Intervenção para quem?

"A direita é isso. É a maior causa da violência brasileira, uma das maiores do mundo, por manter as estruturas do décimo mais desigual país do mundo e ter aplicado medidas neoliberais suicidas na economia que levaram o desemprego a 18% da população", diz Gustavo Castañon, professor do departamento de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora; "Temer promete a intervenção vagalume, mas a tática de suspendê-la pode se afogar no STF e tirará ainda mais legitimidade de qualquer reforma que seja feita", diz; "Por que assumir esses ônus? E essa intervenção está sendo feita exatamente contra quem?", questiona

"A direita é isso. É a maior causa da violência brasileira, uma das maiores do mundo, por manter as estruturas do décimo mais desigual país do mundo e ter aplicado medidas neoliberais suicidas na economia que levaram o desemprego a 18% da população", diz Gustavo Castañon, professor do departamento de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora; "Temer promete a intervenção vagalume, mas a tática de suspendê-la pode se afogar no STF e tirará ainda mais legitimidade de qualquer reforma que seja feita", diz; "Por que assumir esses ônus? E essa intervenção está sendo feita exatamente contra quem?", questiona
"A direita é isso. É a maior causa da violência brasileira, uma das maiores do mundo, por manter as estruturas do décimo mais desigual país do mundo e ter aplicado medidas neoliberais suicidas na economia que levaram o desemprego a 18% da população", diz Gustavo Castañon, professor do departamento de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora; "Temer promete a intervenção vagalume, mas a tática de suspendê-la pode se afogar no STF e tirará ainda mais legitimidade de qualquer reforma que seja feita", diz; "Por que assumir esses ônus? E essa intervenção está sendo feita exatamente contra quem?", questiona (Foto: Gustavo Castañon)

A direita sempre foi isso.

É a maior causa da imensa violência brasileira por manter as estruturas do décimo país mais desigual do mundo. Agora por ter aplicado medidas neoliberais suicidas na economia que levaram ao desemprego a 18% da população ativa. Depois de causar a violência, a faz de sua bandeira política prometendo a resolver com repressão.

Desse ponto de vista a intervenção federal no Rio é previsível.

Mas de resto devo confessar que estou razoavelmente perplexo. Não consigo entender bem esse momento para realizá-la, diante da votação da reforma da previdência.

É um aprofundamento do golpe e antessala da ditadura militar? Não, não acredito nisso. Os militares não gostaram nada de receber a ordem dessa gente que, ao invés de estar presa, está no comando do Estado brasileiro.

Se a Globo não tivesse exigido a intervenção com tanta manipulação e pressão de seus braços, eu estaria hoje convicto que se trata somente de uma tentativa de um grupamento politico moribundo de retomar a iniciativa política.

Mas a Globo a exigiu. Porque?

Não houve fato novo no Rio que justificasse a intervenção. Os índices de violência nesse carnaval foram menores que os do ano passado.

Os fatos novos foram o desfile da Tuiuti e três morros ameaçando descer se Lula fosse preso.

Seria o suficiente?

Há ônus claros na intervenção para a direita. O aumento da sensação de golpe e ameaça à democracia, o escancaramento da falência dos governos peemedebistas de Temer e Pezão, da falência do neoliberalismo.

Se o Brasil fosse um país sério, a intervenção também impediria reformas constitucionais enquanto durasse. Temer promete a intervenção vagalume, mas a tática de suspendê-la pode se afogar no STF e tirará ainda mais legitimidade de qualquer reforma que seja feita.

Porque assumir esses ônus?

E essa intervenção está sendo feita exatamente contra quem?

O PCC é a grande organização criminosa brasileira, paulista, é hegemônica na política de São Paulo e no estado inteiro, sem rivais.

Foi criada durante a gestão de um secretário de segurança de São Paulo chamado Michel Temer.

No governo Alckmin, paulista, viu seu ex-advogado, Alexandre de Moraes, virar secretário de segurança.

No governo de Temer, paulista, viu o mesmo sujeito, que publicou um livro plagiado, se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal, depois de alguém derrubar o avião de Teori, o Juiz do Supremo com quem, segundo o Jucá, "não tinha conversa".

Agora Temer coloca o exército nas ruas do Rio sem piedade com os soldados que arriscarão a vida com a missão de erradicar o Comando Vermelho, organização do crime carioca que é uma das últimas cidadelas não tomadas pelo PCC.

Já no Ceará, o PCC está se dando mal. Anteontem mataram o número 3 da organização nacional que queria tomar o controle do estado.

Hoje Temer mandou tropa da guarda nacional para o Ceará.

Para ajudar a quem?

O Ceará não pediu nada.

Há onze anos se atribuiu a Marcola, principal criador do PCC, a declaração: "Não há solução, estamos todos no inferno".

Hoje então estamos onde?

E quem é o diabo?

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