João Doria Jr., jabazeiro e lobista

Tenho me perguntado: quando Doria Junior ofende de forma grotesca, bárbara, gratuita e infundada o ex-presidente Lula é ele que está a falar ou o jabazeiro de outros tempos está de volta?

Tenho me perguntado: quando Doria Junior ofende de forma grotesca, bárbara, gratuita e infundada o ex-presidente Lula é ele que está a falar ou o jabazeiro de outros tempos está de volta?
Tenho me perguntado: quando Doria Junior ofende de forma grotesca, bárbara, gratuita e infundada o ex-presidente Lula é ele que está a falar ou o jabazeiro de outros tempos está de volta? (Foto: Pedro Maciel)
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O meu desejo seria poder dizer que João Doria Junior é um desqualificado, mas ele não é. Ele tem suas qualificações, mesmo que elas não se aproximem de qualidades ou de virtudes desejáveis às pessoas que se lançam na vida pública.

Aliás, na política ele não é iniciante, afinal foi secretário municipal de turismo e presidente da Paulistur na capital paulista, entre 1983 e 1985, na gestão de Mario Covas e foi também presidente da EMBRATUR e do Conselho Nacional de Turismo entre os anos de 1986 a 1988, no governo do presidente José Sarney.

Tentou, sem muito sucesso, a carreira de apresentador de televisão, mas nunca passou de um medíocre e desconhecido apresentador de um programa de entrevistas com empresários nas sonolentas madrugadas. Já foi escrito aqui no 247, mas não custa repetir, que suas entrevistas eram inegavelmente “jabás”. E para quem não sabe o Jabaculê, ou simplesmente jabá, é um termo utilizado na indústria da música brasileira para denominar uma espécie de suborno em que a gravadora pagava a emissoras de rádio e TV pela execução de determinada musica ou artista. Essa prática foi criminalizada em 2006 pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados no país, foram estabelecidas penas que variam de multa a detenção de um a dois anos, além da cassação da emissora que receber o dinheiro para colocar uma música no ar.

Noutras palavras, o pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, amigo do governador do Estado, foi um jabazeiro e praticou, em tese, o que hoje é ou por vir a ser considerado crime.

Mas João Doria Junior é destaque mesmo como lobista. Como lobista descobriu sua grande vocação. A qual se não é uma virtude ou uma qualidade, é uma atividade não regulamentada no país e que o fez rico. Como presidente do LIDE - Grupo de Líderes Empresariais João Doria Junior faz lobby, pois ele aproxima empresários de quem quer que esteja no poder para tentar influenciar agentes políticos e fazer com que eles atendam as demandas de seus clientes e o faz dissimulando através do LIDE, apresentando-a como “uma organização de caráter privado, que reúne empresários em doze países e quatro continentes. O LIDE debate o fortalecimento da livre iniciativa do desenvolvimento econômico e social, assim como a defesa dos princípios éticos de governança corporativa no setor público e privado”, cujo objetivo seria promover a integração entre empresas, organizações e entidades privadas, por meio de programas de debates, fóruns e iniciativas de apoio à sustentabilidade, educação e responsabilidade social, etc. e tal. Tudo “balela”, o LIDE é um espaço de promoção pessoal de seus membros (há um viés jabazeiro ainda presente) e de realização de lobby.  

Para a maioria das pessoas, especialmente quando encaramos o lobby sob o prisma da ética, o associamos à corrupção e à imoralidade. Não penso assim, pois a natureza ética do lobby precisa ser vista sob a luz da situação, das intenções e dos meios que utiliza, afinal, como ferramenta de persuasão pode ser utilizada para o bem ou para o mal.

No caso de João Doria Junior evidentemente a ferramenta foi usada para o seu enriquecimento pessoal e sem nenhuma preocupação ética ou republicana, pois ele simula e dissimula e não é como sugerem os que defendem a regulamentação do lobby, apartidário, muito pelo contrário. João Doria é lobista de si próprio. O tucano e operou junto ao chefe da Apex Brasil, David Barioni, nomeado pela presidente Dilma Rousseff, para que patrocinasse uma exposição de sua esposa Bia Doria no exterior. Há provas documentais.

Doria recebeu ainda quase R$ 1 milhão da Após em 2015 para organizar um evento em torno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recebeu título de "homem do ano" em Nova York. Doria e a Apex alegam hoje que o evento poderia contribuir para estimular exportações brasileiras. Não há indicativo disso, trata-se de verdadeiro “jabá” feito com dinheiro público.

Merece registro que Doria e Bia costumam hospedar Barioni em sua casa de veraneio em Campos do Jordão (SP), o que

Bem, agora lançado pré-candidato a prefeito de São Paulo para atender os interesses do governador do Estado, ele vem desempenhando uma atividade nova, por enquanto tática de interesse do Doutor Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho.

Mas tenho me perguntado: quando Doria Junior ofende de forma grotesca, bárbara, gratuita e infundada o ex-presidente Lula é ele que está a falar ou o jabazeiro de outros tempos está de volta?

Fiquemos atentos aos próximos capítulos.

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