Jô e a Bunda(s)

Depois de toda a emoção pela morte do Jô Soares e todos os textos escritos resolvi colocar aqui, humildemente, minha experiência com este grande humorista

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(Foto: Reprodução)


Por Miguel Paiva

Depois de toda a emoção pela morte do Jô Soares e todos os textos escritos resolvi colocar aqui, humildemente, minha experiência com este grande humorista. Jô já era um grande humorista em 1970 quando a turma do Pasquim foi presa. Jô era um colaborador eventual e neste período em que seguramos a edição do jornal, eu, Martha Alencar, Millôr Fernandes, Henfil e Chico Jr, ele se juntou a todos os jornalistas e intelectuais do Brasil para colaborar ainda mais intensamente com o jornal. Como não podíamos noticiar a prisão era preciso oferecer ao leitor, além dos indícios de que algo acontecia, textos memoráveis. Drummond escreveu, Fernando Sabino, Chico Buarque, Caetano e sobretudo Jô que acabou sendo processado na edição que comemorava 100 mil leitores por um texto sobre as diversas qualidades de uma cama na vida das pessoas. Como os militares dormem em pé, não gostaram do texto. Jô acabou sendo inocentado depois até de uma carta do Drummond a favor do humorista. Vocês veem que cartas de repúdio já existem há muito tempo. Jô sempre foi um colaborador honorário do Pasquim. Ziraldo inclusive, fazia todos os cartazes e capas dos livros que Jô encenava ou publicava. Era praticamente da turma. 

Anos depois, em junho de 1999, quando estava no SBT, ele entrevistou o pessoal da redação que estava lançando a revista Bundas. A ideia era muito boa e o time dos melhores. Jô tinha uma ligação afetiva com a palavra Bunda. Lembro que em um de seus espetáculos, segundo ele mesmo conta, foi no primeiro espetáculo solo em 1969 que ele lançou o número, em que ele comandava um coro do público que entoava a palavra bunda com toda a força e liberdade de expressão. Bunda era a palavra libertadora e Jô sabia disso. O número enaltecia a palavra e propunha seu uso de forma mais natural. Apesar da turma toda no programa, Bundas não vingou. O público ainda cheio de pudor não tinha coragem de chegar na banca e pedir a Bundas como o público do Jô. Talvez se fossem todos juntos seria mais fácil. Mas Jô gostava da gente. Fui ao programa duas vezes, se não me falha a memória. Para falar da Radical Chic e depois junto com a Angela Vieira, minha mulher. Ele gostava muito de um desenho da Radical em que ela apreciava a vista da serra e a distância que estava do som do carnaval no Rio. É um desenho caprichado que acabou sendo marcado para mim como o desenho do Jô.

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Jô também desenhava, pintava, escrevia costurava e bordava. Era um craque e sua admiração pelo desenho de humor ressaltava isso. A escolha do Ziraldo para fazer seus cartazes mostra essa admiração e ficaram eternizados. Grande Jô.

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