Lula, do presídio à presidência

Lula é a esperança de um novo amanhecer, sairá da prisão para a Presidência da República do Brasil. Isso dependerá de uma organização que tem objetivos e estratégias claras e bem definidas

Lula é a esperança de um novo amanhecer, sairá da prisão para a Presidência da República do Brasil. Isso dependerá de uma organização que tem objetivos e estratégias claras e bem definidas
Lula é a esperança de um novo amanhecer, sairá da prisão para a Presidência da República do Brasil. Isso dependerá de uma organização que tem objetivos e estratégias claras e bem definidas (Foto: José Rainha Júnior)

A história não falha e não se repete como tal, pois se isso acontecer é o extraordinário acontecendo na natureza; o que a ciência levara milhares de anos para explicar. Quando alguém não tem um método para seguir em frente, a história por si só nos ensina a construir um método para a luta seguir em frente, porque assim como a vida a luta tem que ser construída sobre as leis da dialética, tudo está sobre mutação e em transformação.

Hoje nos deparamos com uma realidade muito difícil, tem momentos que pensamos se vamos ter capacidade de seguir em frente porque são muitas injustiças, perseguições e difamações contra os lutadores do povo. Talvez em nossa história foram poucos momentos vividos assim. Podemos até dizer que o regime militar foi cruel, torturou e assassinou inocentes, é verdade tudo isso e muito mais, mas a esquerda diante da dura realidade encontrou um método de reagir e foram para os enfrentamentos armados porque os dirigentes tinham ideologia da luta de classe e uma análise da realidade e se lançaram a luta armada com a convicção que não havia outras alternativas para enfrentar o regime militar, era a busca na Revolução a construção da democracia e do socialismo. A tarde de 7 de abril de 2018 ficará em história, o dia que a vontade e a determinação das massas não foram levadas em conta pelos dirigentes, mais uma vez prevaleceu a conciliação sobre a ótica dos que querem dirigir a luta do povo fora do povo e sem o sentimento do povo, como disse o senador Lindbergh Farias “o Lula queria a resistência, mas prevaleceu o argumento dos advogados que as cortes jurídicas vão dar a liberdade ao Lula”.

Tivemos um problema sério ao conquistar a nossa democracia em 1985, saiu um General assassino corrupto e entrou um civil de gravata representante da Burguesia, a esquerda perdeu a sua referência da luta de classe da revolução e se lançaram em uma corrida eleitoral na busca do voto para alcançar o tão sonhado poder. Nunca pensaram que o poder.

Não significa chegar ao comando do Estado. Ser deputado, senador, governador, prefeito, isso tudo foi conquistado, só faltava a presidência da república que foi conquistado em 2002. Nossos dirigentes nunca se preocuparam que o poder tinha um dono, que manda e decide de como se deve funcionar o Estado, a Burguesia jamais iria aceitar que o Brasil tivesse algumas referências no senário da América Latina e no mundo. Pois bem, Lula não foi só a ideia de fazer o Brasil ser esta referência, Lula conseguiu colocar o Brasil entre as potências e se tornar uma referência para os outros países que tinham e tem interesses diferenciados do Império Americano, portanto esta referência poderia ser exercida por qualquer um menos por ele, um operário pobre e semianalfabeto e com uma liderança de luta e de inspiração nas massas pobres e miseráveis espalhadas por todos rincões de nosso Brasil.

Hoje querendo ou não todos as inspirações de esquerda e de centro, progressistas, religiosos, ateus, espíritas, operários, camponeses, índios, negros e toda classe trabalhadora tem uma referência no Lula e no PT, porque a referência de Lula está na carne e na alma de milhões de trabalhadores e do povo de modo geral. O golpe que a direita deu para derrubar a Dilma infelizmente não foi entendido até hoje pela cúpula do partido, que ao invés de se apoiar nas massas que foram as ruas e ouvi-las, preferiu escutar os pequenos burgueses encastelados nos gabinetes que ao invés da resistência entregaram a cabeça do Lula em uma bandeja para os golpistas e não deixaram o povo escrever a sua história com os seus próprios sangues. É de doer quando se ouve um burocrata deste dizer “entregamos o Lula para não ver um derramamento de sangue”; Derramamento de sangue está acontecendo todos os dias com assassinatos de lideranças com os massacres de camponeses, com os miseráveis que se encontram dentro dos presídios vivendo em situação pior que animais nos troncos. Onde está a coerência, o sentimento e as convicções destes dirigentes da esquerda?; ou eles pensam que a liberdade será conquistada com leite e mel? 

O que nos resta agora é acreditar que a direção do partido encontre um método que possa em um curto tempo tirar o Lula da cadeia, mas só no campo jurídico não será tão simples assim. A batalha vai ser de longo prazo, daí que se faz com urgência deixar as vaidades e os egos de lado, bem como as demandas eleitorais. É  hora de concentrar as forças na construção de um método de trabalho de agitação das massas com cartazes, panfletos  que possa elevar a consciências das massas dispersas nas periferias, convocá-las para descer os morros, explicar o verdadeiro objetivo do golpe, acirrar as lutas, fazer o enfrentamento de classe, temos que ultrapassar  as fronteiras, ainda que não seja para se fazer a revolução mas, para fazer a história voltar nos trilhos da linha do tempo, assim como foi a história de Nelson Mandela  que depois de 20 anos em um cárcere conquistou sua liberdade e se tornou presidente da África do Sul. Lula é a esperança de um novo amanhecer, sairá da prisão para a Presidência da República do Brasil. Isso dependerá de uma organização que tem objetivos e estratégias claras e bem definidas.

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