Lula deve ser preso – e precisa definir sua chapa com urgência

O lulismo é muito maior que o petismo. Lula deve seguir como plano A, mesmo se for preso, e continuar a angariar votos até a data do registro da candidatura no TSE. Mas com uma possível chapa definida, seu eleitorado já saberia para onde migrar em sua ausência

O lulismo é muito maior que o petismo. Lula deve seguir como plano A, mesmo se for preso, e continuar a angariar votos até a data do registro da candidatura no TSE. Mas com uma possível chapa definida, seu eleitorado já saberia para onde migrar em sua ausência
O lulismo é muito maior que o petismo. Lula deve seguir como plano A, mesmo se for preso, e continuar a angariar votos até a data do registro da candidatura no TSE. Mas com uma possível chapa definida, seu eleitorado já saberia para onde migrar em sua ausência (Foto: Guilherme Coutinho)

As últimas pesquisas nos permitem ter uma boa visão do panorama eleitoral no Brasil a 7 meses da eleição. Lula lidera com muita folga em todos os cenários, inclusive em simulações de segundo turno. Participando das eleições, certamente sairia vitorioso, consagrando a hegemonia das esquerdas na preferência popular que já dura 20 anos. No entanto, no cenário sem Lula, Haddad, o outro nome cogitado para o PT, não chega a 3 % das intenções de voto. Os números são claros: o lulismo é muito maior que o petismo. E antes que a mordaça injusta do cárcere impeça Lula de falar, ele precisa indicar sua chapa. Ainda que não abra mão de encabeçá-la.

Com a negação de seu habeas corpus pelo STJ, Lula acumulou seu terceiro revés seguido na Justiça. Outros muitos provavelmente virão. As instituições estão funcionando a serviço do golpe e Lula, como já foi exaustivamente denunciado, é vítima de lawfare. Muito em breve, o maior líder popular e líder em todas as pesquisas deverá ser preso em uma operação espetaculosa, que, certamente, será transmitida ao vivo e comemorada pela classe média como um gol de Neymar. Mas depois do barulho virá o silêncio. De dentro de uma cela na sede da Polícia Federal, Lula não poderá ser ouvido ou fazer campanha para um provável substituto. Um vice, por exemplo, poderia ser encarado como suplente, ainda que isso não seja dito de forma expressa pelo PT.

Lula deve seguir como plano A, mesmo se for preso, e continuar a angariar votos até a data do registro da candidatura no TSE. Mas com uma possível chapa definida, seu eleitorado já saberia para onde migrar em sua ausência. Se Haddad – e não se sabe se será esse o nome – tem uma expressão eleitoral tão diminuta, isso se deve ao fato de Lula ainda não expressado publicamente nenhum tipo de apoio. A possibilidade de Lula ser impedido pela justiça de ser eleger – que é enorme – precisa ser encarada com mais seriedade pelo partido, para que esse não seja pego de surpresa com um japonês ou um hipster batendo na porta de Lula às 5h da manhã.

“Se eles acham que eu não sirvo mais como cabo eleitoral, eles que testem para ver”. Ouvi essas palavras do próprio Lula em um evento com as lideranças do PT há 5 meses, em Brasília. Ele sabe que pode, injustamente é verdade, ter sua participação nas eleições reduzida a cabo eleitoral. O PT precisa então ter um nome que Lula apoie e confie, que componha chapa com ele, para agregar os votos nessa possibilidade. Assim o jogo fica mais claro e evita que os votos de Lula migrem, por exemplo, para um Ciro Gomes da vida, ou um outro candidato ainda mais à direita.

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