Lula livre empolga lideranças democráticas no mundo inteiro e deixa bolsonaristas mais raivosos

A liberdade de Lula, ainda que não definitiva, mexeu com o quadro político não só no Brasil, mas também no mundo todo

A liberdade de Lula, ainda que não definitiva, mexeu com o quadro político não só no Brasil - que lotou ontem as ruas de Recife - mas também no mundo todo e teve uma recepção importante entre as principais lideranças políticas de esquerda, centro-esquerda e até entre sociais-democratas do mundo, como Bernie Sanders (USA), Malenchon (França) e Jeryme Corbyn (Inglaterra). As declarações de Alberto Fernandes e Cristina Kircher, antes e depois da espetacular vitória no primeiro turno das eleições argentinas neste mês, sobre a importância de Lula, sem dúvida mostram o seu impacto no jogo político internacional.

Por outro lado, as reações de Steve Bannon, o ideólogo e estrategista da extrema direita mundial, afirmando que Lula é a principal liderança da esquerda mundial, foram uma senha para o recrudescimento das elites econômicas e estamentos estatais que as apoiam, nos "quintais" da América Latina, seja através de um golpe e repressão pura como na Bolívia, na insistência de Piñera no Chile em manter políticas neoliberais e ativar a repressão violenta, seja pelo retorno dos fascistas da Venezuela com a invasão da embaixada e nas ruas em Caracas e nas absurdas medidas de Paulo Guedes e de Bozonaro com o aprofundamento das medidas de retirada de direitos e precarização do trabalho, como essa famigerada carteira verde-amarelo e com o fim do DPVAT que retirará R$ 2 bilhões ao ano do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Internamente, a liberdade ainda que provisória de Lula é uma tentativa do Sistema para equilibrar o jogo político, principalmente após o escândalo da Vaza Jato, que escancarou o conluio de Moro e Dallagnol com manobras para prender e tirar Lula das eleições de 2018 e afastá-lo da cena política e pela barbárie representada pela familícia Bolsonaro e suas ligações com os crimes das milícias. Mas, evidente que esse Sistema quer e tenta manter o Lula e o PT sob "controle", através da pressão da mídia e ainda do Judiciário. Se isso não der certo, a repressão vai comer solta como no Chile, Equador, Peru, Bolívia, não tenho dúvidas.

A Vitória mesmo apertada e provisória de Lula no STF, que significou uma derrota parcial para Moro, para a Lava Jato, para a Globo e para a Familícia e demonstra um racha na elite que hoje manda no País. As forças que os apoiam não vão deixar barato, como demonstraram as mobilizações de ontem, mesmo que fracas e os ataques de fakenews que ainda sustentam Bolsonaro. Irão a todo momento tentar criar fatos ou conjunturas para desqualificar e/ou enfraquecer as mobilizações que possam enfraquecer suas posições ou fortalecer Lula e o PT.

Faz parte desse jogo a queda de braço entre o presidente do STF e a turma da Lava Jato. A requisição, por parte de Toffoli, de dados de 600 mil contribuintes graúdos do antigo COAF, seria um recado mais duro à Dallagnol e seu bando: parece que houve conluio ilegal entre a Receita Federal e os procuradores para acessar seletivamente as movimentações de pessoas non gratas para uso de chantagem explícita. Tudo indica que Tofolli e outros colegas seriam ou já foram vítimas desse esquema. Em todo caso, temos que aguardar o que sai nos próximos dias.

E a turma do anti-petismo ainda conta com a movimentação e os ataques de Ciro Gomes, muito importante, por conta da sua estratégia a longo prazo. Ciro Gomes é um pré-candidato do neoliberalismo para tirar votos da esquerda e também alimentar, com a polarização com Lula e PT, o voto branco, nulo e abstenção. Isso já ocorreu em 2018 e o que ilustra isso foi sua tentativa de obter aliança com o DEM. Ciro está aprofundando essa estratégia agora, ainda mais com Lula livre, para tentar vencer o risco de ficar na insignificância política total.

Com Lula em liberdade e nas ruas, as esquerdas e principalmente o PT, ganham uma voz forte para dialogar com a parte do País que não é bolsonarista e denunciar a política econômica de Guedes/Bolsonaro que fatalmente levará ao desastroso empobrecimento da população e enfraquecimento dos instrumentos do Estado para planejar políticas públicas estruturantes e apontar caminhos alternativos.

Mas, o PT e demais partidos, além do movimento sindical e popular, não podem ficar só na dependência do Lula (aliás, a que se tomar medidas de segurança para preservar sua integridade e sua vida) precisam 1- apoiar as mobilizações de resistência das entidades e setores sociais prejudicados; 2-enfrentar as fakenews bolsonaristas com produção de informações verdadeiras; 3- fazer a “operação Mano Brown” - que na campanha passada afirmou que o PT se distanciou do povão e que era preciso haver uma reconexão - que é ir lá na periferia, nos rincões onde o povo mais pobre e trabalhador pena e apoiar suas lutas, ajudando-o a se organizar, fazer formação política, formar núcleos de base, conscientizar e 4- casando esse trabalho com a luta institucional, nos parlamento e no Judiciário, de obstruções, denúncias e enfrentamentos.

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