Lula, para o caos voltar a ser Brasil

"É hora de estudar o que foi realmente o governo Lula, escolher uma das muitas conquistas, ter confiança e convidar os amigos para se juntarem à campanha progressista pelos motivos certos", diz Leonardo Stoppa

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)
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Existe uma corrente, clamor ou forma de comoção nascendo nas redes de que Lula seria o caminho para nos livrar do Bolsonaro. Eu discordo completamente pois quem melhor nos livra do Bolsonaro é o próprio Bolsonaro! Digo mais: há um perigo em dar continuidade a este discurso, e é por isso que escrevo esta pequena reflexão.

Se voltarmos à raiz da crise que estamos vivendo hoje, veremos que isso já foi aplicado, e como deu errado! O discurso político da mídia hegemônica era no sentido de criar ódio ao PT. Como o povão vivia a melhor experiência econômica já experimentada no Brasil, tentar insistir em erros ou forçar um argumento sobre o “fracasso do governo” seria mais uma tentativa frustrada de emplacar o “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”.

Foi aí que partiram para o ataque moral: “corrupção”, “Luladrão”, “Lulinha dono da Friboi, da Oi e do iate abastecido com dinheiro público”, “Dilminha é dona das lojas Havan” e então, se valendo da casa própria que é sonho dos mais humildes, e do “sítio ostentação”, objeto de desejo da classe média, criaram no imaginário da parte mais influenciável da população “O partido mais corrupto do mundo”. Desde aí, todos os liberais se colocaram como opções para “nos livrar do Lula, da Dilma e do PT”, e essa campanha, minuciosamente desenvolvida para nos enfiar “goela abaixo” um Aécio, um Alkmin ou até mesmo um Meirelles, entregou de bandeja a presidência para o Bolsonaro. 

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É que para propor uma alternativa contra a Dilma em 2014, a globo precisava criar um “espantalho” contra o governo que produziu o maior crescimento econômico da história deste país, e este crescimento não se resume ao micro PIB rural do Guedes, mas contempla positivamente outros indicadores como: (1) Redução do desemprego ao menor patamar da história; (2) maior redução da desigualdade social; (3)menor índice de falências;

(seria necessário um livro pra falar de todos os indicadores positivos do governo Lula/Dilma) e é por isso que no lugar de confrontar o que estava indo bem com propostas que certamente não seriam aceitas pois “no time que está ganhando não se mexe", a oposição preferiu criar o espantalho da corrupção, esquecer proposta político econômica e apostar no mantra de “Livrar o Brasil do PT”.

Quase deu errado nas urnas, e digo quase por que apesar da derrota do Aécio em 2014, o Congresso apodreceu... A continuidade do discurso de que era preciso “livrar o Brasil do PT” nos premiou com o fim da democracia materializado no golpe de 2016 e na violenta tomada do nosso direito de votar em Lula em 2018. Essa campanha de ódio nos rendeu considerável redução na qualidade do discurso parlamentar, que estreou experimentando aberrações do tipo: “o feijão aumentou porque o Brasil doou pra Cuba”, e hoje, adolescente e cheia de vigor, nos premia com delírios do tipo “Mia Khalifa financia pesquisas contra a cloroquina”.

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Já no bolso e no prato do povo trabalhador o resultado não foi de produzir gargalhadas. A “luta contra a corrupção”, que foi midiaticamente entregue nas mãos da Operação Lava Jato, nos premiou com a maior desindustrialização já vivida pelo Brasil. Hoje somos um país mais pobre, socialmente dividido, economicamente arrasado e o protagonista disso tudo naturaliza nossa condição dizendo a todo momento que o “Agro é pop”.

Mesmo com todo esse esforço, a Globo não colheu nem Aécio em 2014, muito menos Alkmin ou Meirelles em 2018. Ela teve que engolir a eleição daquele que para todos os especialistas, era só uma piada, “um Mito”: Jair Bolsonaro... Sem proposta, sem saber o que é o “tripé econômico”, sem nenhuma experiência política em cargo executivo, mas que tinha a mais convincente promessa de realizar aquilo que a Globo pediu durante os últimos anos: “Livrar o Brasil do PT”. Se esse tipo de campanha fracassou protagonizada pela Globo, ela pode fracassar se abraçada pelos progressistas, e tem mais: NÃO PRECISAMOS DISSO!

Quem convida eleitores a se unirem na campanha pela eleição do ex. presidente Lula e coloca como motivo a retirada do Bolsonaro, ignora o fracasso do atual governo em todos os indicadores nos quais Lula só teve vitórias, e é por isso que é importante que os progressistas trabalhem de forma contínua as realizações do governo Lula. A união, até mesmo de opositores e golpistas ao redor de Lula não se reduz a uma coligação para vencer Bolsonaro em 2022, mas é um consenso de que não existe crescimento econômico se não houver um líder capaz de transmitir credibilidade quanto ao futuro das políticas econômicas, e isso Lula tem!

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Até os mais ferrenhos críticos ao Lula, do Luciano Hang à Federação do Pato amarelo, todos sabem que a política econômica do ex. presidente Lula é previsível, o que significa que mesmo com ódio de terem que respeitar direitos trabalhistas e verem seus filhos se formarem nas mesmas universidades dos filhos dos empregados, os magnatas brasileiros vão investir na economia, porque não serão estúpidos a ponto de perderem a oportunidade de participar de um mercado onde o povo consome. Isso multiplica a produção, gera empregos e todos ganham juntos.

Então, é hora de estudar o que foi realmente o governo Lula, escolher uma das muitas conquistas, ter confiança e convidar os amigos para se juntarem à campanha progressista pelos motivos certos. Que tal trocar o “Lula pra tirar Bolsonaro”, por “Lula para gerar empregos”, “Lula para retomar o crescimento industrial”, “Lula para reunificar essa sociedade dividida”, “Lula para fazer esse ‘Bacurau’ voltar a ser Brasil”.

 

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