Lula não está “nas cordas” e ainda é o favorito
Com liderança nas pesquisas e base eleitoral estável, Lula repete 2022, mantém vantagem sobre Bolsonaro e se fortalece com inflação em queda
Sou obrigado a discordar aqui do nosso colunista, o nobre jornalista cearense Gabriel Barbosa, que publicou uma análise política um pouco pessimista a partir dos números da Paraná Pesquisas divulgada hoje.
Em primeiro lugar, a própria pesquisa mencionada traz o presidente Lula à frente no primeiro turno, assim como a Atlas Intel também o fazia.
O presidente Lula mantém uma aprovação razoável, suficiente para ser um candidato competitivo e, segundo muitos analistas, favorito.
Os indicadores econômicos permanecem sólidos, e eles valem tão ou mais que pesquisas eleitorais, muito expostas a interesses particulares, oscilações emotivas de curto prazo e margens de erro.
Isso não quer dizer que não teremos uma eleição extremamente acirrada, como venho escrevendo por aqui desde sempre. O resultado é imprevisível.
Pesquisas favoráveis ao candidato progressista devem ser recebidas sem entusiasmo excessivo, assim como as menos favoráveis não devem ser vistas com pessimismo exagerado. Elas ajudam a entender, e devemos respeitar a maioria delas, mas sem nos deixarmos levar por nenhum tipo de emoção.
Na Atlas Intel divulgada nesta semana, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 39% de Flavio Bolsonaro.

Adivinha quanto Lula e Jair Bolsonaro tinham em maio de 2022, ano da última eleição presidencial, segundo a mesma Atlas Intel?
Lula tinha exatamente 45%, contra 39% de Jair Bolsonaro.
Esses 45% são a base eleitoral de Lula há muito tempo. Mas esse número refere-se sempre aos votos totais. Quando é convertido para válidos, vai para mais de 47%. Entretanto, no momento da eleição, ele sempre tende a crescer por causa da abstenção, o que explica a vitória de Lula em 2022.
Considerando o universo de eleitores registrados no Brasil, que chegaram a 155 milhões segundo a última atualização do TSE, de dezembro de 2025, esses 45% da Atlas Intel correspondem a 70 milhões de eleitores. Como o Lula está 7 pontos à frente de Bolsonaro, segundo a Atlas, e cada ponto percentual equivale a 1,55 milhão de eleitores, Lula teria, hoje, 11 milhões de votos a mais que Flavio Bolsonaro no primeiro turno.
Caso Lula passe para o segundo turno com essa vantagem, será difícil uma virada.
Agora passemos para a Paraná Pesquisas, divulgada hoje. Nela, Lula lidera na espontânea com 26%, contra 14,8% de Flavio Bolsonaro.
Em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas, Lula tinha exatamente 26% na espontânea, contra 21% de Jair Bolsonaro.
Lidera também na estimulada, com 39,6% dos votos, 4 pontos à frente de Flavio Bolsonaro. O percentual de Lula corresponderia a 61,53 milhões de eleitores, 7 milhões de eleitores a mais que o segundo colocado.
Repare que Lula vem se mantendo estável ao longo dos últimos meses, tendo inclusive crescido em relação aos 36%-37% que apresentava nos últimos meses de 2025.
Adivinha quantos por cento Lula tinha, em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas? Ele tinha exatamente 38,9%, virtualmente o mesmo que tem hoje, contra 31% de Jair Bolsonaro.
Ou seja, não há razão para nenhum tipo de desespero. Lula mantém uma base sólida de eleitores, suficiente para ganhar. Com uma vantagem sobre 2022, que é poder fazer uma campanha mostrando o que realizou ao longo de seu mandato.

Entretanto, um número tão ou mais importante que pesquisas eleitorais é a inflação de alimentos, e temos hoje a novidade divulgada pelo IBGE. O instituto liberou hoje o IPCA-15, que é o indicador de inflação que antecipa o IPCA oficial, e os números de fevereiro mostram mais queda no custo dos alimentos consumidos em domicílio.
Segundo o IBGE, a inflação de alimentos no Brasil caiu para 0,49% em fevereiro, no acumulado de 12 meses, o que é um dos menores números da história do país.
Naturalmente, Lula não pode errar. Ninguém pode subir no salto alto. A comunicação precisa sempre melhorar. E, reiteramos, o resultado que sairá das urnas em outubro é imprevisível.
Há motivos, porém, para permanecermos confiantes e otimistas de que o Brasil não escolherá o caminho do retrocesso.

Publicado no site O Cafezinho.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
