Lula livre, Lula candidato, Lula presidente. É Lula ou nada

Não sei o qual a decisão o STF irá tomar nesta semana, e quais as consequências. Se Lula é solto, vão tentar impugnar sua candidatura e se não conseguirem vão tentar cancelar as eleições. Se Lula continuar preso, temos que seguir na campanha Lula Livre, e registrar sua candidatura no dia 15 de agosto e partir pra campanha eleitoral

10 05 2017 Curitiba PR Brasil o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante Ato jornada pela democracia em Curitiba Fotos Ricardo Stuckert
10 05 2017 Curitiba PR Brasil o ex presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante Ato jornada pela democracia em Curitiba Fotos Ricardo Stuckert (Foto: Keiji Kanashiro)

Hoje completa um mês de prisão do Lula, e lideranças da esquerda e do PT inclusive, ainda insistem na discussão agora de um plano B, e chegam ao absurdo de considerarem a possiblidade de um plano C, como vice de Ciro. Como disse a presidente Gleici, Ciro não passa na base do partido nem com reza brava. Mas a questão de fundo a meu ver, é que a esquerda ainda tem dificuldades de combinar sua estratégia revolucionária com uma tática reformista. Como combinar a derrubada do golpe e a campanha eleitoral de 2018. Como avançar na campanha pela libertação de Lula e seguir normalmente com as campanhas de candidatos a deputados estaduais, federais senadores e governadores, como se estivéssemos em plena democracia. Como defender que eleição sem Lula é fraude e ao mesmo tempo discutir alternativas caso Lula seja impedido.

Os partidos de esquerda e o PT em especial, não podem cair no engodo de discutir antecipadamente, antes dos fatos acontecerem. Lula está preso e está acontecendo nestes dias uma votação no STF que poderá libertar Lula nos próximos dias. Mas como disse Gilmar Mendes, Lula será solto, mas será impedido de disputar as eleições. Também tem uma nova denúncia da PGR que poderá resultar em outro mandado de prisão. Tudo pode acontecer, e quando algumas destas hipóteses se confirmarem, aí sim temos que discutir o que fazer. Se por um lado os golpistas divididos e fragilizados não conseguem sequer viabilizar um candidato para enfrentar o candidato de extrema direita, que não interessa ao capital financeiro nacional e internacional, por outro nós temos Lula liderando todas as pesquisas para presidente da república.

As manifestações pela libertação de Lula no Brasil e no exterior, a campanha crescente pela sua indicação ao Premio Nobel da Paz, a repercussão da sua prisão e as denuncias quanto aos abusos das autoridades brasileiras na imprensa internacional, talvez influam nas próximas decisões do STF quanto ao respeito à Constituição. O que nos anima e apavora a direita, é que Lula mesmo preso comanda o processo político país. A recente visita de Wagner, pivô da última polêmica do plano C, junto com a Gleici demonstra claramente que ele continua dando as cartas e pacificando o partido. O importante é que Lula acredita na justiça e que será solto porque é inocente. Ele sabe da sua responsabilidade com o país e que é as esperança de milhões de brasileiros que querem a sua volta a presidência do Brasil. Ele também tem consciência que se houver eleições livres em outubro, ele irá propor uma aliança com os partidos de esquerda e de centro esquerda, setores nacionalistas e até setores empresariais nacionais, que já começam a aderir á campanha pela sua libertação.

Se isso acontecer, será o momento de conversar com o Ciro, que foi seu ministro e coordenou um dos mais importantes projeto de seu governo que foi a Transposição do Rio São Francisco, e com certeza poderá contribuir novamente com o país. O problema do Ciro é não entender que ele é sim um "puxadinho do PT", que sua trajetória política em sete partidos diferentes, e que deveria ter a humildade de reconhecer que foi o presidente Lula quem mais o apoiou.

Agora não podemos ser ingênuos em acreditar que Lula será solto, será candidato, será eleito e tomará posse numa boa. A história nos mostra que o imperialismo na lei ou na marra, fará tudo para impedir que Lula volte a governar o Brasil compromissado com a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para reforma do Estado e um Plebiscito Revogatório para cancelar todas as medidas lesa pátria feita por este governo golpista nestes últimos três anos contra a soberania nacional. Não podemos esquecer que o imperialismo conta com seus representantes no Brasil, que seu homem de confiança, principal articulador do golpe de 2016 FHC, se reuniu com Temer no primeiro de maio, e continua articulando a continuidade do golpe. Quando Juscelino foi eleito em 1956, antes da sua posse setores da direita tendo como porta voz o jornalista e deputado Carlos Lacerda, tenta anular as eleições alegando que JK tinha sido eleito por uma minoria dos votos (36%) e que deveriam ser convocadas novas eleições.

Essa posição é acompanhada por setores das Forças Armadas, e quando o General Mamede faz um pronunciamento público em apoio ao golpe, numa situação complicada em que o presidente interino Café Filho por razões de saúde passa a presidência para o deputado Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados, que era declaradamente contra Juscelino. Se não fosse a intervenção firme do General Lott, um militar nacionalista, ministro do exercito não haveria posse. Duas semanas após a posse o Major Veloso e alguns oficiais da aeronáutica tentam organizar uma rebelião para derrubar o governo. Vale lembrar da declaração recente do Comandante do Exército General Villas Boas, no dia do julgamento do Habeas Corpus do Lula no STF; que o presidente da Câmara dos Deputados e candidato pelo DEM à presidência da república é o Rodrigo Maia e que hoje temos um candidato militar a presidência da república de extrema direita que incentiva seus seguidores ao ódio e violência que é o Bolsonaro.

Não sei o qual a decisão o STF irá tomar nesta semana, e quais as consequências. Se Lula é solto, vão tentar impugnar sua candidatura e se não conseguirem vão tentar cancelar as eleições. Se Lula continuar preso, temos que seguir na campanha Lula Livre, e registrar sua candidatura no dia 15 de agosto e partir pra campanha eleitoral. Agora, em minha opinião isso só será possível, se conseguirmos organizar grandes manifestações pelo país afora, na preparação de uma grande manifestação em Brasília. Se as centrais sindicais começarem a organizar greves de protesto contra a prisão de Lula na preparação de uma Greve Geral que paralise o país. O resgate da democracia no Brasil passa necessariamente pela libertação do Lula e pelas eleições livres para presidente da república. É Lula ou nada.

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