Lobos em pele de cordeiros

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Como poderíamos ser imitadores de Cristo?

Ministrando a palavra de Deus em púlpitos; criando auxílios emergenciais de 300,00 reais para parte de uma população praticamente faminta; ou aprovando projetos de lei como o de número 1581/2020, cuja matéria é perdoar a dívida das igrejas evangélicas brasileiras, de quase um bilhão, com a Receita Federal?  E o que Saulo de Tarso, ou melhor, Paulo de Tarso, o apóstolo de Cristo tem a ver com este questionamento?

Na realidade o rabi Saulo de Tarso (judeu) antes de perder a visão na estrada de Damasco, anos depois da crucificação de Jesus Cristo: perseguia os cristãos primitivos, inclusive tendo participado indiretamente do apedrejamento de Estevão. Estevão que à guisa do mestre Jesus, realizava curas, ao lado de Felipe, ambos diáconos escolhidos pelos 12 apóstolos originais.

Dentro da Igreja Primitiva de Jerusalém, Estevão era encarregado de cuidar da assistência às viúvas e outros necessitados. Ele foi perseguido pelo Sinédrio, ele foi considerado o primeiro mártir da Igreja católica. Foi perseguido por Saulo, que a época estava mui preocupado com as leis do Sinédrio; assembleia composta de 71 líderes judeus.

E o sábio e altruísta Estevão, depois de uma brilhante e contundente defesa perante o Sinédrio, foi condenado a morrer apedrejado. Ele pronunciou as seguintes palavras finais: “Estou vendo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé a direita de Deus.”.

E a narrativa bíblica nos relata (que anos depois do evento supracitado) Saulo de Tarso: de perseguidor torna-se perseguido; a partir de uma visão de Jesus (em espírito) quando seguia para executar um novo massacre aos cristãos: ele perde a visão, após vislumbrar a presença de um clarão de luz descomunal, que diz: “Saulo, Saulo, por que me  persegues?" a partir daí o implacável Saulo perde a visão durante três dias e nasce o apóstolo dos gentios: Paulo de Tarso, que inclusive trocou seu nome que significava “aquele que foi muito desejado” para Paulo "o pequeno”.

E foi este “novo pequeno homem” que proferiu: “Tornem-se meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Sim, Paulo de Tarso se tornou o apóstolo que disseminou o cristianismo primitivo mundo afora, inclusive, tendo sido preso, espancado e humilhado por inúmeras vezes; até o dia de sua execução.

E hoje, será que temos imitadores de Paulo de Tarso liderando as igrejas/empresas que “pregam” Jesus como salvador, ou os quantitativos reais divulgados por pesquisas fidedignas, que variam de montantes entre cinco bilhões e 250 milhões no caixa, demonstram o inversamente proporcional em termos de distribuição e assistência aos mais pobres?  

Será que ainda existem Estevãos e Paulos dentro das igrejas, para chamarmos de imitadores de Cristo?

Talvez os homens e mulheres que se encontram à frente da liderança evangelística, estejam imitando Saulo, o perseguidor dos fracos e oprimidos do mundo antigo: triste espetáculo, ocorrido em uma intitulada “Sociedade do Espetáculo”; título de um livro lançado em 1967 por Guy Debord (escritor marxista) e leitura obrigatória para os menos acautelados.

O salário mínimo e o auxílio emergencial são realmente um estupro, um mal que incrementa a desigualdade desumana social, e muitos de seus recebedores estão diluídos entre os 40 milhões de brasileiros entrincheirados e vendados pela ilogicidade de uma fé que (atualmente) elege e elege lobos em pele de cordeiro, para pastorear seus rebanhos em Sinédrios sumariamente corruptíveis: as Casas legislativas e os Templos caça-níqueis.

 “No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso”.  

Guy Debord

   “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso pai celeste”.

Jesus Cristo

   “A vida é um desenho, não morra como um rascunho”.

Valéria Guerra Reiter

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