Lula: imbecil e canalha?

Goldman não é um canalha, é honesto, mas está cego pelo desespero de ver seu partido se liquefazer. E não é um imbecil, apesar de ter se descontrolado ao publicar um texto que mancha seu passado e estimula o preconceito que ele diz não estimular

Quem conhece a trajetória de Alberto Goldman deve ter se assustado com a publicação em seu blog (leia aqui) de dois xingamentos a Lula. A total destemperança do tucano vice-presidente do PSDB tem cheiro de coisa adolescente, de garoto acostumado com o anonimato da web. Lembra justamente os posts preconceituosos contra os nordestinos. Acontece que Goldman não é anônimo, muito menos garoto, por isso assusta. Segundo Goldman, Lula é canalha porque usou do exemplo nazista para falar do ódio aos nordestinos incentivado pelos apoiadores de Aécio. Canalha porque essa fato seria mentiroso, e canalha ainda porque o exemplo nazista é forte demais para ser usado no caso. 

Como será que Alberto Goldman considera o grupo DIGNIDADE MÉDICA que propôs aos médicos do nordeste um holocausto para acabar com o povo de lá? Ou posts carregados de ódio, um após o outro, falando da desgraça que é o Brasil ter que aturar a existência do nordeste e dos nordestinos? De onde viria tamanho ódio? Por quais motivos o candidato Aécio Neves consegue tanto apoio justamente entre essa gente que destila um ódio preconceituoso contra pobres e nordestinos?  Acaso? O PSDB não tem nada a ver com esse movimento? O comentário altamente esclarecedor do príncipe dos sociólogos, deve ter algo a ver com a conquista desse tipo de apoio: “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados". 

É preciso destrinchar o discurso do príncipe: o que ele esclarece, afinal, é que o voto em Dilma, portanto no PT, é de ignorantes das coisas da política, pobres coitados que estão levando o país ao caos por um governo corrupto e incompetente que usa a distribuição do Bolsa Família para comprar votos e alimentar vagabundos. Se não é este o teor do discurso tucano, pela boca do seu príncipe, ele deveria ter deixado claro, porque assim ele foi interpretado em todas as redes sociais pelos que apoiam Aécio. Afinal, foram quatro anos de um verdadeiro massacre liderado pelas estrelas tucanas à frente da campanha midiática, tendo o teatro do mensalão como cenário, para afirmar que o governo Dilma é sinônimo de incompetência, corrupção e compra de votos com os programas sociais. 

Dizer, portanto, que o PSDB não instigou o ódio aos pobres e nordestinos, é falso. Lula tem a mais absoluta razão. Goldman sabe melhor que ninguém que o ovo da serpente não pode ser alimentado, não pode ser acalentado.  A ação canalha está, na realidade do outro lado: é quando o um homem com a história de Alberto Goldman, suja seu passado, em uma acusação destemperada com a mesma conotação dos apoiadores de Aécio, uma acusação carregada de ódio a um nordestino que mudou a história do Brasil. Um excelente exemplo, vindo de um ex-comunista, para apoiar os posts preconceituosos que inundam a web. 

Mas há mais. Imbecil. Seria Lula um imbecil porque comparou a Dilma de 20 anos com um Aécio de 10 anos? Ou Goldman se recusa a entender que a comparação é com a Dilma guerrilheira e um Aécio playboy do Leblon? Goldman quer esconder que Aécio foi educado nas mordomias das elites mineiras, usando e abusando das "facilidades" da família? Um rapaz com essa educação, que sequer conhecia o local onde "trabalhava", quando adulto considerou absolutamente normal construir um aeroporto nas terras do titio. Quem é imbecil? Não creio que a idade tenha afetado Goldman. O problema é outro.

A causa real de tamanha destemperança é Goldman ter assistido Bresser-Pereira, fundador do PSDB, declarar seu apoio a Dilma por ter visto o partido que ajudou a construir ir para a direita do espectro político. É também o desespero de não entender como é possível Dilma e o PT receberem tanto apoio popular depois do massacre midiático por eles promovido. É o desespero de ter sido obrigado a assistir, todo santo dia, a propaganda de Dilma mostrando que o Brasil - que eles não queriam ver - mudou, ficou melhor, mais bonito, cheio de perspectivas. 

Goldman não é um canalha, é honesto, mas está cego pelo desespero de ver seu partido se liquefazer nesta campanha. E não é um imbecil, apesar de ter se descontrolado ao publicar um texto que mancha seu passado e estimula o mesmo preconceito que ele diz não ter estimulado. Mas perdeu a seriedade que a sua história e sua idade deveriam ter-lhe conferido.

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