Kátia e Marta, trajetórias divergentes

"Em se tratando de senadoras do PMDB, é difícil não comparar a trajetória de Kátia - que apesar da origem de classe e do pendor conservador, não hesitou em defender a democracia e os direitos fundamentais – com a de Marta Suplicy", diz a colunista do 247 Tereza Cruvinel; "A senadora paulista, que fez  sua carreira à sombra do PT nos áureos tempos, sustentando bandeiras políticas e comportamentais progressistas, fez um giro brusco para a direita, apoiou o golpe contra uma presidente eleita e vem endossando os retrocessos do governo Temer. Sua sabujice choca os antigos admiradores da mulher e da política de vanguarda que ela foi"

"Em se tratando de senadoras do PMDB, é difícil não comparar a trajetória de Kátia - que apesar da origem de classe e do pendor conservador, não hesitou em defender a democracia e os direitos fundamentais – com a de Marta Suplicy", diz a colunista do 247 Tereza Cruvinel; "A senadora paulista, que fez  sua carreira à sombra do PT nos áureos tempos, sustentando bandeiras políticas e comportamentais progressistas, fez um giro brusco para a direita, apoiou o golpe contra uma presidente eleita e vem endossando os retrocessos do governo Temer. Sua sabujice choca os antigos admiradores da mulher e da política de vanguarda que ela foi"
"Em se tratando de senadoras do PMDB, é difícil não comparar a trajetória de Kátia - que apesar da origem de classe e do pendor conservador, não hesitou em defender a democracia e os direitos fundamentais – com a de Marta Suplicy", diz a colunista do 247 Tereza Cruvinel; "A senadora paulista, que fez  sua carreira à sombra do PT nos áureos tempos, sustentando bandeiras políticas e comportamentais progressistas, fez um giro brusco para a direita, apoiou o golpe contra uma presidente eleita e vem endossando os retrocessos do governo Temer. Sua sabujice choca os antigos admiradores da mulher e da política de vanguarda que ela foi" (Foto: Tereza Cruvinel)
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A senadora Kátia Abreu tem razão: a expulsão do PMDB, partido caracterizado como organização criminosa e complacente com acusados de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes,  lustra sua biografia. Em se tratando de senadoras  do PMDB, é difícil não comprar  a  trajetória de Kátia -  que apesar da origem de classe e do pendor conservador, não hesitou em defender a democracia e os direitos fundamentais –  com a de  Marta Suplicy.  A senadora paulista , que fez  sua carreira à sombra do PT nos áureos tempos,  sustentando bandeiras políticas e comportamentais progressistas, fez um giro brusco para a direita, apoiou o golpe contra uma presidente eleita e vem endossando os retrocessos do governo Temer. Sua sabujice choca os antigos admiradores da mulher e da política de vanguarda que ela foi.   Ao filiar-se ao PMDB,  em 2015, dizendo-se decepcionada com o PT, ela declarou: “Estou no PMDB de Ulysses Guimarães e Michel Temer, que vai reunificar o país. Aqui é meu lugar”.

Marta sabe que não dizia a verdade. Este PMDB que expulsa Kátia porque ela foi contra um golpe parlamentar e contra as reformas de Temer  não é o PMDB de Ulysses, que resistiu à ditadura e lutou pela restauração democrática.  Não é o partido de Ulysses, que comandou a Constituinte e promulgou a Constituição Cidadão, cada vez mais estraçalhada por contra-reformas neoliberais.

Quando se tornou ministra de Dilma, Kátia enfrentou patrulhas do PT e da esquerda em geral.  Como pode Dilma nomear alguém que representa o agronegócio para a pasta da Agricultura?  Kátia, entretanto,  fez uma gestão correta, procurando valorizar o pequeno e o médio agricultor.  Os grandes produtores, dizia ela,  estavam com a vida resolvida, tinham crédito farto e plantavam para exportar.  Os micro e os sem-terra estavam sob o guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e  dispunham de políticas públicas específicas (agora inteiramente  desmontadas).  Os médios, entretanto, embora responsáveis pela produção da maior parte dos alimentos consumidos internamente, careciam de  mecanismos mais adequados de apoio .  A isso ela vinha se dedicando quando o governo Dilma foi derrubado.   Ela voltou ao Senado e foi uma protagonista importante da resistência ao impeachment.

Na votação final que condenou Dilma à perda do mandato, ela fez um dos mais vigorosos discursos, dando início ao conflito partidário que terminou agora com sua expulsão. Nós estamos vivendo aqui uma farsa. O inadmissível. E não vejo ninguém dizer da corrupção no governo da Dilma: foi ela sozinha ou foram todos os partidos que mamaram, sugaram esse governo durante cinco anos e agora estão do outro lado da mesa pedindo o impeachment da própria?"

Este discurso, Temer e o PMDB nunca engoliram, pelas perguntas incômodas que ela fez. Por exemplo,  por que Temer aceitou ser vice de novo, depois de quatro anos no cargo, se o governo Dilma tinha todos os defeitos que agora lhe apontavam (na hora do golpe)? Por que o PMDB, tendo tido tantos ministros no primeiro mandato, e conhecendo bem o governo Dilma, brigaram por mais pastas no segundo?  E terminou apontando a existência de uma “coalizão da chantagem”, dedicada a chantagear presidentes para se apropriar de nacos do Estado;

Nestes tempos de pós-golpe, ela tem sido irrepreensivelmente coerente, nas votações e nos questionamentos  éticos. Sobre a escolha de Carlos Marun (PMDB-MS) para a Secretaria de Governo, tuitou:  "Será a volta do presidiário Eduardo Cunha ao Palácio do Planalto. Lamentável". Sobre a fala do novo diretor da PF, provocou: "Uma mala só não é suficiente?"

Se o PMDB agora vai mesmo “queimar as bruxas”, preparem-se também os senadores Renan Calheiros e Roberto Requião, bem como o deputado Jarbas Vasconcelos.

Quanto a Marta, depois de ingressar no PMDB,  disputou e perdeu a prefeitura de São Paulo, que havia conquistado pelo PT. Ela caminha melancolicamente para a morte política. Como presidente da Comissão de Assuntos Sociais, conduziu com enorme desconforto a votação da reforma trabalhista, que liquidou com a CLT. Coube a Kátia passar-lhe um sabão em regra quando Marta tentou interditar o debate:  “Eu faço idéia de como está a sua consciência neste momento mas eu não aceito que fale comigo neste tom. Se a senhora está incomodada, retire-se da comissão. A senhora não está percebendo a expressão de seu rosto e o tom de sua voz”.

Marta era realmente a expressão do constrangimento. Mas prestou sua vassalagem a Temer e ao PMDB, ajudando a garantir a aprovação da reforma trabalhista.

A comparação entre estas duas trajetórias é irresistível, pelo que ensinam sobre substância e aparência na política.

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