Judeus votando em nazistas, Oy Vey (*)

Não é plausível que um brasileiro judeu ou um chileno judeu não se importe com a saúde, a segurança, a economia, a educação etc. de seu respectivo país

www.brasil247.com - Bolsonaro e Kast
Bolsonaro e Kast (Foto: REUTERS)


Terminada a eleição no Chile me deparei com mais uma comunidade judaica votando em sua maioria em um candidato de direita, ou melhor, de extrema direita. E não só isso, o cara é filho de uma nazista. Sim, ninguém tem culpa de ser descendente de um nazista, mas este em especial seguiu em tudo os passos do pai. Para quem não entendeu: houve judeus que votaram em um nazista!

Na eleição brasileira, a maior parte da comunidade judaica votou em Bolsonaro. A parte que não votou nele, eu incluído, avisou com todas as letras se tratar de um fascista. Nada adiantou e até hoje encontramos quem prefira lembrar do que ele disse dentro da Hebraica, não o que escutou de nós fora dela.

Tanto no Chile como no Brasil escutei de boa parte dos que votaram nos candidatos de extrema direita que o faziam porque eles eram simpáticos a Israel, ou por demonstrações do candidato progressista de que eram contra Israel. Isto é uma falácia, ou se preferirem, um sofisma!

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Para deixar bem claro, falácia um é argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Sofisma é um  argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.Em resumo, a razão deles para justificar o seu voto não passa de uma cortina de fumaça para esconder o que realmente são: racistas, misóginos, homofóbicos e indiferentes ao sofrimento humano.

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Não é plausível que um brasileiro judeu ou um chileno judeu não se importe com a saúde, a segurança, a economia, a educação etc. de seu respectivo país. Estas coisas que no dia a dia fazem toda a diferença na vida em sociedade e devem constar de um programa de governo. Cada candidato na corrida final tinha o seu. Haddad e Boric com programas de inclusão social e Bolsonaro e Kast com seu Neoliberalismo. Os primeiros preocupados em dividir o bolo com todos, os segundos em ter o bolo somente para quem merece.

Nós judeus somos um povo como qualquer outro. Temos nossos Prêmios Nobel e nossos ladrões, estupradores e assassinos. Temos quem faz e deseja o bem, e os aproveitadores que vivem de fazer o mal. Assim é em todos os países onde nos encontramos como parte da sociedade em geral.

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Estes que deixaram de votar em Boric no Chile para votar em um nazista são a expressão máxima de que nós humanos e os judeus em especial não aprendemos nada com a história e que somos capazes de continuar fazendo o mal para outros seres humanos preocupados somente com nós mesmos.

Em um vídeo de uma entrevista em 2019, Boric teria dito na parte do vídeo, onde o apresentador lhe pergunta: "Você disse que Israel é um estado genocida, você o mantém? Eu mantenho (...) Todos os países que estão violando tratados internacionais como Israel, China, Arábia Saudita ou Turquia têm que cumprir as regulamentações internacionais, portanto ... não importa quanto poder esse país tem. Temos que defender os princípios dos direitos humanos internacionalmente a todo custo, independentemente do governo que esteja no país que é questionado. ”

Fica claro que ele se refere a todos os países que não defendem os direitos humanos. Em outras entrevistas ele inclui Cuba e Venezuela para total desconforto da esquerda, o que motivou uma carta aberta do neto de Allende para ele o criticando neste sentido.

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Neste último ano novo judaico, a comunidade chilena enviou para todos os parlamentares um cartão contendo uma mensagem relacionada a sociedade chilena com um pote de mel, símbolo do novo ano. Boric publicou em seu Twitter uma foto da mensagem com o seguinte texto: A Comunidade Judaica no Chile me envia um pote de mel para o Ano Novo Judaico, reafirmando seu compromisso com "uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa." Agradeço o gesto, mas eles poderiam pedir a Israel que devolva o território palestino ocupado ilegalmente. Foi o que bastou para ser taxado de antissemita.

Eu pessoalmente como defensor de um Estado Palestino, me solidarizo com o que pensa Boric, mas vamos convir que sua postagem não foi muito educada, diria até que deselegante para quem recebe um presente e completamente fora de lugar, afinal de contas chilenos não representam Israel, nem mesmo os chilenos judeus.

Com esta mensagem ele deu a boa parte da comunidade judaica chilena a desculpa de que precisavam para votar em um nazista e criou para eles aquela cortina de fumaça que mencionei antes.

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Vejam que Boric poderia ter dito qualquer coisa relacionada ao Chile, como um pedido para que os chilenos judeus participem mais ativamente da vida política no país, que ajudem na construção de uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa, mencionada na mensagem. Poderia até mesmo ter aproveitado o momento para desejar um Feliz Ano Novo e pedir votos. 

A extrema direita judaica chilena usou das palavras dele para esconderem o fato de que são parte dos chilenos que saúdam Pinochet e tudo o que ele representou, que não se importam com o povo trabalhador e com políticas sociais, são contra direitos iguais para as minorias e acreditam que lugar de mulher é na cozinha. Nem inclusivos e nem solidários, este é o pensamento dos que votaram em Kast.

A extrema direita judaica brasileira vai utilizar argumentos semelhantes para justificarem o que são e os valores que representam. Vão trazer de volta o fato de que Lula ao visitar Israel (o primeiro presidente do Brasil que o fez), teria se recusado em visitar o túmulo de Hertzl (para muitos considerado o pai do sionismo). Não existiu recusa, na verdade a ida ao túmulo não faz parte do protocolo de chefes de estado em visitas a Israel. Nem Trump esteve lá em sua visita.

Também vão trazer novamente à tona uma Fake News de que ele mandou dinheiro para o Hamas. O dinheiro foi enviado para a ONU que o utilizou, juntamente com contribuições de outros países para administrar ajuda ao povo palestino de Gaza.

Enfim, a mesma tática de se esconder por trás de uma suposta adoração a Israel, de chamar todo antissionista, ou cidadão favorável a um Estado Palestino de antissemita, como desculpa para seu voto em um novo candidato da direita. No entanto, a eleição é no Brasil e é a solução para os problemas brasileiros que estão sendo discutidos. Manifestações relacionadas a Israel estão fora de propósito.

Independentemente do voto da extrema direita brasileira, Lula vai ser eleito presidente em 2022.

(Oy vey é uma expressão em ídiche que expressa consternação ou exasperação. Também escrito oy vay, oy veh ou oi vey, pode ser traduzida como "oh, ai!" ou "ai de mim!)

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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