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Davis Sena Filho

Davis Sena Filho é editor do blog Palavra Livre

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Israel e EUA: petróleo, estreito de Ormuz, Brics e terras palestinas, estúpido!

O governo de Trump somente cuida dos interesses dos ricos. O mandatário terá que responder por todos seus crimes

O presidente dos EUA, Donald Trump 3 de março de 2026 (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

“Não importa agora se eles são crianças. Não estou falando por vingança, estou falando de uma mensagem para as gerações futuras. Eles precisam de uma nakba (catástrofe) de vez em quando para sentir o preço”. (Major-general Aharon Haliva, ex-chefe do Aman, serviço de inteligência de Israel, em áudio vazado, que foi transmitido pelo Canal 12)

“Os americanos querem que o governo foque em melhorar suas vidas, torná-las mais acessíveis, e não se envolver em outra guerra interminável no Oriente Médio, que terminará em fracasso”. (Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre a guerra contra o Irã)

Façam o que fizerem com suas poderosas bombas e mísseis, mas para vencer o Irã, Trump e Netanyahu têm que mandar as tropas dos EUA e de Israel pisarem no território iraniano e assim fazer a ocupação para derrubar o governo persa. É prudente lembrar do Vietnã, da Coréia e do Afeganistão, bem como afirmar que o Irã é um dos berços das civilizações humanas mais antigos do mundo, com uma história de cerca de três milênios e uma topografia acidentada que faz o inimigo pensar mil vezes antes de ousar invadir um país territorialmente enorme e com uma população de quase 93 milhões de habitantes.

Israel há muitas décadas se comporta e se conduz como um enclave pró-interesses norte-americanos no Oriente Médio; porém, trata-se de um país controlado por colonialistas e imperialistas europeus, que se autodenominam israelenses, mas que milenarmente são judeus brancos, que vivem ou são oriundos da Europa há dois mil anos.

Essas pessoas são europeias e carregam consigo o orgulho e a soberba de se sentirem culturalmente superiores aos seus vizinhos árabes, a tal ponto de efetivarem um processo dantesco de apartheid, que submete os palestinos a uma opressão e repressão das mais vergonhosas e humilhantes da história da humanidade.

Os israelenses são de maioria europeia, reitero, e implementaram um regime sionista, extremamente sectário, excludente, racista e ultraviolento, que tem por propósito o expansionismo territorial e a eliminação de seus inimigos, com a cooperação sistemática dos sucessivos governos estadunidenses, sendo que Israel do extremista de direita Benjamin Netanyahu conta, neste momento, com o apoio de um presidente de extrema direita da expressão do magnata e bilionário Donald Trump.

Trump é um político oportunista e de caráter perigoso, que faz da vida dele e dos outros um grande negócio para ganhar dinheiro e impor sua vontade econômica e política conforme seu pensamento deletério de desrespeito e desconsideração aos poderes constituídos de seu próprio país, além de violador da soberania das nações e dos povos.

É tão real o que afirmo sobre o presidente dos EUA, que, seguramente, sua vocação para atuar e agir como ditador é incontestável. O mandatário tentou um golpe de estado por meio de violenta invasão do Capitólio por não reconhecer a derrota eleitoral para Joe Biden em janeiro de 2021, além de ser acusado de manter por anos parceria com o empresário Jeffrey Epstein, um homem já morto, mas que realizava uma série de crimes hediondos, dentre eles a pedofilia, que se tornou um megaescândalo de dimensão internacional.

Porém, percebe-se, aparentemente, que os Estados Unidos estão a reboque dos interesses estratégicos e geopolíticos de Israel, que desde o bombardeio das instalações nucleares subterrâneas do Irã, em junho de 2025, insistiu com o Tio Sam para que desse continuidade aos ataques, mas, evidentemente, sem enviar tropas, tanto israelenses quanto estadunidenses, para avançar por terras iranianas e, consequentemente, ocupar territórios e, por sua vez, tentar uma mudança no regime dos aiatolás para um mais "palatável", conforme o gosto e os interesses geopolíticos, militares e econômicos dos países sionista e yankee, que agem umbilicalmente, iguais a gêmeos univitelinos.

Dito isto, é necessário também asseverar que não será nada fácil derrubar os aiatolás que desde 1979 ascenderam ao poder após derrubarem uma monarquia aliada do mundo ocidental, inclusive com relações diplomáticas com Israel dos sionistas e colonialistas radicais, a exemplo de Benjamin Netanyahu, os agentes políticos de seu gabinete, além dos partidos de direita e extrema direita que dominam o Knesset (Assembleia) e radicalizaram contra a Palestina.

A transformaram em um verdadeiro inferno em forma de escombros e aniquilação de milhares de seres humanos desarmados, porque não deixaram literalmente nada em pé, bem como, afirmo novamente, assassinaram grande parte da população civil com quase 72 mil mortes — um verdadeiro genocídio, que teve a cumplicidade das potências ocidentais submissas aos Estados Unidos, que se calaram vergonhosamente para terem seus interesses econômicos e geopolíticos atendidos, porque tão colonialistas e espoliadores como o Tio Sam.

A carnificina, a sanguinolência plena de desumanidade praticada pelo estado sionista de Israel tem por finalidade fundamental realizar uma limpeza étnica e desse modo ocupar e anexar definitivamente o território de um povo árabe, que habita há milênios a região da Palestina, composta atualmente por Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza. Os palestinos têm raízes ancestrais na região há séculos, mas a presença de povos semitas nativos remonta há milênios, em incontáveis gerações, que, inclusive, marcaram a resistência à ocupação israelense por meio de Intifadas (revoltas), que levaram milhares de palestinos à morte.

Entretanto, literalmente nada, nem mesmo as piores atrocidades contra o povo palestino desde que os colonizadores, os judeus brancos europeus de ideologia fascista e imperialista entraram em território concedido pela ONU, em 1948 (leia-se Estados Unidos, Inglaterra e França), é tão hediondo como os crimes de lesa-humanidade perpetrados pelo governo sionista de Israel, que são similares às ações dos nazistas, afinal 64 mil crianças foram mortas e feridas, conforme relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em outubro de 2025, quando foram completados dois anos da invasão e bombardeios sem fim na Faixa de Gaza por parte de Israel e seu governo sanguinário de ultradireita.

Os sicários do estado sionista de Israel mataram um alto número de idosos e milhares de mulheres, que são em sua maioria as mães das dezenas de milhares de crianças palestinas mortas e amputadas, sendo que a dor da fome e das doenças causam profunda subnutrição e desesperadora humilhação por apenas estarem vivas. Israel é um estado genocida que age no submundo do ódio em toda sua expressão diabólica e seus cúmplices se escondem por detrás dos cargos de alto escalão, a exemplo dos mandatários dos países ricos e dominantes, além dos figurões da ONU, que envergonham e causam nojo à humanidade.

Israel e seu estado terrorista, que cultuam a morte por meio de assassinatos coletivos para extinguir um povo de olho em suas terras, continua com sua obsessão expansionista e colonialista para se estabelecer onde vive outro povo. Israel conta com o apoio incondicional dos Estados Unidos, um estado historicamente beligerante que há cerca de 250 anos vive em guerra constante desde sua independência em 1776. Estudos sobre a história militar dos EUA indicam que em 90% do tempo de sua existência a guerra foi a tônica desse país imperialista, que teima em agir como “a polícia do mundo”.

Israel se vale dessa aliança sórdida e aterradora, que edifica a máquina da morte, a fim de usurpar territórios e roubar povos há milênios ou séculos, conforme o entendimento e o arbítrio de cada ser humano que anda na face da terra, mas principalmente daqueles que consideram que o vale tudo se torna legal porque tal povo biblicamente é o povo escolhido por Deus, que prometeu mel e leite em terra de Canaã, território que abrangia a totalidade da Palestina e partes de Líbano, Síria e Jordânia. Não é à toa que Israel, por inúmeras vezes desde 1948, vive em guerra com seus vizinhos e atualmente bombardeia o Irã e o Líbano, que certamente para muitos israelenses sionistas são também parte de “sua” Canaã e por isso se dá o direito de bombardear a paciência de Deus e de todo o mundo.

A verdade, dura e crua, é que a ONU (leia-se potências ocidentais) simplesmente e irresponsavelmente entregou território palestino para os usurpadores judeus europeus. Evidentemente que haveria resistência, revolta e um profundo sentimento de injustiça. Porém, a intenção dos imperialistas é anexar territórios e expulsar os palestinos de suas terras históricas, mas, para isso, não basta apenas expulsar, mas, sobretudo, matar e aniquilar milhares de crianças e mulheres em escala industrial, de forma a não permitir o crescimento demográfico dos palestinos e também impedir que as crianças no futuro sejam a resistência palestina para defender sua nação e território.

Para finalizar, tudo foi planejado, inclusive o genocídio perpetrado por Israel. Ninguém mata nessa escalada sem planejar. Trata-se da repetição do processo diabólico do nazismo, só que agora é o nazisionismo no Oriente Médio, a desumanizar todo um povo, que está cercado na Faixa de Gaza sem ter para onde correr das bombas, balas e mísseis. Nada, mas nada mesmo justifica o assassinato em massa por parte de um estado sionista e terrorista que assassina, inclusive, milhares de bebês.

Por sua vez, existem outras questões além da Palestina, como petróleo, estreito de Ormuz e Brics. Digo no fim do título deste artigo a palavra estúpido! Explico: é incrível ou é inacreditável que incontáveis pessoas não percebam, ou por má-fé intelectual ou por ideologia ou por ignorância, que o governo de extrema direita e radicalmente (tarifas e taxas) empresarial de Donald Trump está a agir violentamente contra o Brics, a usar o petróleo como mola propulsora para suas ações agressões armadas contra a Venezuela e o Irã.

Os referidos países vendiam, na esfera dos países do bloco do Brics, partes importantes de suas produções de petróleo, porque são nações que, juntamente com Cuba, enfrentam há muitos anos duro bloqueio econômico, o que acarreta muita dificuldade para a subsistência de seus povos e da própria existência desses países como membros da comunidade internacional, bloqueados ou não economicamente pelos Estados Unidos e seus aliados europeus.

É evidente também que o país agressor, os Estados Unidos, que vivem em guerra desde sua independência, têm por estratégia impedir ou diminuir muito a importação de petróleo por parte da China e da Índia, dois gigantes da economia mundial e controladores de dispositivos nucleares poderosos, mas que por terem economias gigantescas e serem os países com as duas maiores populações do mundo, necessitam de energia para manter suas produções e interesses, inclusive os geopolíticos, sendo que o petróleo é uma das matrizes energéticas desses países do leste e do sul asiático.

China, Índia, Brasil, África do Sul e Rússia, além de outros países que passaram a fazer parte do Brics causam muita apreensão aos Estados Unidos, que respondem com retóricas políticas e com ações práticas, a exemplo de invadir países, ameaçá-los e retaliá-los se, por exemplo, o Brics lançar, definitivamente, uma moeda que poderá dar fim à dolarização da economia global ou até mesmo passar a ser uma opção monetária para que os países possam fazer negócios sem o jugo do dólar estadunidense. E essa possível realidade poderá, sim, acontecer, bem como os EUA do desvairado Donald Trump poderão também abrir outros portais para realizar guerras.

Além disso, tem a questão do Estreito de Ormuz sob o domínio geográfico do Irã, por onde navega o comércio de cerca de 30% do petróleo mundial. O Irã não vai se fazer de rogado e vai bombardear navios militares e petroleiros de países beligerantes ou não. Essa situação vai gerar mais violência e um governo desastroso como o dos Estados Unidos, cujo presidente está envolvido com o tenebroso escândalo Jeffrey Epstein, terá de enfrentar todas as frentes que possam prejudicar a governança, afinal Trump, não se deve esquecer, é o autor principal da tentativa de golpe de estado em 2021, além de ter na justiça inúmeros processos que estão parados por força de lei, por ele ser presidente da república,

Quando terminar seu terrível mandato contrário às minorias, aos imigrantes, aos pobres, às mulheres e a um estado de bem-estar social, porque o governo de Trump somente cuida dos interesses dos ricos, evidentemente que o mandatário terá que responder por todos seus crimes, porque ele não enfrenta apenas uma oposição externa com guerras e tudo o mais, mas também enfrenta forte oposição interna, da sociedade organizada estadunidense, que cobrará punição a um dos piores políticos que o mundo já viu. É isso aí.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.