Irã, o novo alvo
Escalada contra o Irã expõe disputa por rotas, petróleo e poder em um cenário de declínio da hegemonia americana e risco de guerra ampliada
Trump e Khamenei. Um dia, quem sabe, deixarão de ser personagens históricos e se transformarão em triste Commedia dell'arte, tal qual Pierrot e Colombina. Máscaras numa tragédia, saindo do noticiário e entrando no folclore. Então, durante anos, ouviremos histórias sobre perversidades e prioridades imperialistas, e muitos irão aplaudir. No momento em que o mundo vê a guerra da Ucrânia completar quatro anos, surge a notícia de que Vladimir Putin viu que preparavam explosões dos gasodutos TurkStream e Blue Stream, no Mar Negro, que transportam gás russo para a Turquia e a Europa, por meio de componentes nucleares. E lembrando que os Estados Unidos sequestraram o presidente Maduro para roubar o petróleo, apoiam o genocídio em Gaza e querem o Canadá e a Groenlândia.
Agora, a bola oito é o Irã. Também polo importante de passagem. Como o dólar está deixando de ser a moeda das transações internacionais, os BRICS se fortaleceram, negociam com outras moedas e se fortalecem cada vez mais (com a entrada da Alemanha), deixando o império americano enfraquecido. Se a Suprema Corte dos EUA, que classificou como ilegal o uso das tarifas como arma política, não afundar ainda mais o governo, por meio dos milhares de processos, minar os adversários Rússia e China, acabando com as rotas de navios, parece ser a única forma de atrapalhar o avanço do novo dono do mundo.
Com a desculpa de ter armas nucleares, os Estados Unidos querem invadir o Irã. Khamenei já fez um discurso avisando que, apesar de os Estados Unidos terem o exército mais forte do mundo, podem levar um golpe tão forte que não conseguirão se levantar. A ameaça já começa com o alvo, o porta-aviões USS Gerald Ford, no Mediterrâneo, a maior mobilização desde a Guerra do Iraque. Khamenei também mandou fechar o Estreito de Ormuz. Cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, o grande interesse dos Estados Unidos, o que, neste momento, já descontrola e inflaciona os Estados Unidos.
A resposta belicista de Trump começará tentando atingir seu principal inimigo neste momento: Khamenei. Assim como fez com Maduro, a primeira tática será acabar com o líder do Irã e toda a sua linhagem sucessória. Mas, como o Irã não é a Venezuela, qualquer ataque desmedido pode desencadear uma guerra generalizada no Oriente Médio e ainda colocar a OTAN no jogo. Khamenei já deixou uma linha sucessória em testamento que coloca os personagens mais radicais, sedentos por vingança, no poder. Entre eles, Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, líder do programa nuclear do Irã.
Trump não conseguiu comprar a Groenlândia e anexar o Canadá, que possuem o Estreito da Dinamarca e o de Davis, importantes passagens entre o Mar da Groenlândia e o Mar de Irminger/Oceano Atlântico. Conseguiu roubar o petróleo da Venezuela e o suprimento dos russos e chineses, e agora quer fechar o Estreito de Ormuz. O professor e analista geopolítico chinês Jiang Xueqin, queridinho da vez, previu que os Estados Unidos iriam para a guerra no Irã, o que resultaria no colapso do império americano. Centenas de caças e tanques americanos já estão próximos do Irã e estão refletindo sobre como irão fazer essa intervenção. Dizem que também podem recuar na ofensiva, já que os embaixadores dos dois países estão tratando de acordos, mesmo com pontos divergentes, mas o barulho que acontece neste momento seria para desviar a atenção do presidente dos arquivos Epstein, que afirma que Trump não só estuprou meninas, mas também matou algumas. Não é à toa que agora até arquivos sobre alienígenas estarão sendo disponibilizados ao público.
Trump e Khamenei não são folclores, são simbolismos. Trump nem merece execração, merece punição. Khamenei não é vítima, mas faz parte do todo. Os dois não se encontrarão em vida, mas, no folclore, estarão sempre juntos e opostos. São dois extremos de um contraste bizarro e de uma vergonha colossal.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
