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Davis Sena Filho

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Israel desumaniza para matar em massa e Netanyahu brinda com sangue de palestinos como vampiro

Um povo profundamente desrespeitado e desconsiderado em seu direito de ser um estado e país

Israel desumaniza para matar em massa e Netanyahu brinda com sangue de palestinos como vampiro (Foto: Reuters/Ibraheem Abu Mustafa)

“A ordem foi para se estabelecer o bloqueio total para a Faixa de Gaza. Não haverá eletricidade, nem comida, nem água, nem combustível, tudo fechado. Nós estamos combatendo contra animais humanos, e estamos agindo em conformidade com esse contexto”. (Yoav Gallant, ministro da Defesa de Israel)

Toda a infraestrutura da Faixa de Gaza está a ser inteiramente destruída por Israel. Até escolas, hospitais, abrigos civis, além de quase 20 mil prédios foram bombardeados. Contar as mortes e os desaparecimentos causados por esse verdadeiro e real genocídio será uma das maiores desgraças da humanidade. Gaza é muito pobre e sua realidade é de um gueto imposto a seu povo.

O político de extrema direita Benjamin Netanyahu, líder do partido ultraconservador Likud, é o primeiro-ministro de Israel pela terceira vez. Radical e extremamente belicoso, Bibi (este é seu apelido), antes de iniciar o massacre genocida sem precedentes contra o povo palestino, que desde 1948 reivindica o direito às suas terras, que foram invadidas e tomadas de assalto, por intermédio da influência da Inglaterra, que colonizava a Palestina e que, com a condescendência da ONU, organizou a migração em massa de judeus às terras ocupadas por palestinos, onde está estabelecido desde 1948 o Estado de Israel.

Avesso ao diálogo e a qualquer negociação que possa ser consolidada com os palestinos, que há longos 75 anos lutam para terem um lugar para morar de forma digna e com oportunidades de renda e emprego, Netanyahu nega as realidades e assombra mais uma vez o mundo com seus atos e ações ultraviolentos e mais uma vez em sua belicosa vida opta pela edificação do ódio como estratégia essencial junto ao establishment israelense e norte-americano, cujo aniquilamento de todo um povo seja efetivado pelo simples fato de existir.

Na retaguarda das ações de guerra e massacres perpetrados historicamente por Israel estão os cúmplices de sempre dos incontáveis ataques sanguinolentos provocados ou não pelo o Estado sionista de Israel, a exemplo dos Estados Unidos, Inglaterra, União Europeia e Austrália, os principais países promotores dos eternos conflitos entre palestinos e israelenses, sendo que Israel, mesmo quando muitas vezes responsável por muitos erros e equívocos graves, recebe, incondicionalmente, o apoio das potências ocidentais.

Essas potências jamais se empenharam de fato e com seriedade para que os palestinos, que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, estabeleçam um estado próprio, a despeito de os dois lugares serem separados geograficamente e por isto não terem contato físico por meio de estradas ou rodovias, o que se torna um cruel absurdo, porque se trata de um mesmo povo. Inacreditavelmente o território israelense fica no meio, a separar Gaza da Cisjordânia.

Além disso, a Faixa de Gaza onde vivem dois milhões de palestinos foi cercada por um gigantesco muro, que edificado ao preço de bilhões de dólares, a se tornar o verdadeiro e inquestionável muro da vergonha, que deixa o ex-muro de Berlin em uma condição de mureta. Vergonhoso! O outro muro de enormes dimensões e que igualmente envergonha a humanidade é o muro construído entre os Estados Unidos e o México.

Os países ricos e ocidentais “donos” do mundo, bem como promotores de sanguinárias guerras, passaram por décadas a criticar o muro de Berlin, que era realmente horroroso e indefensável. Porém, verifica-se que tais países, que se autoproclamam como os guardiões e arautos da democracia e da civilização são hipócritas, e agem apenas de acordo com seus interesses e vontades, a demonstrarem, inquestionavelmente, que quem realmente entende de transformar os povos e as pessoas como se fossem de segunda categoria são eles, os países poderosos, que dominam a ONU e todos os organismos internacionais de âmbito mundial.

Os países dominantes, que todo mundo sabe quem são, trabalham e atuam de acordo com suas decisões e justificativas, a considerarem muitos povos, a exemplo do palestino, como merecedores de ficarem desumanamente amontoados em verdadeiros guetos, a exemplo de Varsóvia, quando os judeus foram terrivelmente violados em suas dignidades, e de Soweto, quando os negros daquela localidade sul-africana ficaram expostos a todo tipo de tirania dos brancos defensores do infame apartheid, que significa separação e resulta em segregação.

Enfim, os palestinos moradores de Gaza, a sociedade civil, que formam a grande maioria da população, é tratada com extrema violência por parte do governo de Israel, que indelevelmente está a cometer um genocídio de grande dimensão histórica, a, certamente, constar nos livros de história e frequentar a memória da humanidade, em âmbito planetário, sobre os crimes de lesa-humanidade que está a cometer Israel contra o povo palestino.

Um povo profundamente desrespeitado e desconsiderado em seu direito de ser um estado e país, em seu direito de existir e ser reconhecido pela comunidade internacional, principalmente pelas potências ocidentais, que, ironicamente, consideram-se civilizadas e desenvolvidas, até que tenham seus interesses contrariados para rapidamente se tornarem bárbaras, como o foram incontáveis vezes no passado e em inúmeros episódios trágicos da recente história da sanguinolenta humanidade.

Tudo isto acontece sistematicamente, a despeito das ações sanguinárias do Hamas, que também não reconhece o direito do povo israelense de ter seu próprio estado e território, bem como quando atacado tem o direito de se defender. Entretanto, esta não é a principal questão, quando sabemos que os conflitos, os rancores, as vinganças, as paixões e as insanidades político-religiosas somente diminuirão a índices humanamente suportáveis quando o povo palestino recuperar seus territórios estabelecidos em acordos desde 1948, logo após a II Grande Guerra Mundial, bem como as terras anexadas ilegalmente por Israel e até hoje não reconhecidas pela ONU serem devolvidas pelo governo sionista de Israel aos palestinos.

Nada é sustentável e aceitável quando um diminuto espaço de terra, onde vivem amontoados dois milhões de palestinos, é totalmente destruído por bombardeios aéreos, tanques, canhões, granadas, e todo tipo de armas de grosso calibre, além dos armamentos químicos lançados perversamente sobre uma população civil indefesa e sem ter para onde correr na intenção de sobreviver, assim como cercada por imensos muros que separam Gaza de Israel, onde está estabelecido um enclave militar poderoso e efetivador de apartheid no Oriente Médio.

A verdade é que dá a impressão que os sionistas têm uma visão hermeticamente colonialista, além de somada profundamente ao sentimento de desprezo pelos palestinos oriundos da região. Os valores e princípios de grande contingente de judeus que migraram para o Sião (Israel/Jerusalém) são ligados ao ocidente, de onde partiram para se estabelecerem em Israel após a edificação do estado sionista, fruto do movimento político sionista surgido no século XIX, por intermédio principalmente da comunidade judaica da Europa, que sempre pretendeu implantar um estado nacional judeu, independente das razões e questionamentos dos árabes, também considerados semitas tais quais aos judeus.

Enfim, a realidade é que desde 1948 existe uma nação judaica na Palestina, que se dividiu em Israel, que possui de longe o maior território, sendo que os palestinos foram praticamente expulsos e segregados na Faixa de Gaza, que é uma tripinha no mapa de Israel, onde atua o grupo radical Hamas, que também está presente na Cisjordânia, sendo que é em Gaza que acontecem os enfrentamentos contra Israel com maior contundência;

Os Estados Unidos, a União Europeia e Israel consideram oficialmente o Hamas como um grupo terrorista. E o Hamas comete realmente atrocidades, sendo que faz do Jihad Islâmico sua principal forma de atuação. Jihad significa luta em árabe e, por meio dessa luta, o Hamas tem como principal propósito de realizar a “guerra santa” contra o Estado de Israel, que para eles não deve e não pode existir.

Entretanto, quem governa e responde oficialmente pelos palestinos é a Autoridade Nacional Palestina (AP) e não o Hamas. Realidades que a imprensa ocidental, inclusive a subalterna e subserviente brasileira, esconde porque segue caninamente a narrativa do status quo mundial dominada e propagada pelos Estados Unidos e seus principais parceiros de Europa, além de Israel, evidentemente.

A AP teve como o maior político e líder o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Yasser Arafat, morto em 2004. Arafat foi presidente da Autoridade Palestina e líder da Organização pela Libertação da Palestina, com acesso às negociações com ONU, Estados Unidos, países da Europa Ocidental e até mesmo com o governo israelense, como demonstram os arquivos da história.

Após a morte de Arafat, a AP perdeu bastante sua influência e protagonismo, sendo que os diálogos e negociações junto ao establishment mundial, ou seja, Estados Unidos (Israel) pereceram, a sobrar como se vê o Hamas, a realizar atentados violentíssimos, pois o ocidente permitiu, irresponsavelmente e inconsequentemente, que espaços vazios fossem ocupados por um grupo radical do naipe do Hamas. E ainda tem o Hezbollah, que atua a partir do sul do Líbano, que é apoiado pelo Irã, inimigo dos muitos inimigos históricos de Israel.

Por sua vez, o governo sionista e radical de extrema direita de Israel, que mistura política com religião, bem como acredita que o território ocupado oficialmente a partir de 1948 pertence biblicamente aos judeus, está a realizar uma das mais perversas e violentas que se tem notícia nos últimos tempos, a bombardear sem trégua o povo palestino em Gaza, que não tem opção para se salvar e de escolha, a não ser morrer, pois preso pelo apartheid diabólico que invade seus lares em formas de bombas e tiros.

As declarações covardes e desumanas do belicoso e radical direitista Bibi Netanyahu, um sujeito pródigo em conflitos e mortandades mil, como demonstra inequivocadamente sua sanguinária biografia, apontam para um tempo lúgubre e de mortes, insegurança, medo, tensão e agonia. Suas palavras asquerosas e dignas de desprezo para quem é civilizado e respeita a dignidade humana com seus direitos humanos, não pode compactuar com assassinos do establishment mundial, independente de suas razões e das atrocidades diabólicas do Hamas, que não representa os palestinos, que são representados oficialmente e reconhecidamente pela Autoridade Nacional Palestina.

Benjamin Netanyahu age como um oportunista político, a ter essa guerra insana também como trunfo para seus interesses de poder. Há tempos está a enfrentar graves e constantes protestos sem precedentes por parte do povo israelense, que ocupou inúmeras vezes este ano as ruas das principais cidades de Israel, a contestar o projeto de empoderamento do Executivo em relação ao Judiciário.

Centenas de milhares de pessoas se manifestaram, volto a ressaltar, no decorrer de 2023 contra a reforma judicial promovida pelo governo do primeiro-ministro Netanyahu. O motivo é que a lei aprovada pelo Parlamento limita o poder da Suprema Corte, fato este que ocasionou uma onda de protestos, que balançaram os alicerces da nação israelense.

Netanyahu agora está com a faca e o queijo nas mãos, pois conseguiu, apesar dos protestos, aprovar uma lei que anula a “doutrina da razoabilidade”, o que significa que o principal tribunal da Justiça não poderá rever e revogar decisões governamentais, independente de serem razoáveis ou não. Antes, o Supremo de Israel tinha força para rever ações e atitudes estapafúrdias, conforme os interesses do primeiro-ministro do direitista Likud, que está no poder pela terceira vez.

Quero deixar claro e assertivamente que grande parte da população israelense e de judeus que habitam o mundo em inúmeros países e continentes não são cúmplices e discordam veementemente da mortandade que acontece na Faixa de Gaza por causa das forças militares israelenses em relação à sociedade civil palestina, ou seja, o povo, que está preso a um verdadeiro gueto empobrecido e sem quaisquer perspectivas de viver melhor e poder tocar a vida dignamente. Não é geral, como pensam erroneamente muitas pessoas pelo mundo, por falta de informação e conhecimento. Ou simplesmente são sectários.

Para concluir este artigo, vou publicar as palavras de ordens satânicas do ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, que anunciou com pompa e circunstância que Israel está a impedir o fornecimento de gás, combustíveis, energia elétrica, alimentos e água. A resumir: trata-se de um genocídio programado, calculado e colocado em prática, pois, além de cometer tais insanidades movidas pelo ódio e racismo, o ministro da guerra israelense proferiu palavras desditosas e plenas de desprezo e violência, quando anunciou o ilegal bloqueio total para a Faixa de Gaza.

Gaza está a sofrer desde 2005 com o bloqueio que impede o direito de ir e vir. Trata-se de um cerco desumano, com palavras do ministro Gallant, a seguir: “A ordem foi para se estabelecer o bloqueio total para a Faixa de Gaza. Não haverá eletricidade, nem comida, nem água, nem combustível, tudo fechado”. Não satisfeito, o extremista sionista e de direita movido pelo ódio diabólico, afirmou: “Nós estamos combatendo contra animais humanos, e estamos agindo em conformidade com esse contexto”.

Quando se desumaniza qualquer pessoa, etnia, raça, cultura, religião, nacionalidade e seja o que valha ou não, certamente se abre as portas do inferno, o que acontece, agora e já, com o povo palestino de Gaza, que está a ser aniquilado, exterminado e sem quaisquer condições minimamente dignas de sobrevivência, mesmo a estar envolvido por uma guerra.

Não há desculpas e nem perdão que possa se ter alguma compreensão das iniquidades e vilezas humanas de Benjamin Netanyahu e de seus aliados nesse já inesquecível genocídio. A humanidade perece. E os intolerantes senhores da guerra se refestelam politicamente com o sangue dos inocentes. Netanyahu brinda com o sangue dos palestinos como se fosse vampiro. É isso aí.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.