Lula: “A gente pode construir um mundo de humanos mais humanos”

Merecem reflexão alguns dos conceitos embutidos nas falas de Lula em sua mais recente entrevista, ao grupo de jornalistas do Brasil 247. Essa foi a razão dessa breve compilação

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil 247)

Merecem reflexão alguns dos conceitos embutidos nas falas de Lula em sua mais recente entrevista, ao grupo de jornalistas do Brasil 247. Essa foi a razão dessa breve compilação. Não substitui a entrevista completa (nesse link), mas permite refletir sobre o queremos do país e sobre quem é e como pensa aquele líder brasileiro, alijado da disputa política e preso em Curitiba.

Os donos da Internet

“Eu acho que vocês [do Brasil 247] estão prestando um serviço à sociedade brasileira e tem que ficar muito alerta porque houve um tempo em que a gente acreditava que a Internet era totalmente livre, que a gente pode falar o que a gente quiser. É importante saber que nós temos quatro donos da Internet no planeta Terra… daqui a pouco essa gente diz o que você pode fazer e o que não pode fazer… nós precisamos ter uma regulação muito séria, muito democrática, porque é preciso que a gente separe as coisas boas, das maledicências que são veiculadas todo santo dia…”

O poder da Internet

“Nós pensamos que estamos utilizando a rede, mas, na verdade, nós viramos um produto. O que mais me assusta é que, aos 74 anos, eu vou descobrir que eu não sou um ser humano, eu sou um algoritmo. E que tem um cara que não me conhece e quer falar por mim, que manda o cara votar assim ou assado, que sabe o que eu quero comprar, é uma loucura.”

Obama podia muito pouco

“O Obama, me parece, também podia muito pouco. Era fantástica a capacidade do Obama de fazer belíssimos discursos e, no dia seguinte, não acontecia nada, nada e nada. Eram discurso maravilhosos, mas que não tinham nada de praticidade… você sabe que o Departamento de Estado americano é muito poderoso. É por isso que o secretário de Estado sempre é mais poderoso do que o presidente da república. Eu acho que o Obama era um bom homem. Quando eu fui visitar o Obama … eu saí de lá com uma dúvida: não tinha ninguém parecido com ele na reunião. Eu falei: ‘esse cara não tem ninguém com a cara dele aqui’.”

Rediscutir papel da ONU

“Eu acho que em algum momento a gente vai ter que rediscutir o papel das Nações Unidas. Acho  que, aos poucos, a gente vai ter que chegar próximo de uma governança mundial porque em alguns assuntos as Nações Unidas tem que tomar decisões e todos nós teríamos que levar muito a sério. Porque, se você não tiver uma referência que junte os cacos… você fica brincando de guerra, entre Estados Unidos e China… uma guerra hoje irá reduzir esse planeta a fumaça….”

Paz

“Nós precisamos de paz. Paz. A paz está intimamente ligada ao crescimento econômico, ela está intimamente ligada à distribuição de riqueza, ela está intimamente ligada ao desenvolvimento. Somente com paz, o presidente não tem que ter a cabeça pensando em outra coisa, a não ser no bem-estar do seu povo. É isso, Mauro, que a gente tem que construir nesse século XXI.”

Sociedade passiva (A sociedade está muito quieta)

“A sociedade brasileira não pode ficar passiva vendo eles venderem o país. Vender aquilo que foi construído com suor e sangue do povo brasileiro.”

Respeito pelo Brasil

“Eu acho que o Brasil não se respeita na sua relação internacional. E é por isso que o Brasil é tratado como se fosse uma coisa pequena e esse país é muito grande.”

Quem tá tocando fogo

“Quem está tocando fogo [na Amazônia] são os eleitores dele [de Bolsonaro], empresários que querem queimar. É isso… é gente de sangue ruim, gente que quer matar índio. É gente que quer matar pobre. Quando você faz um decreto dizendo que o cara pode comprar um fuzil para ter dentro de casa, quem é que pode comprar um fuzil neste país? É rico! Então o que ele está dando é autoridade para rico matar pobre.”

Soberania como pauta agregadora

“De vez em quando, eu acho que nós perdemos a vontade de nos indignar. É é por isso que eu coloco a questão da soberania como a questão capaz de unificar… a esquerda via se unir em torno do que? Como é que no futebol você une a torcida do Vasco e do Flamengo, e a do Corinthians e do Palmeiras? É quando você convoca a seleção. Aí torcedor do Corinthians vai ao estádio e não vai vaiar o cara da seleção que é do Palmeiras, o cara do Flamengo não vai vaiar o cara do Vasco que é da seleção. Então como é que a gente consegue unificar a esquerda? É se a gente construir um instrumento de unificação, porque se pensar em 2022, tem muito candidato não vai unificar. Se pensar na prefeitura tem muito candidato. Você vai unificar? Construa um programa de soberania nacional, colocando dentro da soberania não apenas a defesa do petróleo, do gás, do óleo, da Petrobras, do Banco do Brasil. Você tem que defender os interesses soberanos de uma nação 90:08

soberana, uma nação que gosta de andar de cabeça erguida, uma nação de orgulho do seu país, uma nação que tenha o exercício da democracia como o direito fundamental, não como um direito secundário.”

Embargo é pior que guerra

“O Irã é um país muito importante, não apenas do ponto de vista da população, mas do ponto de vista da sua cultura e eu quero que o Irã não sofra as consequências de um embargo, porque o embargo é pior do que a guerra. A guerra você mata a soldados e no embargo você mata crianças, você mata velhos, você mata doentes”

Muro da vergonha em Israel

“Eu me dei conta de que o mundo já teve lideranças muito, muito mais competentes, de direita e de esquerda, mas gente que sabia tratar sabe de política externa. Então eu acredito muito, eu acredito muito que, sabe, um país como o Brasil tem poder de ser protagonista internacional. Eu saí daqui para ir a Israel. Me deram o conselho, não vai porque você vai ser maltratado em Israel. Pegue o discurso que eu fiz no congresso israelense, que todo mundo achou que ia ser vaiado e eu fui aplaudido, porque eu fui lá para dizer a verdade, porque o muro que está construído é o muro da vergonha, é o muro da vergonha. Quem tinha vergonha do muro de Berlim, vá ver o muro lá em Israel, que separa os palestinos de judeus.”

Primeira coisa quando sair

“Você conhece a síndrome de Estocolmo? Eu vou ficar com saudade. Eu vou ter que fazer um acordo de levar muita gente daqui da Polícia Federal para me visitar toda semana. Meus advogados, que vêm todo dia, há 500 dias aqui, vão ter que se mudar para São Bernardo e, todo dia, vão ter que chegar na minha casa, bater e entrar na sala e tomar um cafezinho… a minha primeira coisa é ir naquela vigília, dar um beijo em cada pessoa, fazer os meus agradecimentos e tomar uma boa duma cachacinha.”

Guerra híbrida

“Eu acho que nós não paramos para estudar, com uma certa profundidade, o que que foi junho de 2013 nesse país. Os mais inocentes como eu, que escrevi um artigo para o New York Times dizendo que o povo estava na rua porque o povo queria mais…Você acha que aquele movimento todo ia surgir no Brasil por causa de 20 centavos no preço do ônibus. Um inocente pode acreditar que foi aquele movimento do transporte livre lá que criou aquilo. Eu estou convencido, estou convencido que aquele fazia parte da mesma lógica da primavera árabe.”

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