“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”

Ontem acordei pensando no refrão do Hino da Proclamação da República; "Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós"; é uma síntese magnífica; a liberdade é um pássaro; ela sabe voar, mas também estende as suas enormes asas para nos proteger das tempestades; a liberdade é a nossa protetora, a nossa mãe gentil; corremos perigo sempre que ela é atacada, como está sendo nestes dias

“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”
“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”

Ontem acordei pensando no refrão do Hino da Proclamação da República: "Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós". É uma síntese magnífica. A liberdade é um pássaro. Ela sabe voar, mas também estende as suas enormes asas para nos proteger das tempestades. A liberdade é a nossa protetora, a nossa mãe gentil. Corremos perigo sempre que ela é atacada, como está sendo nestes dias.

Precisamos repetir essa frase mais do que nunca. Porque as asas da nossa liberdade estão sendo cortadas aos poucos, mas de forma lenta, gradual e segura. Cada dia um pouco.

As asas da liberdade de ensinar, as asas da liberdade de pensar e de escrever, as asas da liberdade de amar o outro sem medo, as asas da liberdade de contestar, as asas da liberdade de sermos donos dos nossos corpos, as asas da liberdade de crer ou não crer.

Todo dia procuro nos jornais algum sinal de que o próximo governo vai ser bom, de que alguma coisa vai ser melhor do que antes ou melhor do que nunca. Mas não encontro.

E não é por falta de boa vontade.

Nenhuma ideia, nenhum gesto, nenhum novo ministro brilhante, nenhuma luz no fim do túnel.

Os sinais apontam em sentido contrário. A liberdade que se quer impor é outra.

A liberdade de portar armas. A liberdade de atirar antes e perguntar depois. A liberdade de queimar livros. A liberdade de delatar professores. A liberdade de agredir os diferentes. A liberdade de impor suas ideias pela violência. A liberdade de caluniar. A liberdade de mentir. A liberdade de exterminar adversários políticos. A liberdade de destruir a imprensa independente. A liberdade de acabar com as liberdades dos outros.

Não podemos nos esquecer jamais que a verdadeira liberdade não é essa, mas a dos versos do poeta Medeiros e Albuquerque. A verdadeira liberdade não é a que rasteja, mas a que voa.

Seja um pálio de luz desdobrado,
Sob a larga amplidão destes céus.
Este canto rebel, que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!

Seja um hino de glória que fale
De esperanças de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar !

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou neste audaz pavilhão!

Mensageiro de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder,
Mas da guerra, nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.

Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

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