Lula é a autoestima dos brasileiros

Sociólogo Emir Sader recorda a tradição de ex-presidentes de se referirem de maneira pejorativa ao povo brasileiro, como João Figueiredo, que preferia o "cheiro de cavalo" ao cheiro do povo, ou Fernando Henrique Cardoso, que chamou os aposentados de "vagabundos"; a prática foi quebrada, conta ele, com a ascensão de Lula ao governo: "Lula contribuiu como ninguém para elevar a autoestima dos brasileiros"; "Além disso, o sucesso dentro do Brasil e no plano internacional, do seu governo, como líder mundial na luta contra a fome e as desigualdades sociais, recuperou a imagem do país para os próprios brasileiros, acostumados a descrer do seu país", avalia; para Sader, a direita tenta derrubar Lula porque sabe que ele "recorda o melhor momento vivido pela história do Brasil e pelos brasileiros"

Sociólogo Emir Sader recorda a tradição de ex-presidentes de se referirem de maneira pejorativa ao povo brasileiro, como João Figueiredo, que preferia o "cheiro de cavalo" ao cheiro do povo, ou Fernando Henrique Cardoso, que chamou os aposentados de "vagabundos"; a prática foi quebrada, conta ele, com a ascensão de Lula ao governo: "Lula contribuiu como ninguém para elevar a autoestima dos brasileiros"; "Além disso, o sucesso dentro do Brasil e no plano internacional, do seu governo, como líder mundial na luta contra a fome e as desigualdades sociais, recuperou a imagem do país para os próprios brasileiros, acostumados a descrer do seu país", avalia; para Sader, a direita tenta derrubar Lula porque sabe que ele "recorda o melhor momento vivido pela história do Brasil e pelos brasileiros"

Cada governo tem sua forma de interpelar ao povo, de se referir a ele, de jogá-lo para cima ou para baixo. Não por acaso governos antipopulares colecionam frases que rebaixam a autoestima do povo.

João Figueiredo notabilizou-se por isso. Entre outras frases, aquela em que ele dizia que o cheiro de cavalo era melhor que o cheiro do povo, foi característica desse desprezo pelo povo. Uma desqualificação como essa tem como discurso subjacente que um povo assim não poderia se dirigir, tinha que ser dirigido e com mão forte.

Fernando Collor jogou a imagem do Brasil para baixo e, com ela, a dos brasileiros, ao centrar seu discurso em duas desqualificações: os automóveis fabricados no Brasil eram carroças e os funcionários públicos eram marajás, ganhavam muito e não trabalhavam. Decorria daí que haveria que abrir a economia para a importação de produtos de última tecnológica e havia que enfraquecer o Estado, gastando menos com salários e despedindo funcionários.

FHC ficou conhecido, nesse plano, pela agressão aos professores – quem não conseguia sucesso em outras profissões, se dedicava ao magistério – e aos aposentados – preguiçosos, não gostam de trabalhar, expressão estendida a todos os funcionários públicos.

O governo Lula não apenas mudou o programa de governo – "colocando os pobres no orçamento", ele como costuma dizer -, como alterou as formas de interpelar aos brasileiros e, em particular, ao povo. É preciso lembrar que, depois de um presidente – Washington Luís – que dizia que "questão social é questão de polícia" – Getúlio não apenas mudou radicalmente o programa de governo, como passou a começar seu discursos interpelando os brasileiros como "Trabalhadores do Brasil".

O governo representou a maior inflexão nas políticas de governo no Brasil, ao colocar a prioridade nas políticas sociais, e promover o maior processo de democratização social que o país já viveu, como também mudou radicalmente a relação entre o povo e o presidente, e a própria relação com a imagem do Brasil.

Ao incorporar ao país as grandes camadas sempre excluídas da população, Lula permitiu que elas redefinissem a relação com um Estado que até ali as desconhecia, não reconhecia seus direitos e que só chegava a elas de maneira negativa – via de regra pela polícia e pela repressão. O reconhecimento de um presidente que vinha das camadas mais marginalizadas e reprimidas – nordestino, operário mecânico, sindicalista -, Lula contribuiu como ninguém para elevar a autoestima dos brasileiros.

Além disso, o sucesso dentro do Brasil e no plano internacional, do seu governo, como líder mundial na luta contra a fome e as desigualdades sociais, recuperou a imagem do país para os próprios brasileiros, acostumados a descrer do seu país. Nunca a imagem do Brasil no mundo foi tão prestigiada e nunca os brasileiros acreditaram tanto no Brasil.

A direita sabe que só pode triunfar sobre um povo desmoralizado e descrente no país, que acredite que o país não dá certo e que os brasileiros são corruptos. Um fenômeno que viria de longe, que estaria tão arraigado no país, como afirmam sociólogos de meia tigela, que se prestam para a degradação da imagem do país diante do povo, que trabalha, vive do seu trabalho, não é corrupto, e que constitui a maioria esmagadora da população.

A imagem de Lula, que reapareceu diante dos brasileiros depois da fracassada tentativa de detê-lo, no dia 4 de março, depois na espetacular manifestação da Avenida Paulista e nas intervenções que ele tem feito – como aquela para os sindicalistas, no dia 23 de março -, simboliza para os brasileiros sua própria autoestima. Enquanto houver esperança de que o Lula volte a dirigir o país, que desde agora, apoiando o governo da Dilma, se possa resgatar este para uma política econômica "de esperança", como disse ele, os olhos do povo voltam a brilhar. Lula recorda o melhor momento vivido pela história do Brasil e pelos próprios brasileiros.

Por isso a direita insiste em querer destruir a imagem do Lula, que é destruir a própria autoestima dos brasileiros. Sem o que um regime de força, antipopular, que trate de impor de novo políticas conservadoras, não consegue triunfar.

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