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Ronaldo Lima Lins

Escritor e professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ

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Lições de incivilidade

Está na hora de uma revisão total na política de ensino no Estado

Lições de incivilidade (Foto: Reprodução)

Uma vergonha! Quando se imaginava que se vira de tudo no Governo do Estado de Rio, acontece o pior. Não bastasse a Secretaria de Educação (melhor chamá-la, diante dos fatos, de Secretaria de Deseducação) haver trocado o nome do colégio, de Amaro Cavalcanti para Senor Abravanel!... A medida, arbitrária, foi tomada sem consultar ninguém, em total insensibilidade com a história do lugar. Verifica-se agora, ali mesmo, o impensável: uma agressão a estudantes, por um policial militar. Naquele prédio, supunha-se que o nome de um educador, jurista, ministro do Supremo Tribunal Federal, deputado, senador e prefeito do Distrito Federal, seria insubstituível. No entanto, um burocrata, com espírito de adulação, rebatizou o estabelecimento. Nada contra o empresário das comunicações, alguém que dirigiu programas de televisão durante anos e distraiu populações. Mas, como educador?!!! Tenham paciência!... Em abaixo-assinado, a comunidade pede, enfaticamente, o retorno do nome anterior.De repente, outro protesto de alunos, desta feita contra a Direção, degenerou. Chamaram a polícia. Não se convocam fardados para reprimir estudantes. Trata-se de uma combinação que nunca deu certo. A disputa dizia respeito a um professor acusado de assédio a uma aluna, caso, segundo se conta, indevidamente abafado. Para fortalecer sua posição, os discentes pediram o comparecimento da AMES (Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas) e do DCE (Diretório Central de Estudantes da UFRJ). A Direção se recusou a lhes dar acesso. Em vez disso, acionou a PM. Logo houve as agressões. Exigindo a entrega de celulares, o tenente Ricardo Telles Noronha Júnior passou das palavras à barbárie, inclusive com agressão a uma moça, para não falar num soco desferido contra um rapaz que a defendera. Vídeos divulgados flagraram o instante. Afastaram, posteriormente, o oficial. No entanto, o mal se achava consumado. O SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro) protestou, o mesmo acontecendo com as entidades estudantis. Na verdade, pela má condução dos acontecimentos, a Secretaria Educação (Deseducação!) deveria interditar a atual direção da escola. Não seria a primeira vez que o uso da PM no enfrentamento com estudantes resultaria em tragédia.

Na verdade, uma punição para o tenente soa insignificante como consequência do que se passou. Está na hora de uma revisão total na política de ensino no Estado. Devemos reconhecer que a influência do bolsonarismo contaminou comportamentos e concepções a ponto de quebrar a espinha dorsal do antigo e sempre importante relacionamento estudantes e poder público. Estupidez e civilidade não se combinam. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.