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Paulo Henrique Arantes

Jornalista há quase quatro décadas, é autor do livro "Retratos da Destruição: Flashes dos Anos em que Jair Bolsonaro Tentou Acabar com o Brasil". Editor da newsletter "Noticiário Comentado" (paulohenriquearantes.substack.com)

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Kassab está ciente de que Lula cravará o quarto mandato

Gilberto Kassab, presidente e dono do PSD, certamente terá papel decisivo nas eleições

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Assistir à direita articular-se para a disputa presidencial é um exercício entediante.  Consideremos direita tanto os bolsonaristas quanto os ditos conservadores civilizados. Os gênios da estratégia dividirão votos em outubro e darão a vitória a Lula, que segue em velocidade de cruzeiro, assegurando ganhos sociais por aqui e consolidando-se, lá fora, como protagonista no debate global.

Gilberto Kassab, presidente e dono do PSD, certamente terá papel decisivo nas eleições. Aliás, já tem. Peixe ensaboado, reforça o discurso centrista, une três governadores  – Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul -, mantém três ministros no governo Lula – Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, André de Paula, da Pesca, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia – e continua secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, sob Tarcísio de Freitas, a quem chamou de submisso a Bolsonaro.

Kassab está ciente de que pleito o presidencial cravará Lula no quarto mandato e que mais importante, diante das circunstâncias, é fazer a maior bancada do Congresso. Um dos três governadores, provavelmente Ratinho Jr., encarará a batalha perdida pelo Planalto para se consolidar nacionalmente. É claro que a bola de cristal do articulista pode falhar, mas é esse o quadro que se desenha no céu da corrida eleitoral.

O candidato kassabiano a presidente da República, se vier mesmo a existir, tirará alguns votos de Flávio Bolsonaro e até mesmo de Lula. Poucos, porém. Nenhum dos três governadores do PSD encarna a figura sonhada da imbatível “terceira via”, que quebraria a polarização política Lula x bolsonaristas. Se houver segundo turno, será entre Lula e Flávio.

Por ora, resta diminuído o senhor Tarcísio de Freitas. Há quem o veja como frio estrategista, já que é bastante grande sua chance de reeleição ao governo de São Paulo e, ao acatar a ordem do capitão encarcerado, reforça a imagem de político leal. Ocorre que tal raciocínio despreza o fato de que não existe lealdade absoluta em política – como as nuvens do céu, a política redesenha-se ao sabor do vento. O eleitor não gosta de candidatos francamente submissos. A falta de coragem de Tarcísio custou-lhe a candidatura a presidente e pode lhe custar a reeleição a governador. 

Na campanha pela reeleição em São Paulo, o governador terá de responder pela incapacidade de contrariar o padrinho, o qual está condenado e preso, pela falta de autoridade própria, pela imagem de tutelado, pelos sinais de subserviência. Já o retrato de bom gestor poderá ser rasgado pelos próprios resultados de sua gestão, em que o desmonte da capacidade técnica estatal é flagrante.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.