Lula não é comunista, nem socialista

Assim sendo, um possível retorno de Lula à presidência, será uma nova oportunidade para estabilizar o país. Mas essa estabilização não pode cometer os mesmos erros que foram cometidos. É preciso fazer mais

www.brasil247.com - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um ato pela democracia
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um ato pela democracia (Foto: Ricardo Stuckert)


Uma pergunta recorrente nas análises de conjuntura política é essa: quem teme Lula? As constantes pesquisas, indicando uma possível vitória eleitoral do petista, tem despertado a raiva e o temor na elite. O grande capital teme Lula não porque ele seja uma versão brasileira de Mao, Lênin, Ho Chi Minh ou Fidel, que promoverá a estatização total dos bens de produção. Temem porque com Lula, seus lucros serão menores. Menores. Mas não deixarão de lucrar. E a ânsia pelo dinheiro é o que lhes interessa. Hoje com Bolsonaro, em plena pandemia, milionários tornaram-se bilionários...pouco importando como a grande maioria dos brasileiros e brasileiras têm (sobre)vivido em meio ao caos financeiro, sanitário, político, ambiental. As cifras, para essa corja, devem ser cada vez maiores em seus bolsos.

Não à toa, empresas ligadas ao MBC (Movimento Brasil Competitivo) ditam as regras junto ao Ministério da Economia e forçam medidas anti ambientais, solicitando ao Ministério do Meio Ambiente o fim, por exemplo, dos licenciamentos ambientais para reutilização de rejeito e estéril de mineração – não nos esqueçamos dos crimes de Mariana e Brumadinho, ocorridos mesmo com a vigência desses licenciamentos! O capital também solicitou a extinção do Conselho do Meio Ambiente, inviabilizando estudos prévios de impacto ambiental e até mesmo a redução das exigências para a fabricação de (mais) agrotóxicos, entre outras tantas barbaridades.

Uma dessas empresas é a Gerdau, cujos lucros apenas no primeiro trimestre de 2021, aumentou nada menos que 1.016%, atingindo as cifras de R$2,4 bilhões. Enquanto isso, o povo sofre com a fome, o desemprego, a inflação e o caos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas e os pequenos burgueses? Dizem temer, seguindo a fala da verdadeira burguesia. No entanto, se fossem conscientes, deveriam apoiar Lula. Essa casta, tal como a classe média que ascendeu nos governos petistas via consumismo após as políticas adotadas, tiveram grandes conquistas por parte do capital. Mas a culpa não é apenas deles. A falta da educação de base que deveria ter sido feita pelo PT durante seus governos, resultou nessa permissividade da falta de informação que instalou o ódio propagado pela elite brasileira, iludindo os “falsos burgueses”. E com isso, os que eram oprimidos, tornaram-se defensores da opressão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A própria parte da direita, defensora ardilosa do bolsonarismo, com exceção do grande capital, passa a sofrer com as políticas econômicas instaladas por Paulo Guedes e seus “Chicago boys”. Não entrarei no mérito “pobre de direita”, pois todos são livres para defender o que bem entendem – ou não entendem – mas o fato é que muitos desses estão ficando atônitos em defender aquilo que os prejudica. O capitalismo explora a própria fome das pessoas. Em que regime, os ossos que antes eram descartados, passam a ser vendidos para sanar a necessidade básica e fundamental que é o direito à alimentação? É a mercantilização da miséria!

Poderíamos também dizer sobre a inflação descontrolada que igualmente afeta os mais pobres financeiramente, refletindo no preço do aluguel e dos bens de consumo. O próprio “bico” da uberização que passou a ser uma salvação para desempregados – enganados com a ideia de microempreendedores – agora também sofre com a “demissão” de mais de 15 mil motoristas desses aplicativos, uma vez que o preço dos combustíveis segue descontrolado pela dolarização de uma política irracional e desumana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A crise hídrica, de responsabilidade direta do (des)governo, igualmente reflete na conta de energia, tornando nossa “bandeira vermelha” – para desespero de todos, e principalmente daqueles que gritavam bravatas de que ‘nossa bandeira jamais será vermelha!’. Afinal, os desmatamentos e incêndios criminosos promovidos pelo agronegócio, sob a tutela da bancada ruralista e apoio incondicional de Bolsonaro e seus ministérios que trabalham para o aparelhamento dos órgãos de fiscalização, fragilizando a prevenção e punições, são responsáveis direto pela redução dos chamados “rios voadores” que apenas a floresta em pé é capaz de promover para que as chuvas que abasteceriam as hidrelétricas ocorram. Além desse ecocídio, obriga a ligação das termelétricas, cuja energia, além de mais cara para o consumidor, é ainda mais poluidora do ambiente e potencializa ainda mais a emissão de gases do efeito estufa.

Assim sendo, é inevitável ver que o anacronismo é real. Mais do que atuarmos com a teoria de Marx, Lênin e Paulo Freire, é preciso colocá-la em prática.

Enquanto esquerdista utópico e esperançoso – do verbo freiriano esperançar – é óbvio que desejo ver uma revolução desde as bases; uma revolução legitimamente socialista, seguindo os princípios marxista-leninistas. Ao mesmo tempo, sei que a fome, o desemprego e todas as mazelas plantadas pelas ações neoliberais e suas crises precarizam não apenas a vida, mas inviabilizam um processo de transformação. No entanto, o acesso aos bens deve estar vinculado à educação libertadora e emancipadora.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tal como seu primeiro governo, se tudo o que está sendo aventado se concretizar, Lula pegará novamente uma terra arrasada.

Gerar emprego, distribuir renda, promover a inserção social serão fundamentais. E a partir disso, promover alterações mais radicais para o início do processo de ruptura com o capital. E quando digo isso, não me refiro a uma revolução “comunista” como os fascistas insistem em tagarelar. A revolução seria o fortalecimento da sociedade como um todo, mas que não pode mais se basear apenas no consumismo. É preciso reduzir as lacunas, mas sem que se esqueça de promover  a libertação das amarras do capitalismo selvagem. Como sempre nos alerta Pepe Mujica, devemos transformar a sociedade com verdadeiros cidadãos e cidadãs, e não meros consumidores.

Assim sendo, um possível retorno de Lula à presidência, será uma nova oportunidade para estabilizar o país. Mas essa estabilização não pode cometer os mesmos erros que foram cometidos. É preciso fazer mais. E isso passa pelo fortalecimento das bases. É urgente que falemos diretamente com as massas; falemos a linguagem do povo. A esquerda precisa retornar aos seus princípios, deixando o academicismo de lado. E, lembrando novamente Paulo Freire, tornar nossa teoria em prática, caso contrário, tudo que estudamos e falamos não passará de verbalismo – assim como a prática sem teoria, passa a ser apenas ativismo. Que a práxis se faça presente para modificar a realidade!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email