinha sido eleito. Esse cara apoiou o Fernando. E agora fazemos a mesma coisa? Somos covardes, imaturos, idiotas? Este é problema da sociedade civil e civis têm que resolver. Temos que sair às ruas aos milhões. Escrachar a Globo, a Veja, a IstoÉ , o PIG. Invadir o congresso. Greves. Desobediência civil. Pressionar o STF. Não fizemos um décimo do que podemos ainda fazer. Não utilizamos nenhuma de nossas possibilidades de pressão. A situação está feia é certo, mas já vamos apelar? Se ficarmos sob as asas dos militares nunca cresceremos, nunca!

Nós somos um país com mais de 200 milhões de pessoas, 90% pobre. Vamos transformar isso aqui numa jogatina? Se o Boas for um nacionalista e tiver um projeto de recondução dos progressistas ao poder será muito bem-vinda a intervenção. Que bom! A sorte está lançada. E se cair o outro lado da moeda? E descobrirmos que o general é um lobo na pela de cordeiro, o que faremos? Ele tem armas, nós não. Alguém tem ideia de como vamos tirá-lo do palácio do planalto?

E apoiar intervenção militar é como aquele cara que ameaça matar a mulher dizendo que se ela não for dele, não vai ser de mais ninguém."

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