Jogo de mentiras
Sabemos que não é só uma suposta melhoria educacional que está por trás do projeto de escolas cívico-militares, mas sim atender a picuinhas da extrema-direita
Chama a atenção o fato de que o agora condenado ex-presidente Donald Trump possa concorrer – e com grandes chances de vencer – às eleições norte-americanas. Especula-se a hipótese de ele ser preso por outros crimes mais severos de que é acusado, incluindo conspirar contra o Estado, e, mesmo assim, administrar o país dentro da cadeia. Por outros meios, a situação não é muito diferente daqui, onde a milícia adentrou o poder em várias esferas, se destaca no parlamento fluminense e elegeu um presidente seis anos atrás. Jogos de mentiras com regras semelhantes, línguas distintas.
Os jornalões daqui até procuram combater tais devaneios mentirosos, mas o que realmente fazem? Além da cantilena de bater no governo progressista dia sim, outro também, procuram dar-se um verniz de pluralidade e controle redacional. A Folha de S. Paulo, por exemplo, tem nova ombudsman (não existe ombudswoman?) e espera-se que ela faça realmente a interlocução com o leitor, ao contrário do anterior que usava nossos comentários sem ao menos citar a fonte. Copiava cartas alheias sem o menor constrangimento. De qualquer forma, precisaria ser alguém sem contato com o jornal para total independência, já que o objetivo é melhorá-lo. Quiçá um pouco de verdade apareça, sem loas a pluralismo deficitário ou independência fictícia.
Tais veículos enaltecem o governador fluminense em São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é uma mentira consolidada, até na roupagem de “fascista do bem”. Seu mais novo atentado contra a sociedade é o modelo de escola cívico-militar. Os militares não conseguem aprender nem o simples respeito à Constituição, haja vista sua ininterrupta tentativa de dar golpes, como será possível que promovam alguma educação? Sabemos que não é só uma suposta melhoria educacional que está por trás do projeto de escolas cívico-militares, mas sim atender a picuinhas da extrema-direita e engordar ainda mais o salário de policiais. No momento em que deveríamos ter mais Paulo Freire na formação de militares, é aprovada esta estapafúrdia proposta. George Orwell ficaria estarrecido com uma obra “1984+40”. A distopia mentirosa está virando dura realidade.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



