Lembrando Celso Furtado, a saída econômica passa por redução da desigualdade e nova Indústria Cultural

O processo econômico vivido pelo Brasil de 2014 para cá com real constatação do nível de retração na base estrutural da movimentação financeira nem de longe lembra os velhos tempos de descontrole inflacionário do País no passado recente

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O processo econômico vivido pelo Brasil de 2014 para cá com real constatação do nível de retração na base estrutural da movimentação financeira nem de longe lembra os velhos tempos de descontrole inflacionário do País no passado recente. Há crise, mas há reações, inclusive do agente principal – o Governo Dilma, que neste último caso precisa, afora tudo, superar o pessimismo fabricado pela Grande Mídia com Políticas de P maiúsculo. É tempo, contudo, de se lembrar das lições atualizadíssimas de Celso Furtado, segundo as quais, o desenvolvimento real brasileiro dizimando chagas da exclusão social passa inexoravelmente pela redução econômica das diferenças regionais e, neste particular, há necessidade também de que se desconcentre a Indústria Cultural do eixo Centro-Sul.

Os primados do mais renomado economista brasileiro, natural de Pombal – cidade encravada no sertão da Paraíba – andam atuais, não só na leitura basilar dos caminhos futuros do Capital e do Trabalho porque mensura com muita clareza a importância de que as Políticas econômicas fomentem com consistência o fim da concentração de renda registrada de 1808 para cá no Sudeste e Sul do País criando um fosse imenso do desempenho desenvolvimentista em especial do Nordeste, que fora Capital do Brasil, mas que com o movimento da Familia Real não ficando em Salvador gerou a derrocada daquela região. Somente a partir de Juscelino Kubitischek e Lula, mais recentemente, houve reação efetiva para a melhoria do padrão de vida relativa dos nordestinos.

Embora seja importante admitir grandes investimentos do Governo Federal em estados do Nordeste, a exemplo de Pernambuco com a instalação da fábrica da JEEP – só como um caso especifico, não abstraiamos como referência histórica a cena globalizada acompanhada pelo Mundo no século passado, em Detroit, que de símbolo da indústria automobilística dos Estados Unidos passou na fase contemporânea naquele País a ser modelo de decadência absoluta porque os novos tempos elegeram o Vale do Silicio – de concentração do alto conhecimento – como motor da economia e da sobrevivência social.

O CASO DA INDÚSTRIA CULTURAL

Se é verdade que a sociedade brasileira ainda vai viver até certo ponto de empregos e de fabricação de automóveis, lembremos que a direção futura da sociedade é de optar pelo transporte coletivo porque não há sustentação perene para a invasão de carros nas Urbes brasileiras, já tomadas de engarrafamentos depreciativos como desdobramento da indústria automobilística.

Em sendo fato concreto, o do tumulto sequencial do inchaço das cidades com veículos automotivos, não se pode negar que, além das alternativas viáveis de Mobilidade Urbana bem resolvida como produz Berlim, por exemplo, se faz indispensável admitir que a Indústria Cultural no sentido vasto da palavra é um instrumento real de construção futura da sobrevivência de inúmeros segmentos da sociedade podendo trocar estruturas mecânicas de fábricas por Bases físicas para abrigar a famosa Economia Criativa.

No Nordeste, por exemplo, o melhor e maior Commodities é o próprio Talento nordestino, seja homem, mulher ou outro gênero humano, portanto, não são os manifaturados e/ou as produções frutíferas, etc em escoamento na direção do resto do País e do Exterior as principais referências de produção de toda a região.

EVASÃO ESTANCADA PODE NUTRIR VIDA NO SEU LUGAR

Os últimos Séculos registraram de forma massificada o êxodo rural de milhões de pessoas que deixaram seus Sertões ambientais e emocionais do Norte e Nordeste para conviver com as grandes Urbes, em especial São Paulo e Rio de Janeiro – a maioria fugindo da estiagem e da falta de oportunidade.

Os tempos passaram, já não há o mesmo êxodo rural de antes, mas na Indústria Cultural de força econômica atual, ainda atestamos a migração continuada de grandes talentos em busca de "sol" no disputadíssimo Mercado Cultural brasileiro concentrado entre Rio-São Paulo, quando grande parte da leva migratória obrigatoriamente precisa fazer o movimento de se mudar para o Sudeste.

Este processo precisa ser revisto. Algum dia em algum tempo, alguma cabeça aberta e brilhante na Política brasileira possa enxergar como viram Celso Furtado e Juscelino Kubitscheck que, mais do que cuidar de mendigos de sobrevivência, o Nordeste precisa de oportunidade para com investimentos sistemáticos e de aporte firme no Conhecimento, através da educação de Políticas arrojadas, abrigar a Economia Criativa de forma ampla para permitir que sua gente de talento incomum possa sobreviver em sua própria terra.

ALÉM DA FIAT, MAIS TI, INDÚSTRIA CULTURAL E EDUCAÇÃO

O Instituto Brenan, em Recife, é um bom exemplo de afirmação de qualidade artística sem precisar habitar São Paulo. O Humor produzido em Fortaleza – capital do Estado que forjou Renato Aragão, Chico Anysio, Tom Cavalcanti, etc – é o mais robusto dos últimos tempos com a cidade fazendo desta ação artística sua referência e meios de sobrevivência da classe a ele integrada.

Em torno de Goiana (Pernambuco), onde hoje está a Fábrica da FIAT (Jeep), bem que, com uma visão mais global e futurista, algum Investidor ou Governo antenado com a realidade próxima do amanhã, haverá de instalar em torno deste ambiente econômico a futura economia consistente, que passa pela Indústria Cultural porque ali e em outros ambientes do Nordeste comporta, sim, a atração dos grandes gênios de TI – alô alô Silvio Meira, toda a força do Cinema baiano, pernambucano, paraibano, cearense, etc, todos em ascensão, além da produção de Conteúdo para TVs, etc, porque um dia nossa Detroit (Goiana) perderá o espaço para um novo Vale do Silicio que precisamos construir com perspectiva.

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