Lembre-se: as alternativas são piores que Dilma

"A marca essencial dos protestos é a antidemocracia, o retrocesso. Quer-se impedir Dilma de governar sem apontar um crime de responsabilidade para interromper seu mandato", diz o colunista Paulo Moreira Leite; "Para além da gritaria de ocasião, o que se quer é aprofundar medidas erradas e prejudiciais de política econômica, através de programas de austeridade e uma democracia fechada à participação popular e aberta a movimentos autoritários, indispensáveis num regime de cabresto"; leia a íntegra

"A marca essencial dos protestos é a antidemocracia, o retrocesso. Quer-se impedir Dilma de governar sem apontar um crime de responsabilidade para interromper seu mandato", diz o colunista Paulo Moreira Leite; "Para além da gritaria de ocasião, o que se quer é aprofundar medidas erradas e prejudiciais de política econômica, através de programas de austeridade e uma democracia fechada à participação popular e aberta a movimentos autoritários, indispensáveis num regime de cabresto"; leia a íntegra
"A marca essencial dos protestos é a antidemocracia, o retrocesso. Quer-se impedir Dilma de governar sem apontar um crime de responsabilidade para interromper seu mandato", diz o colunista Paulo Moreira Leite; "Para além da gritaria de ocasião, o que se quer é aprofundar medidas erradas e prejudiciais de política econômica, através de programas de austeridade e uma democracia fechada à participação popular e aberta a movimentos autoritários, indispensáveis num regime de cabresto"; leia a íntegra (Foto: Paulo Moreira Leite)

Diante de  um novo fim de semana de mobilizações que pretendem ampliar a ofensiva contra o mandato que Dilma Rousseff conquistou nas urnas de 2014, não se pode perder a noção real das coisas nem a capacidade de distinguir o principal do secundário.

Nenhum dos difíceis problemas que o país enfrenta nos dias de hoje, seja na condução da economia, seja na falta de certezas políticas, pode esconder o fato de que nenhuma alternativa possível ao governo que tem um mandato a ser cumprido até 2018 representa uma opção mais adequada aos interesses dos trabalhadores e da maioria da população. Na melhor das hipóteses, as opções disponíveis são piores e mais nocivas.

A marca essencial dos protestos é a antidemocracia, o retrocesso. Quer-se impedir Dilma de governar sem apontar um crime de responsabilidade para interromper seu mandato. É o motivo básico, institucional, para que seja condenado. As crianças já sabem disso e mesmo vários adultos perderam a vergonha de reconhecer.

Do ponto de vista da vida da maioria dos brasileiros, a opera não se resume a isso, porém.

Não se pretende debater, corrigir nem consertar os erros cometidos pelo governo Dilma, em especial no segundo mandato, que trazem prejuízos visíveis ao emprego, ao salário, ao desenvolvimento e danificam a aprovação popular do governo. Todos nós sabemos de onde vieram as pressões que o governo não pode suportar pelos juros altos, os gritos pelo corte de gastos públicos e redução nos investimentos, o clamor pela redução dos programas sociais. Sua origem está nos vencidos de 2014. 

Para além da gritaria de ocasião, o que se quer é aprofundar medidas erradas e prejudiciais de política econômica, através de programas de austeridade e uma democracia fechada à participação popular e aberta a movimentos autoritários, indispensáveis num regime de cabresto.

Isso explica os ataques sem limite ao Partido dos Trabalhadores e a força social muito maior que ele integra. Iniciada pela derrota do regime militar, sustentado pelos antepassados diretos e indiretos que hoje tentam derrubar Dilma, ao longo de trinta anos o país assistiu a um esforço de reconstrução democrática que permitiu a representantes das camadas populares ter acesso a uma pequena fatia do poder de Estado, situação que autorizou medidas de combate a desigualdade estrutural, ao reconhecimento de direitos sociais, de classes, gêneros, raças. O resultado está aí. Encontra-se em risco, hoje, pelas suas realizações, não pelos fracassos. Não há como negar nem esconder, contudo, um progresso importante, que se pretende interromper e revogar.

O que se pretende neste domingo é escrever um capítulo  de retrocesso, um grande retorno. Para além de conhecidos papéis de sabor acadêmico, vagos e vazios,  numa retórica do fim de feira ideológica que alimenta nosso conservadorismo há décadas, na qual todos os gatos são monotonamente pardos, o plano verdadeiro nunca será explicitado, por razões óbvias.

Como em 1954, como em 1964, é cedo para quebrar o encanto e conhecer o truque. Mas surge aí, nítido, como um vulto, incapaz de esconder todo seu perfil atrás das sombras: a velha república conservadora, controlada pelo alto, pelo dinheiro grosso e políticos de voz fina, biografia recebida numa bandeja e ideias sob encomenda, inofensivos.  

O objetivo final é consumar um atraso histórico e arrasador. Sua natureza pode ser reconhecida pela atitude em relação a um personagem que, ao longo de todo dia de cada um dos últimos 30 anos  tornou-se símbolo de tantas coisas. Querem criar um país incompatível com Luiz Inácio Lula da Silva, o rosto que o homem da rua reconhece e sai de casa para defender, o arquiteto da conciliação, da negociação e dos avanços consertados.

A resistência à condução coercitiva de Lula – um ato de selvageria contra um político que deu provas frequentes de comportamento civilizadíssimo – deu início a uma mobilização inesperada. Naquele dia, foram registrados mais de 1000 atos de protesto pelo país. Outros atos ocorreram nos dias seguintes, promovidos por lideranças e cidadãos que compreenderam a necessidade de defender seus direitos. Na jurisprudência tenta-se transformar o exercício do direito de defesa em obstrução de Justiça. 

Este é o acontecimento decisivo. Parte de cidadãos que já compreenderam que até Lula, ou principalmente ele, tornou-se alvo de uma caçada implacável, covarde e altamente significativa dos tempos que se pretende impor aos brasileiros.  A estabilidade do governo Dilma também repousa aí.

Este é o jogo que o país enfrenta.       

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